Man of two worlds – My life in science fiction and comics

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 13 dezembro, 2013

Man of two worlds – My life in science fiction and comicsEditora: Harper Collins Publishers – Biografia

Autores: Julius Schwartz com Brian M. Thomsen.

Preço: US$ 14,00

Número de páginas: 224

Data de lançamento: 2000

Sinopse

Autobiografia do legendário editor Julius Schwartz, enfocando seu envolvimento com os mundos da literatura de ficção científica e dos quadrinhos de super-heróis.

Positivo/Negativo

Julius Schwartz é mais lembrado hoje como o editor que deu início à Era de Prata dos quadrinhos, quando lançou um novo personagem com o nome e os poderes do Flash original, em 1958, dando novo fôlego aos tradicionais super-heróis. Mas ele também teve envolvimento notável no campo da ficção científica, desde a adolescência, quando praticamente criou o fandom deste gênero literário, por meio do primeiro fanzine especializado.

Ainda jovem, atuou como agente de talentos como Alfred Bester, Ray Bradbury e H. P. Lovecraft, inaugurando mais uma nova tendência no meio. Ele esteve ligado a fenômenos da cultura pop como o divertido seriado de Batman, na década de 1960, e o inesquecível Superman – O Filme, estrelado por Christopher Reeve, em 1978.

Em 2000, celebrando décadas de uma carreira vitoriosa, Schwartz lançou Man of two worlds – My life in science fiction and comics, livro de memórias que é recomendado com louvor para entusiastas da literatura fantástica e dos justiceiros fantasiados, ou qualquer um que goste de escutar boas histórias.

O título Man of two worlds faz referência à história Flash de dois mundos, uma das grandes contribuições de Julius Schwartz ao mundo dos quadrinhos, por mostrar o encontro do velocista Barry Allen com seu precursor da Era de Ouro, Jay Garrick, que existia num universo ficcional distinto. Assim, surgiu um novo conceito: o Multiverso DC, pavimentando o caminho para as reuniões anuais da Sociedade com a Liga da Justiça da América, a megassaga Crise nas Infinitas Terras e infinitos crossovers das mais numerosas editoras.

O livro evita detalhes sobre a vida pessoal do autor, mas arrebata logo nas primeiras páginas, quando ele relembra sua adolescência como aficionado das revistas pulp (ficção barata de diversos gêneros, muito popular no início do Século 20), e como começou a se corresponder com outros fãs buscando seu endereço nas seções de cartas. Logo conheceu Mort Weisinger, que mais tarde seria responsável por toda a linha de quadrinhos do Superman.

A prosa de Schwartz é direta e envolvente, cheia de detalhes curiosos e anedotas sobre figuras conhecidas dos universos explorados. Para os fãs devotados, é a experiência única de saber como seria a história jamais escrita do Superman pelo mestre da ficção científica Isaac Asimov, as reações do criador Bob Kane ao conhecer o artista que revolucionou Batman, Frank Miller, e um almoço com o genial Ray Bradbury.

Dentre as experiências profissionais marcantes do autor, há desde a atuação como agente literário dos mestres do gênero fantástico até as reformulações dos super-heróis da DC Comics, com destaque para a descoberta de talentos como Elliot S! Maggin e Dennis O’Neil. O roteirista que mudou a face de personagens como Batman e Superman, além de ter explorado a relevância social nas histórias de Lanterna Verde/Arqueiro Verde foi motivo de orgulho para Schwartz, mais um entre tantos maiorais numa trajetória iluminada.

E os dois mundos do editor não permaneceram separados por muito tempo, já que ele explorou temas prementes da ficção científica nos quadrinhos de Mystery in Space e Strange Adventures, nos alicerces dos super-heróis da Era de Prata, e numa linha de graphic novels adaptando o trabalho de mestres do gênero, culminando com a aclamada O demônio da mão de vidro, de Harlan Ellison e Marshall Rogers.

Julius Schwartz faleceu em 2004, deixando um legado incomparável no mundo do entretenimento, e suscitando homenagens diversas. Depois de sua morte, a DC chegou a publicar uma série de quadrinhos especiais, reunindo novos e antigos artistas, com base em capas publicadas pelo editor, tempos atrás.

Curiosamente, a existência de Schwartz relacionada aos gibis vai além dos bastidores, já que ele mesmo apareceu como personagem nas páginas de Superman, Flash, e até do insano Ambush Bug, do criativo Keith Giffen.

Como profissional de competência inegável e influência evidente em toda a dieta de consumo atual de leitores apaixonados, Julius Schwartz levou uma vida apreciável que merece ser conhecida, e Man of Two Worlds não decepciona.

Classificação

4,0

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