Little Nemo – 1905 – 1914

Por Delfin
Data: 21 maio, 2007

Little Nemo - 1905 - 1914Editora: Evergreen/Taschen – Edição especial

Autor: Winsor McCay (roteiro e desenhos).

Preço: US$ 29,90 (a edição em capa dura)

Número de páginas: 432

Data de lançamento: Junho de 2006

Sinopse

Perdido em um mundo de sonhos, Nemo e seus amigos vivem incríveis e impossíveis aventuras a cada página – ao menos até que o garoto subitamente acorde de seus devaneios noturnos.

Positivo/Negativo

Antes de passar aos comentários desta obra simplesmente indispensável, é também fundamental falar da pouca vergonha das livrarias importadoras de livros nesta fase que o Brasil vive, em maio de 2007, com a cotação do dólar a menos de dois reais.

Como se pode verificar, este livro é comprado nos Estados Unidos, em versão de capa dura, a menos de R$ 60,00. Bom, não é? Mais barato que as últimas edições colecionáveis da Opera Graphica e que o Sandman da Conrad, apenas para citar dois dos mais conhecidos exemplos dos preços das HQs no mesmo formato em nosso país.

Mas o absurdo é encontrar este livro em catálogo por ofensivos R$ 193,00! Sim, você não leu errado: se este valor for convertido pela cotação do dólar oficial em 18/5/2007 (R$ 1,96), descobre-se que estão sendo cobrados abusivos US$ 98,47! São quase 330% de aumento em relação ao valor da obra.

Neste ponto, entra em xeque um dos instrumentos mais controvertidos utilizados pelos proprietários de livrarias de todo o país: o chamado dólar-livro. Hoje, esta cotação extra-oficial da moeda americana gira em torno de R$ 4,10 a R$ 4,50, na região sudeste.

Só que, por esta cotação (que é mais que o dobro do dólar oficial), tomando-se o valor mais alto, Little Nemo deveria custar o valor (ainda elevado) de R$ 134,55. A que se deve, então, a edição ser encontrada em locais tão variados como a Livraria Cultura, a Livraria da Vilae a Comix (todas em São Paulo), apenas para citar as que disponibilizam os preços na internet, exatamente os mesmos R$ 193,00? E por que apenas a rede Fnac cobra os tais cento-e-trinta-e-poucos reais?

Este livro, apesar de importado, chega ao país pela Paisagem, distribuidora da Taschen(editora da qual o selo Evergreen faz parte). Seria ela a impor um preço irreal a esta (e inúmeras outras) publicações? Ou será que determinadas livrarias decidiram que o dólar-livro deve subir o preço de um material enquanto a moeda está em alta, mas não deve cair na época de baixa?

O argumento dessas lojas é que, quando o livro foi comprado, o valor era maior em reais. Brilhante! E completamente hipócrita quando se percebe que, às épocas de alta, assim que o dólar-livro subia, o valor de todo o catálogo importado também disparava automaticamente, não importando há quanto tempo o material ali estivesse.

Que os compradores de livros e revistas no Brasil fiquem de olho nos importados.

Dito isto (sem falar no nebulosíssimo assunto de que produtos culturais, como livros e revistas, não deveriam sequer pagar taxa alfandegária), sorte de quem, como este resenhista, achou este Little Nemo com desconto.

Trata-se de uma edição preciosa, com todas as cores fielmente reproduzidas pela primeira vez, como concebidas pelo mestre McCay. Estão aqui reunidas todas as tiras produzidas e publicadas entre os anos de 1905 (sob o nome de Little Nemo in Slumberland) até a última publicada em 1914 (já chamada In the Land of Wonderful Dreams). Material em ordem cronológica, da mais fina qualidade, que ressalta as qualidades criativas deste gênio dos primórdios da HQ moderna.

As nuances e vôos criativos podem ser observadas como ondas, começando com um pico criativo e muito surrealista (bem antes do surrealismo) logo no início, que arrefece ao passar de aproximadamente um ano, quando os personagens principais estão estabelecidos.

Em pouco tempo, a onda criativa retorna rumo a outro pico de mais ou menos um ano, até que estas ondas quebrem no momento em que a tira passa por uma reformulação, indo do formato colorido em quatro cores para o formato preto mais uma cor especial.

Seria o fim da saga de Nemo no New York Herald, que tinha a posse do nome da página dominical e que, por conta disso, obrigou McCay a mudar tanto estilo de cabeçalhos como o nome da tira quando esta estréia no New York Examiner.

Essas duas seqüências de publicações de Little Nemo nos Estados Unidos são as mais cultuadas. No fim da sua carreira, McCay fez uma curta retomada da página, entre 1924 e 1927, mas já sem o mesmo viço de antes.

Com certeza, esta edição é a que coleciona a maior quantidade de páginas de Little Nemo já publicadas num só volume. Há um cuidado no tratamento das imagens, na organização cronológica das páginas e na normatização do compêndio que só merece os parabéns, como é comum à Taschen, grande divulgadora mundial dos livros de arte a preços populares, e seus selos, como o Evergreen.

O preço deste volume no Brasil não é culpa nem da editora original e muito menos do autor, falecido há mais de 70 anos – por conta disto, Little Nemo foi um dos primeiros clássicos modernos das HQs a entrar em domínio público no mundo. O que, aliás, permitiu a Moebius e Marchand iniciarem a publicação de sua série em homenagem ao mais sonhador dos meninos.

Inspirador de um sem-número de referências no nascente cinema, em televisão, nas próprias HQs, em literatura e até mesmo desenhos animados e videogames, Nemo é indispensável.

Mas é melhor comprar no Amazon ou no eBay.

Classificação

5,0

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