MARTIN MYSTÈRE #16

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2004


Título: MARTIN MYSTÈRE # 16 (Mythos Editora) – Revista mensal

Autores: Alfredo Castelli (roteiro) e Sergio Tuis (desenhos).

Preço: R$ 5,50

Número de páginas: 112

Data de lançamento: Novembro de 2003

Sinopse: Magia Africana – Beverly Howard, uma velha amiga de Martin Mystère – tendo aparecido anteriormente nos episódios A Vingança de Rá (MM # 2 e 3, da Globo, e MM # 1, da Record) e A Estirpe Maldita (MM # 4, Globo, e MM # 6, Record) – desapareceu em uma região inexplorada do continente africano.

Financiado pelo produtor de sua série televisiva, o Detetive do Impossível parte numa missão de resgate que acaba levando a descobertas e perigos extraordinários.

Positivo/Negativo: Uma aventura típica, mas nem por isso menos prazerosa do bom e velho tio Martin, com todos os elementos clássicos que fizeram o sucesso da série na Itália: viagens a lugares exóticos (no caso, as regiões inexploradas da África), perigos esperados e inesperados, certa verossimilhança, de modo a suspender a descrença do leitor para as partes mais delirantes da narrativa, muitas informações históricas e geográficas e um grande e saboroso enigma para o estimado protagonista. Diversão certa, no melhor estilo da Sérgio Bonelli Editore.

Nessa primeira parte, Castelli conduz a trama de maneira direta e segura, equilibrando realismo e fantasia de forma linear, acrescentando vários detalhes aparentemente sem importância, mas que acabam reforçando o tom verossímil da história. Foi uma bela sacada explorar a necessidade de Martin engolir a equipe de cinegrafistas para não perder a oportunidade de financiamento da expedição de resgate, provando que, apesar de muito bem de vida, o heróico arqueólogo por vezes deve se curvar diante de sua sofrida conta bancária.

A história dentro da história, no programa de TV do Detetive do Impossível, é tão interessante e assustadora que chega a ofuscar o assunto principal do episódio. Aliás, Castelli, aparentemente, não estava muito interessado em criar suspense. Logo fica claro que teremos dinossauros para o próximo número e as referências a King Kong são absolutamente óbvias.

Mas se o roteiro opta pela previsibilidade, não se pode disser que seja necessariamente um problema, já que é uma característica narrativa quase padrão nos quadrinhos Bonelli.

Surpreendentes são os desenhos de Sergio Tuis, realistas, expressivos e até sensuais em alguns momentos mais picantes, com Beverly Howard sendo submetida a um ritual primitivo com fortes conotações sexuais, o que pode ser considerado a citação mais clara e forte de King Kong.

A edição continua impecável dentro dos limites do padrão gráfico adotado. Tudo parece indicar que o título está se firmando no mercado brasileiro, pelos menos é o que os fãs esperam. De qualquer forma, já ficou claro que a Mythos vai mesmo superar a marca dos 17 números publicados pela Record, o que, por si só, já é motivo de comemoração.

Classificação:

4,0

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