MARTIN MYSTÈRE # 19

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2004


Título: MARTIN MYSTÈRE # 19 (Mythos Editora) – Revista mensal

Autores: Alfredo Castelli (roteiro) e Corrado Roi (desenhos).

Preço: R$ 5,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Fevereiro de 2004

Sinopse: O Segredo dos Templários – Conclusão do episódio A Seita dos Assassinos. Hassan Sabbah, o enigmático líder da nova Seita dos Assassinos, envenenou Diana para forçar Martin Mystère a procurar o local secreto onde os templários ocultaram seu maior tesouro, o que leva o Detetive do Impossível a encontrar uma das mais importantes relíquias da História da humanidade.

Martin Mystère #13, Editora RecordPositivo/Negativo: Muitas surpresas no desfecho desta que é uma das melhores aventuras do bom e velho tio Martin publicadas pela Mythos. Surpresas que tomaram de assalto, inclusive, o autor desse review.

Anteriormente, foi comentado que o moderador lista de discussão Bonelli HQ havia proposto que alguma das edições especiais de Martin Mystère na Itália fosse publicada na número 18 nacional, para comemorar a superação do “recorde” estabelecido pela editora Record, no início da década de 90. Aproveitando o ensejo, este escriba sugeriu que o episódio escolhido fosse Xanadu, épico de 256 páginas, publicado na Itália no Albo Gigante # 2.

Fiz essa sugestão por acreditar, erroneamente, que Xanadu fosse o desfecho do episódio Agarthi, publicado na Itália nos números 66 e 67; e no Brasil no 13 da editora Record.

Nessa história (uma das mais fascinantes da série) Castelli revelou inúmeros mistérios a respeito do passado do Detetive do Impossível, mais especificamente sua iniciação, juntamente com seu então amigo Sergej Orloff, em disciplinas místicas orientais, instruído pelo mestre Kut Humi, que habita o reino sagrado de Agarthi, que fica além dos limites do mundo.

Nela, o leitor fica sabendo como Martin e Orloff ganharam suas pistolas de raios e como Mystère foi agraciado com o místico “terceiro olho”, símbolo de uma mente aberta aos mistérios do desconhecido. Além disso, é mostrada a dupla de inimigos sendo convocada a procurar o Santo Graal, que havia sido roubado de seu santuário secreto em Agarthi, há mais de 40 anos.

O episódio terminava em aberto, num impasse. Afinal, Mystère e Orloff não tinham a menor idéia de por onde começar. Assim, a busca do Graal ficou para uma aventura futura, quando Castelli achasse que já era hora de fechar a trama.

Qual não foi minha surpresa (e, com certeza, de todos os fãs italianos, na época da publicação original) ao constatar que A Seita dos Assassinos é, de fato, o desfecho de Agarthi! A história em que Martin Mystère encontra o Santo Graal!

Ironicamente, a sugestão de comemorar o 18º número da série da Mythos com a seqüência de Agarthi acabou acontecendo, mesmo que não com o episódio que este escriba imaginava que seria. Foi uma ótima surpresa, sem dúvida, e uma aventura inesquecível, soberbamente escrita e desenhada, cheia de reviravoltas em seus momentos finais (inclusive a repentina aparição de Orloff e de Kut Humi, no momento em que o Graal, inesperadamente, se revela). Um verdadeiro show, com tudo aquilo que Alfredo Castelli sabe oferecer de melhor.

Infelizmente, as boas notícias acabam por aí. Como de hábito, a Mythos não incluiu um único texto ou nota explicativa para situar o leitor nos acontecimentos. Quem não leu Agarthi vai, simplesmente, boiar no final.

Pra piorar, na página 68, quando o terceiro olho de Martin começa a brilhar e Diana menciona a última vez em que isso aconteceu, foi incluída uma nota dizendo que o comentário refere-se a uma “história ainda inédita”. De modo algum! Refere-se à Agarthi, publicado no Brasil, pela Record, em 1991.

Ao menos foi possível compensar o atraso do número anterior, lançando esta edição menos de dez dias depois, como prometido. Pena que essa rapidez acabou resultando numa péssima encadernação (as páginas do miolo dobram e se amassam conforme a revista é folheada), e a capa foi impressa com um corte destinado, aparentemente, a uma edição mais volumosa, pois há uma visível sobra de papel.

De qualquer forma, mesmo que esses deslizes editoriais acabem tornando inevitável uma queda na nota da HQ, ainda assim os fãs podem se sentir à vontade para celebrar. Martin Mystère continua firme e forte em sua série mais duradoura no Brasil, sem dar mostras de que vá acabar tão cedo. Parabéns à Mythos, por acreditar no potencial do personagem, e aos fãs de quadrinhos de alto nível, que são, de fato, os maiores responsáveis pela continuidade das aventuras do bom e velho tio Martin.

Classificação:

4,0

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