LUCKY LUKE – CANYON APACHE

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2010

LUCKY LUKE - CANYON APACHE

Editora: Asa/Público – Edição especial

Autores: René Goscinny (roteiro) e Morris (desenho) – Originalmente publicada em Lucky Luke – Canyon Apache, de 1971.

Preço: 4,95 euros

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Setembro de 2006

 

Sinopse

A tribo chefiada por Patronimo continua em guerra com os “caras-pálidas de língua bifurcada”. Cada vez que os acampamentos são destruídos pelo exército dos Estados Unidos, os fortes militares são postos abaixo pelos índios.

Lucky Luke é incumbido de restabelecer a paz entre as duas partes, mas precisa enfrentar a teimosia do coronel O’Nollan. Pior: ao tentar mediar o conflito, é considerado um traidor pelos índios e um renegado pelos militares.

Para sair desta enrascada, o caubói que atira mais rápido que a própria sombra terá que usar toda sua astúcia… e sorte.

Positivo/Negativo

É quase incompreensível que uma série como Lucky Luke não tenha um álbum sequer publicado no Brasil há quase 25 anos – o último saiu em 1986, pela Martins Fontes. Trata-se de um clássico do quadrinho mundial, tão bom quanto outras preciosidades vindas do mercado franco-belga, comoAsterix e Tintim.

Este álbum saiu numa coleção de 20 edições que eram vendidas junto com o jornal Público, de junho a setembro de 2006. E traz uma história divertidíssima, escrita pelo genial Goscinny.

O roteirista, um dos criadores de Asterix (ao lado de Uderzo), faz piada de tudo. Das pedras jogadas do alto da montanha por índios atrapalhados, dos soldados brigões, do coronel e do chefe da tribo, teimosos como mulas, do ritual de ser amarrado ao chão e coberto de mel para ser devorado por formigas etc. Tem até uma sequência em Lucky Luke e Jolly Jumper revezam para dormir, mesmo enquanto cavalgam sem parar.

As gags se espalham pelas páginas e ganham mais graça no traço sempre preciso e engraçado de Morris. Aliás, vale notar que, nesta história, o caubói ainda aparecia em todos os quadros com um cigarro à boca, algo que, tempos depois, seria abolido em nome do politicamente correto e trocado por um capim.

O final da aventura reserva uma surpresa muito divertida, mas que pode ser estragada antes mesmo da primeira página. Isso porque o único senão desta bem cuidada edição da Asa está justamente nos textos complementares da segunda capa, que “entregam” o desfecho da história. O leitor que decide iniciar por ali se frustra por conta disso.

Fora esse deslize, o trabalho da Asa é impecável. O álbum tem papel bom, capa cartonada com orelhas e, principalmente, preço acessível – não chegaria a 13 reais, em valores atuais.

Há dezenas de histórias muito divertidas de Lucky Luke que nunca saíram por aqui. Com tantas editoras buscando material para livrarias, eis uma bela pedida.

Enquanto isso não acontece, o jeito é torcer para que a Leya, que é proprietária da Asa em Portugal, importe o encalhe desses álbuns e os venda por aqui. Certamente, haveria público para adquiri-los.

Classificação:

4,0

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