Lucky Luke – A Mãe Dalton – O Almofadinha

Por Marcelo Naranjo
Data: 19 dezembro, 2008

Lucky Luke - A Mãe Dalton - O AlmofadinhaEditora: Círculo do Livro – Edição especial

Autores: René Goscinny (roteiro) e Morris (arte).

Preço: Variável, dependendo do sebo onde for encontrado

Número de páginas: 96

Data de lançamento: 1970

Sinopse

A Mãe Dalton – a matrona da família Dalton mora na cidadezinha de Cactus Junction, fingindo que assalta comerciantes para não deixar transparecer que vive de caridade.

No entanto, quando os Irmãos Dalton fogem da cadeia e reencontram a mãe, é hora de retomar velhos hábitos – que incluem assaltar bancos. Só Lucky Luke pode deter os bandidos. Mas a Mãe Dalton vai ser osso duro de roer.

O Almofadinha – Quando o inglês Waldo Badmington chega ao Velho Oeste para tomar conta das terras que eram suas por direito, tem uma recepção das mais desagradáveis. E algumas pessoas farão de tudo para que ele vá embora.

Mas Waldo é corajoso e, ajudado por Lucky Luke, mostrará ser bem mais do que aparenta.

Positivo/Negativo

A saga da mais bem-sucedida sátira ao Velho Oeste em forma de quadrinhos teve início no ano de 1946, quando o belga Morris (pseudônimo de Maurice de Bevère) criou Lucky Luke, o “homem que atira mais rápido que a própria sombra”, publicado pela primeira vez na revista Almanach de Spirou.

A partir de 1955, o personagem chega ao seu melhor momento, quando o lendário René Goscinny (criador de Asterix, juntamente com Albert Uderzo) assume os roteiros das aventuras.

Essa parceria é responsável pelas duas histórias apresentadas neste ótimo álbum formato flip-flop, ou seja, com uma trama de cada lado – e que, por coincidência ou escolha editorial, estão entre as mais divertidas HQs de Lucky Luke.

Lucky Luke que se mantém impávido frente as mais absurdas situações, como bom caubói que é, sempre com seu cigarro no canto da boca. Muitos anos depois, Morris trocaria o cigarro por uma palha – influência dos tempos politicamente corretos.

Em A Mãe Dalton, estão presentes os principais coadjuvantes da série. São eles os quatro terríveis Irmãos Dalton: o pequeno e invocado Joe, William, Jack e o quase retardado Averell. Junto com eles, o cachorro mais idiota do Velho Oeste, Ran Tan Plan (uma sátira às avessas ao na época famoso Rin-tin-tin) e o inteligente e pragmático cavalo de Lucky, Jolly Jumper (neste álbum, chamado de Faísca).

A aventura é uma reunião de gags, de dar inveja aos bons roteiristas de quadrinhos de humor. Melhor, com o desenho expressivo de Morris, tudo fica ainda mais divertido.

Os momentos impagáveis ficam por conta do relacionamento entre a família Dalton. Com direito a brigas, discussões, cachorro, gato e até palavrões exclamados por Joe – que acaba por ter a boca lavada com sabão pela mãe.

Nesta HQ para todas as idades, o leitor pequeno espera que Lucky Luke dê um jeito de prender os bandidos, enquanto o mais maduro, ao contrário, provavelmente ficará na torcida pelos atrapalhados Dalton. Mesmo sabendo que de nada adianta, já que o sempre bem intencionado herói vai dar um jeito nos vilões.

Mas, surpresa! Nem ele é páreo para a Mãe Dalton. Num final antológico, no qual a velhinha chama o herói para um duelo, ela acaba se distraindo por conta de seu gato de estimação fugindo de Ran Tan Plan e – touché – faz o caubói admitir ter ficado com medo pela primeira vez na vida. É um grande barato.

Lucky Luke - A Mãe Dalton - O AlmofadinhaJá em O Almofadinha, a graça está principalmente das diferenças entre o estilo britânico de ser e as agruras e desconfortos do Velho Oeste.

Como mote, a recepção aos recém-chegados janotas (o “almofadinha” a que se refere o título), que raramente não se arrependiam de terem vindo de longe para tentar a sorte desbravando regiões distantes.

Também nesta trama os ótimos coadjuvantes roubam a cena. E o novo amigo de Lucky Luke chega disposto a manter as tradições de sua terra natal, o que inclui trazer um mordomo a tiracolo, praticar a caça à raposa e transformar os hábitos de um Sioux em algo mais civilizado. Mas, no final das contas, nem a fleuma britânica resiste aos costumes locais.

Lucky Luke foi publicado no Brasil por editoras como a Martins Fontes e a RGE. Diversos volumes da portuguesa Meribérica também chegaram por aqui. Basta ter paciência e procurar em livrarias e sebos, que ainda é possível encontrar álbuns do personagem.

Vale a pena: é uma daquelas obras que não envelhecem nunca. Lembrando que virou desenho animado e filme, com mais de uma versão.

Ainda que óbvio, difícil não finalizar um texto sobre Lucky Luke sem citar o último quadrinho da maioria de suas histórias, com o herói cavalgando rumo ao pôr do sol enquanto canta “I’m a poor lonesome cowboy and a long long way from home“, em uma homenagem aos lendários heróis do Oeste, tão bem representados por este divertido personagem e sua trupe.

Classificação

5,0

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