The Lone Ranger – Now and Forever

Por André Craveiro
Data: 19 dezembro, 2008
MATERIAL IMPORTADO

 

The Lone Ranger - Now and ForeverEditora: Dynamite Entertainment – Edição especial

Autores: Brett Matthews (roteiro), Sergio Cariello (arte), Dean White (cores) e John Cassaday (capa).

Preço: $ 19,99

Número de páginas: 160

Data de lançamento: 2007

Sinopse

No ano de 1869, um grupo de seis texas rangers é emboscado, atacado e quase todos são mortos em um desfiladeiro enquanto seguiam os rastros de um bandido.

Quase todos.

O jovem John Reid sobrevive à chacina graças à inesperada ajuda de um pele-vermelha chamado Tonto. Juntos, o agora solitário ranger e seu companheiro índio buscam pistas dos assassinos para obter vingança enquanto ambos descobrem qual é, cada um ao seu modo, a melhor maneira de fazer justiça.

Este encadernado reúne as seis edições da minissérie The Lone Ranger.

Positivo/Negativo

Em uma época de heróis e anti-heróis extremamente realistas e violentos, que buscam fazer justiça com as próprias mãos refletindo um anseio da atual sociedade, o leitor menos atento poderia achar este lançamento algo inteiramente na contramão dessa tendência.

Ao fã veterano, que conhece o personagem, ou ao menos já tenha ouvido falar dele, talvez tal sentimento não se faça presente. Mas ainda poderá se questionar: “Será que este título vai emplacar no mercado? Os métodos do protagonista são antigos, ‘datados’, praticamente alienígenas nessa nova era de HQs que muitas vezes dispensam honra, justiça, lealdade… e benevolência com os inimigos, jamais os matando. Talvez o leitor atual dispense qualquer tentativa de consumir suas novas aventuras”.

De certa maneira, a indagação é válida. Afinal, se trata do famoso caubói mascarado Lone Ranger, o Cavaleiro Solitário, e seu amigo de batalhas, o índio Tonto. Montado em seu alazão branco Silver, ele é dono do famoso jargão que ainda hoje é recorrente nas mentes dos fãs: “Hi-Yo, Silver!”. E sua principal característica, sem contar o forte senso de justiça, é jamais matar o vilão, preferindo aleijá-lo ao disparar contra sua mão e desarmá-lo.

Lone Ranger foi publicado aqui durante a década de 1970 pela Ebal, que curiosamente batizou o personagem de Zorro – mesmo nome do famoso encapuzado negro criado por Johnston McCulley e dono do famoso “Z”, também lançado pela editora sob o título de Zorro Capa & Espada. A razão? Ambos usavam máscaras, viviam galopando e usavam uma caverna como quartel-general.

Isso causou uma confusão na mente dos leitores na época e, ainda hoje, há quem continue chamando o Cavaleiro Solitário, como ficou conhecido posteriormente, com o mesmo nome do alter ego de Don Diego de La Vega.

The Lone Ranger - Now and Forever<Apesar desse pequeno inconveniente, o “Zorro” caubói fez um tremendo sucesso internacionalmente e no Brasil, tanto nas páginas dos quadrinhos como no seriado de TV estrelado por Clayton Moore.

Mas aqueles eram outros tempos, talvez com uma ideologia diferente da de hoje.

Só esta descrição do personagem poderia originar caretas interrogativas no leitor. O já citado método “à moda antiga”, recorrente em HQs de faroeste da década de 1950, idem. Afinal, é anterior à onda dos spaguetti-western, que apresentavam um Velho Oeste mais cru e ácido, com pistoleiros que matam sem hesitar, em filmes, na literatura e, conseqüentemente, nos quadrinhos – como foi o caso de Jonah Hex, o mais famoso pistoleiro desfigurado dos comics.

No entanto, se o leitor ler o primeiro capítulo deste encadernado, correspondente à primeira edição do título norte-americano, no mínimo sua curiosidade pela próxima edição irá brotar. Foi o que aconteceu com este resenhista.

E quem fizer isso descobrirá uma excelente HQ de faroeste.

Nas seis partes da nova cavalgada do pistoleiro mascarado, agora sob os cuidados da Dynamite Entertainment, Brett Matthews e Sergio Cariello apresentam um conto de origem e vingança genuíno e magistralmente bem elaborado, com diálogos e cenas ousadas. Em momento algum há espaço para o marasmo.

Muito pelo contrário. Para os fãs da nona arte e especialmente os de western, esta é uma daquelas obras que traz de volta o gosto de ler uma boa história, a qual por sua simplicidade e respeito pelas raízes e características dos personagens, chega a ser quase uma surpresa em tempos recentes. Uma ótima surpresa!

Cada evento é mostrado de forma clara e de maneira interligada em certos momentos, fazendo surgir um bem construído panorama do que virá a ser a transformação de um jovemranger em um justiceiro misterioso. Está tudo ali: a sobrevivência ao ataque inimigo, o uniforme com a clássica máscara negra, a mina de prata, como o herói consegue seu cavalo branco, o porquê de não matar e o estranho início da amizade com um apache “sabe-tudo”.

Além disso, um dos maiores atrativos desta série do Cavaleiro Solitário são as belas capas produzidas pelo tarimbado John Cassaday (Planetary, Surpreendentes X-Men), que renderam um encadernado extra somente com seu trabalho na série.

Talvez o único problema desta nova HQ seja a falta de previsão para aportar em terras brasileiras, porque qualidade de roteiro e arte não falta nessas paragens do Velho Oeste. Fica a dica para as editoras!

Classificação

5,0

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