Madam & Eve – Twenty – Celebrating 20 Years of South African’s Favourite Cartoon Strip!

Por Milena Azevedo
Data: 19 abril, 2013

Madam & Eve - Twenty - Celebrating 20 Years of South African's Favourite Cartoon Strip!Editora: Jacana – Edição especial

Autores: Stephen Francis (texto) e Rico (arte).

Preço: US$ 14,95

Número de páginas: 184

Data de lançamento: Abril de 2013

Sinopse

Coletânea comemorativa aos 20 anos das tirinhas sul-africanas Madam & Eve.

Positivo/Negativo

São poucas as tirinhas de jornais cujos personagens ganham tamanha projeção mundial, a ponto de migrar para outras mídias, como a TV e o cinema.

Recruta Zero, Peanuts, Garfield e Mafalda são exemplos bastante conhecidos desse fenômeno, embora uma tirinha sul-africana esteja bem próxima de alcançá-lo.

Sucesso absoluto em diversos países do continente africano, Madam & Eve (tirinhas estreladas por uma dona de casa branca, de classe média, e sua empregada negra) pode ser lida atualmente em 17 jornais (entre africanos e norte-americanos) e no seu site oficial. Além disso, tem álbuns publicados na França, Dinamarca, Suécia e Estados Unidos e está presente em algumas HQs finlandesas e norueguesas.

O segredo de tamanha popularidade reside na qualidade do texto e da arte, dosando piadas que alfinetam a universal diferença de classes e direitos trabalhistas, como também várias questões sócio-políticas e econômicas particulares à “Nação do Arco-Íris”.

Gwen Anderson é uma mulher sovina, que gosta de ser chamada simplesmente de “madame”, e vive em queda de braço com sua empregada Eve Sisulu, que clama constantemente por um aumento salarial e, em retaliação ao jogo duro da “chefe”, faz várias pausas para o chá e tira longos cochilos em cima da tábua de passar roupas.

Além disso, Eve, é claro, bola outras formas de tirar dinheiro de sua patroa, botando uma banquinha na rua para vender produtos duvidosos.

Não bastasse Gwen, Eve ainda precisa aturar Edith Anderson, uma preconceituosa e ágil senhora inglesa de 80 anos, mãe da “patroa”. A “Mãe” Anderson gosta de tomar seu gim tônica pontualmente às cinco da tarde, e tem como hobby atirar pedras, com seu indefectível estilingue, na mulher negra que passa vendendo milho na rua, interrompendo sua soneca.

Como uma forma de homenagear Mafalda, tirinha criada pelo argentino Quino, na década de 1960, há a personagem Thandi, uma esperta menininha negra, irmã da namorada do filho de Gwen.

Thandi não costuma fazer a lição de casa, pois está muito ocupada vendo TV e ficando por dentro do que acontece em seu país. Seu sonho é trabalhar para o governo, tanto que em uma tirinha ela presta assessoria ao presidente Jacob Zuma.

Egressos da finada revista satírica Laughing Stock, os cartunistas Stephen Francis (norte-americano), Rico Schacherl (austríaco) e Harry Dugmore (sul-africano) acabaram criando um estúdio chamado Rapid Phase, em Johanesburgo. Um de seus primeiros trabalhos comercializados foi a série de tiras Madam & Eve, publicadas a partir de 1992, no jornal Weekly Mail (rebatizado de Mail & Guardian).

O que havia começado de forma modesta foi tomando grandes proporções, tanto que as tirinhas passaram a ser compiladas anualmente em álbuns, e, no ano 2000, foi produzida uma série live-action para uma emissora de TV sul-africana.

Em seu aniversário de 20 anos, Madam & Eve estão presenteando os fãs com mais notícias boas. Primeiro veio o anúncio de uma série animada na TV, seguido por um álbum especial, lançado neste mês de abril pela Jacana, trazendo uma seleção com o melhor da série, incluindo as tirinhas coloridas.

O especial Madam & Eve – Twenty dá ao leitor a oportunidade de acompanhar o progresso dos artistas nessas duas décadas de trabalho: o traço de Rico vai ficando mais estilizado; a cor da pele de Eve ganha substância a partir de 2004 (no início, a cor negra era empregada com retículas); e, com a saída de Dugmore, o foco das piadas passa repetitivamente a ser a corrupção e as extravagâncias dos políticos locais, trazendo às tiras características próprias das charges, como crítica político-social historicamente datada (assemelhando-se ao trabalho de Zapiro, um exímio chargista sul-africano).

As gags são ótimas, com momentos de paródias de filmes, versões sul-africanas de histórias lendárias, como Robin Hood, e jogos de tabuleiro, como Detetive e Monopoly. Outros temas recorrentes são questões de gênero, racismo, meio ambiente, animais em vias de extinção e políticas públicas.

Madam & Eve bem que poderia ser publicada no Brasil, principalmente nesse momento em que a “polêmica” lei das empregadas domésticas entrou em vigor.

Classificação

4,0

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