Manual do Escoteiro Mirim

Por Rodrigo Scama
Data: 14 outubro, 2016

Manual do Escoteiro MirimEditora: AbrilEdição especial

Autores: Vários

Preço: R$ 39,90

Número de páginas: 256

Data de lançamento: Junho de 2016

Sinopse

A edição fac-similar do manual que ajudou todas as crianças da década de 1970 (e 1980 também) a aprender sobre coisas do mundo real e, de quebra, aprender a fazer vários experimentos e brinquedos.

Positivo/Negativo

Uma bola muito dentro, um golaço da Abril! Mais do que reeditar o famoso Manual do Escoteiro Mirim, de 1971, a editora optou por fazê-lo em forma fac-similar. Ou seja, nada foi alterado do projeto original. A capa é a mesma, as páginas idem (inclusive o tom amarelado do papel) e até a escrita foi mantida.

O leitor encontras nesta edição palavras como escôva, côr, este, tal como foram escritas na época do lançamento, antes da reforma ortográfica que foi implementada posteriormente no mesmo ano de 1971.

É impossível não ficar saudosista (principalmente se você tem mais de 40) ao ver matérias sobre como reconhecer uma cobra peçonhenta, como se orientar pelo sol, como seguir um mapa ou como organizar uma coleção de selos.

Além disso, há vários “tutoriais” que são estimulantes para um garoto de 40 anos ou mais, como a receita para construir um transmissor-receptor de código Morse, um arco e flecha e mesmo um código secreto marciano para conversar com seus amigos.

Outra coisa importante são os conselhos do Manual para o jovem que quer se profissionalizar. Como ser um cantor, ator, jogador de futebol, aviador… Basta seguir os conselhos e tudo dará certo. Os textos, naturalmente, são escritos para crianças e possuem um tom de conversa, como se a publicação conversasse com o leitor.

Assim, o leitor acompanha Professor Pardal, Tio Patinhas, Mickey, Margarida, Pato Donald e, claro, Huguinho, Zezinho e Luizinho que vão transformar o menino de 40 anos (ou mais) que está lendo em um garotinho de sete ou oito. Fenomenal.

É notório que a Abril está passando por dificuldades, basta ver a quantidade de títulos que vendeu para outras editoras e o próprio encolhimento das tiragens e da sua participação nas bancas. Mas parece que estão tentando sair do sufoco nesse Brasil tão conturbado da mesma forma como adentraram neste mercado: com uma família de patos que habita Patópolis.

Tomara que consigam e que tragam de volta todos os demais manuais que habitavam nossas infantis bibliotecas daquele distante século passado.

Classificação

5,0

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• Outros artigos escritos por

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  • Dyel Dimmestri

    Adorei!!!
    relendo este manual,eu me senti o menino de ontem…
    Nesta época e situação em que vivemos é uma grande alegria poder rever coisas assim.

  • Marco1964

    “Mais do que reeditar o famoso Manual do Escoteiro Mirim, de 1971, a editora optou por fazê-lo em forma fac-similar. Ou seja, nada foi alterado do projeto original. A capa é a mesma, as páginas idem (inclusive o tom amarelado do papel) e até a escrita foi mantida.”
    Só que não…
    No dia 21/05/2016, saiu na Ilustrada, na coluna Painel das Letras, de Maurício Meireles, a seguinte nota:
    “A Editora Abril pensou melhor e resolveu retirar as referências a bebidas alcoólicas da nova edição do “Manual do Escoteiro Mirim”, que chega nesta semana às bancas de revistas e livrarias. Ao todo, eram duas citações: as receitas do “coquetel do escoteiro mirim”, em que o livro recomendava colocar conhaque, e a do “leite com menta”, que levava álcool de menta. O conhaque foi substituído por leite de coco, e o álcool de menta, por chá de menta. Uma curiosidade da vida de editor: os novos ingredientes foram escolhidos depois de as receitas serem testadas por Mariana Caetano, responsável pelo livro. ‘Tentei trocar o conhaque por groselha, mas ficou muito doce’, diz ela. Os trechos alterados virão com um aviso no pé da página: “A expressão original foi alterada em observância ao que dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990)”.
    Logo…
    Culpa dos tempos politicamente corretos (e muito chatos, diga-se de passagem) em que vivemos… >sigh<

    • Rodrigo Scama

      Questãozinha complicada essa. Se colocar álcool no livro, não pode ser vendido para crianças. Por outro lado, é evidente que a publicação busca leitores saudosistas, e não crianças. Enfim, “Culpa dos tempos politicamente corretos (e muito chatos, diga-se de passagem) em que vivemos…”