Louco – Fuga

Por Samir Naliato
Data: 27 novembro, 2015

Louco – FugaEditora: Panini Comics – Edição especial

Autor: Rogério Coelho (texto e arte).

Preço: R$ 21,90 (capa cartonada) e R$ 31,90 (capa dura)

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Novembro de 2015

Sinopse

Quando criança, Licurgo Orival Umbelino Cafiaspirino de Oliveira, ou melhor, o Louco, conheceu um pássaro misterioso e especial. Desde então, ele tem a missão de impedir que a ave seja aprisionada pelos guardiões do silêncio, nem que para isso precise viajar pelas mais diversas histórias e conhecer uma turminha diferente.

Positivo/Negativo

Antes de começar esta resenha, é preciso pontuar algo importante. Sidney Gusman, editor das Graphics MSP, é também o editor-chefe do Universo HQ e, consequentemente, amigo deste resenhista. Então, mesmo com a lisura que marca o site desde 2000, sempre vai haver os que duvidem da honestidade da análise.

Nesses casos, que são poucos, felizmente, a batalha é praticamente perdida. Quem pensa dessa maneira não irá mudar de opinião, independentemente do que seja dito ou mostrado. Então, leia e tire suas próprias conclusões.

Porque, após ler Louco – Fuga, a décima graphic novel do selo, este resenhista, inspirado pelo simbólico pássaro da história, decidiu não manter a “prisão” autoimposta de não resenhar obras editadas pelo Sidney.

O Louco é o mais imprevisível personagem da Turma da Mônica, costumeiramente protagonista de aventuras insólitas. Aqui, essa característica é mantida, numa trama cheia de metáforas, metalinguagem e homenagens.

Desde criança, ele se vê envolvido com um misterioso pássaro que está sendo caçado pelos guardiões do silêncio. Nessa duradoura luta para fugir de seus perseguidores, o Louco enfrenta diversos desafios e, algumas vezes, falha, se vendo obrigado a invadir o domínio inimigo para libertar a ave.

Vale pontuar os dois momentos da trama em que isso acontece.

Na primeira, quando o personagem ainda era uma criança, a ação de soltar o pássaro o leva a vislumbrar a criação dos personagens da Turma da Mônica.

Na segunda, o fato é relacionado à expansão do estúdio de Mauricio de Sousa, com os surgimentos de Turma da Mônica Jovem, Chico Bento Moço, da trilogia MSP 50 e das Graphics MSP.

A metáfora é clara e apropriada. O pássaro representa a imaginação e força criativa de todos nós, que, quando libertas, são capazes de criar coisas incríveis. Já os guardiões do silêncio são as adversidades que nos limitam, sejam elas autoimpostas ou criadas por terceiros.

Tudo isso é complementado pela magnífica arte de Rogério Coelho, um ilustrador de mão cheia, que não economiza no serviço e extrapola as características da narrativa visual dos quadrinhos.

Em vários momentos, ele joga a leitura para o sentido horizontal com o uso de páginas duplas (até a capa é assim) que servem à trama, e não como um chamariz, e brinca com o fato de o Louco “pular” de um quadro para o outro, viajando entre as diferentes histórias e versões das criações de Mauricio de Sousa.

Esta não é também a primeira vez que uma Graphic MSP faz referências a trabalhos anteriores do selo – em Turma da Mônica – Lições, há o carro que aparece em Bidu – Caminhos. Mas, em Fuga, Rogério vai além, ao emular os traços de Danilo Beyruth, Vitor e Lu Cafaggi, Gustavo Duarte, Shiko, Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, Paulo Crumbim e Cristina Eiko e Roger Cruz.

Página após página, o autor brinda o leitor com alguns dos mais belos desenhos publicados neste ano, dignos de serem emolduradas e pendurados na parede (se isso não destruísse a revista).

O resultado é uma obra com potencial para se tornar a primeira pequena obra-prima das Graphics MSP.

No final, fica a importante mensagem para deixar sua mente livre e dar asas à imaginação. Asas como as de um pássaro, que voa alto e canta feliz quando escapa da gaiola.

Classificação

5,0

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• Outros artigos escritos por

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  • Gabriel Arruda

    Sou muito fan do Louco.Olá Cenourinha!

  • Renato Alves

    Nossa quando terminei de ler eu soube que Rogério Coelho mereceu todos os 5 (cincos) balões. A arte é mais que um absurdo nesta HQ e sem falar que a estória encaixou com a arte. Com o Gabriel disse abaixo “é uma mistura de Dave Mckean (Sandman) com J H Williams III (Promethea)”. Eu sempre fico com o pé atrás quando é selo MSP e leva cinco balões aqui (Universo HQ), mas vou dizer para quem não leu, compre e leia vale cada centavo.