MARTIN MYSTÈRE # 29

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2005


Título: MARTIN MYSTÈRE # 29 (Mythos Editora) – Revista mensal

Autores: Alfredo Castelli (roteiro) e Angelo Maria Ricci (desenhos).

Preço: R$ 5,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Dezembro de 2004

Sinopse: Terror no Espaço – Uma equipe de astronautas, supostamente testemunhas de um bizarro fenômeno em órbita da Terra, começa a morrer de formas misteriosas e parece ser alvo de uma conspiração secreta envolvendo os Homens de Negro, o que leva Martin Mystère a suspeitar de que novas revelações sobre Atlântida e Mu estão ao seu alcance.

Positivo/Negativo: Nas edições 23 e 24, a Mythos publicou o episódio A Verdadeira História do Capitão Nemo que, juntamente com Rapa Nui (21 e 22) fecha – ao menos em parte – um longo ciclo de aventuras envolvendo a mítica guerra entre Atlântida e Mu, um tema que forma a espinha dorsal da mitologia das aventuras do Detetive do Impossível.

O problema é que, devido à política da editora de não seguir a ordem de publicação na Itália (o que também foi adotado pela Record quando detinha os direitos da série), várias aventuras que faziam parte do ciclo permaneceram inéditas no Brasil. Histórias que – como a série Arquivo X posteriormente faria – iam pouco a pouco acumulando informações, surpresas e mistérios, montando um quebra-cabeças colossal que, se não foi completado com A Verdadeira História do Capitão Nemo, ao menos chegou a uma forma em que o quadro geral já podia ser evidenciado.

Nem é preciso dizer o quanto essa desordem na publicação prejudicou o prazer da leitura das histórias. Eram muito comuns as citações a episódios anteriores ainda inéditos, e a Mythos raramente colocava as notas apropriadas.

No entanto, como se diz, antes tarde do que nunca: nos últimos meses a editora tem tomado um cuidado maior com a cronologia e, finalmente, vai publicar uma seqüência de histórias que fecha alguns buracos. Terror no Espaço dá início a esse ciclo.

O episódio foi o primeiro a ser pulado ainda na época da editora Record, sabe-se lá por qual razão, e se passa logo após o clássico A Cidade das Sombras Diáfamas (MM # 4, Record) que revela a origem de Java. A trama envolve os Homens de Negro, Atlântida e, por incrível que pareça, a Torre de Babel (confira a continuação no próximo número), todos esses elementos girando em torno de um misterioso acontecimento durante uma viagem num ônibus espacial.

Ainda não é possível analisar muito bem a trama, pois a maior parte da ação ficou para o próximo número, mas pode-se destacar o humor inusitado e uma interessante viagem ao Iraque, com direito à referências à guerra com o Irã, ainda em andamento na época da publicação na Itália.

É curioso (e triste) notar como as críticas à arrogância americana e seus interesses perversos em relação aos conflitos iraquianos continuam mais do que pertinentes hoje, depois das trágicas conseqüências das políticas do governo Bush. Castelli, como de hábito, mostrava-se “antenado” nos acontecimentos históricos e geográficos mundiais.

Os desenhos de Ricci continuam frios e rígidos, mas cumprem bem a função de garantir a verossimilhança ao reproduzir cenários e elementos reais, como o Iraque e os equipamentos da NASA, com eficiência exemplar.

Estranho, entretanto, foi a utilização do recurso de “página inteira” para registrar a queda do helicóptero na página 38. Nunca foi publicada no Brasil nenhuma história de Martin Mystère que utilizasse isso; até mesmo quadrinhos de meia página são raros nas HQs bonellianas. A coisa ficou com cara de “embromação”, infelizmente, já que parecia não haver razão narrativa ou estilística para dar tal destaque ao acidente.

Após o desfecho de Terror no Espaço (publicado originalmente em MM # 19, 20 e 21, na Itália), a Mythos promete lançar Tunguska (MM # 22, 23 e 24 originais) e Viaggio Nel Futuro (MM # 24, 25 e 26 italianos). Com isso, toda a seqüência desde o número 1 até o número 43 da série original terá saído no Brasil, bem como os episódios mais importantes da mitologia de Atlântida e Mu.

Seria apropriado se a editora seguisse essa tendência e começasse a publicar cronologicamente todas as histórias atrasadas até fechar completamente os buracos, para então prosseguir com a série até as edições atuais européias. Sonhar demais talvez? Pelo menos, então, as aventuras escritas por Alfredo Castelli. Afinal, Prosperi já demonstrou que não faria falta mesmo (MM # 11, 15, 25 e 26, da Mythos).

Classificação:

4,0

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