MARTIN MYSTÈRE #17

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2004


Título: MARTIN MYSTÈRE # 17 (Mythos Editora) – Revista mensal

Autores: Alfredo castelli (roteiro) e Sergio Tuis (desenhos).

Preço: R$ 5,50

Número de páginas: 112

Data de lançamento: Dezembro de 2003

Sinopse: O Vale Perdido – Conclusão do episódio Magia Africana. Após escapar do ataque de um grupo de mercenários, Martin Mystère e a equipe de resgate são capturados pela tribo desconhecida que mantém Beverly Howard cativa, em meio a um vale oculto habitado pelos últimos dinossauros vivos na Terra.

Positivo/Negativo: As referências explícitas à King Kong continuam neste movimentado desfecho da aventura da edição anterior. Sem esquecer, claro, as semelhanças com o clássico de Arthur Conan Doyle O Mundo Perdido, que já ganhou incontáveis versões para cinema, TV e quadrinhos (a mais recente, o esdrúxulo seriado exibido pela Rede Record é, sem dúvida, a pior de todas).

O episódio é concluído de maneira satisfatória, embora sem maiores arroubos ou surpresas. Alguns desenlaces decepcionam um pouco, como a patética roupinha estilo Shanna, a rainha da selva, que Beverly aparece vestindo após todos os rituais preparatórios sensuais do último número. Mas como a maior crítica a esse artifício duvidoso veio do próprio Martin, tudo acaba passando de modo aceitável.

Da página 47 a 54 há um longo e interessante resumo das principais teorias sobre as possíveis causas da extinção dos dinossauros. Algumas delas já foram devidamente descartadas desde a época em que a história saiu na Itália (1987), bem como algumas incongruências a respeito da própria anatomia dos dinossauros.

Hoje, sabe-se que um pterodátilo do tamanho de um helicóptero, como mostrado na página 37, é completamente absurdo, mas esses são detalhes de menor importância em meio à diversão a la Indiana Jones da trama.

É interessante destacar a forte conotação erótica do ritual realizado pela sacerdotisa da tribo, algo bastante atípico para os padrões bonellianos. Martin Mystère, juntamente com Dylan Dog, foram as séries que romperam com inúmeros tabus presentes nas séries mais tradicionais da editora, como Tex e Zagor, e abriram espaço para abordagens mais fortes e personagens mais profundos e interessantes. Mágico Vento foi o primeiro desses novos “heróis complexos” a aportar por aqui, mas ainda há muitos outros esperando para dar as caras.

Agora é aguardar o número 18, que ultrapassa a marca dos 17 números da editora Record. Como mencionado no review de MM # 14, há alguns meses, o moderador da lista de discussão Bonelli HQ, José Ricardo do Socorro Lima, sugeriu que o número 18 fosse uma edição comemorativa, com mais páginas e trazendo a publicação de algum dos álbuns especiais do Detetive do Impossível.

O autor dessas linhas emendou um adendo à sugestão, de que a aventura escolhida fosse Xanadu, épico de 256 páginas, publicado na Itália no Albo Gigante # 2, no qual Martin Mystère e seu inimigo Sergej Orloff procuram pelo Santo Graal. Essa história traz o desfecho do episódio Agarthi, que saiu por aqui no número 13 da série da Record.

Será que a Mythos vai levar em consideração essas sugestões? Em alguns dias saberemos. De qualquer forma, os fãs têm motivos de sobra pra comemorar. Martin Mystère nunca teve antes uma série tão longeva no Brasil. A esperança é que continue assim por muitas e muitas edições.

Classificação:

4,0

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