MÁGICO VENTO # 72

Por Tiago Pavinato Klein
Data: 8 setembro, 2009


Autores: Gianfranco Manfredi (texto) e Mario Milano (desenhos).
Originalmente publicada em Magico Vento # 72

Preço: R$ 6,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Junho de 2008

Sinopse: Mágico Vento e Poe estão em Jericho, uma cidade que começa
a sofrer incêndios misteriosos.

Segundo as visões de uma freira, seria uma repetição do que ocorreu na
Jericó bíblica. Por isso, ambos passam a investigar o caso.

Positivo/Negativo: Uma história bastante envolvente e interessante
de Mágico Vento, que traz de volta os elementos místicos. A trama faz
diversas referências bíblicas, tendo inclusive dois religiosos como personagens
importantes.

A Jericho norte-americana ganhou este nome após os muros construídos ao
seu redor, lembrando o que Josué e os hebreus encontraram ao retornar
do cativeiro no Egito, após 40 anos no deserto.

Segundo o Êxodo, Josué lutou e derrubou as muralhas não pela força, mas
pela fé, usando trombetas. Após o sétimo dia, elas começaram a cair e
os hebreus tomaram a Jericó.

Vários detalhes e comparativos com a cidade bíblica são feitos: a única
sobrevivente, uma prostituta de nome Raabe, toma forma também na Jericho
norte-americana. A queda das muralhas também é esperada, mas de outra
maneira; e com uma possível grande tragédia – e a missão de Mágico Vento
é impedir que isso ocorra.

Se na história bíblica a tarefa é buscar a terra prometida, nesta edição
Jericho é assolada por um “livre comércio” entre os saloons e lojas,
o que vai minando a cidade.

Há aí uma crítica bastante interessante de Berardi a como a concorrência
vai destruindo as relações entre as pessoas e gerando a onda de violência
na cidade. O leitor pode perceber como o que ocorre na trama não está
tão longe do que acontece na atualidade – de uma forma bem mais complexa,
evidente.

E buscando outra história bíblica, é imediata a relação com Jesus expulsando
os vendilhões do templo.

Uma bela edição, que permite diversas reflexões e ligações com o passado
e o presente. Há elos com o Antigo Testamento (e pode-se buscar inspirações
do Novo) e também uma visão geral de como o livre comércio, a corrida
desenfreada pelo lucro, tem corroído a sociedade moderna.

Manfredi mescla os dois elementos em uma bela história passada no Velho
Oeste.

A arte de Milano é elegante e dá forma às visões da freira Soror Blandina
(personagem histórica que realmente existiu, conforme o texto da Blizzard
Gazette
do início da edição e que é homenageada na trama).

Mas passou uma falha de edição: na página 86, a fala dos balões dos terceiro
e quarto quadrinhos é igual. Assim, o leitor fica sem saber qual a resposta
de Mágico Vento para outro personagem.

Classificação:

4,0

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