MARTIN MYSTÈRE # 30

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2005

Título: MARTIN MYSTÈRE # 30 (Mythos Editora) – Revista mensal

Autores: Alfredo Castelli (roteiro) e Angelo Maria Ricci (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de Páginas: 96

Data de lançamento: Janeiro de 2005

Sinopse: A Torre de Babel – Conclusão de Terror no Espaço. Martin Mystère, Java e a arqueóloga Mirian Malik prosseguem sua jornada pelo Iraque em busca da solução do mistério das mortes dos astronautas do ônibus espacial, o que os leva a espantosa descoberta da “Torre de Babel”, um artefato tecnológico de mais de dez mil anos de idade.

Positivo/Negativo: Um curioso e bem-humorado desfecho para o episódio Terror no Espaço, não tanto pela descoberta da mítica Torre de Babel ou pelas revelações a respeito da guerra entre Atlântida e Mu perdida nas brumas do tempo (que já não são surpresa pra ninguém, visto que a Mythos – e a Record antes dela – publicaram totalmente fora de ordem os episódios), mas sim pela bem mais sutil caracterização do bom e velho tio Martin.

Aliás, “tio” é um apelido carinhoso que cai como uma luva aqui. Sempre foi uma característica marcante do Detetive do Impossível a sua veemente recusa em “crescer”, assumir uma postura emocional mais adulta, vide seu conturbado relacionamento com Diana.

Mas, neste episódio, essa tendência “aborrecente” está particularmente exacerbada, com Martin continuamente (e, por vezes, de forma irritante) recheando seus diálogos de gracejos, chistes e molecagens, chegando ao cúmulo de aceitar uma proposta suspeita da NASA mediante a garantia de estar a bordo do ônibus espacial no próximo lançamento, admitindo sem embaraços sua vontade de “brincar de astronauta”.

O aparecimento da arqueóloga Mirian Malik terminou de elevar os “hormônios” do professor Mystère a níveis estratosféricos. Depois de convida-la para juntar-se à expedição ao deserto iraquiano, Martin tornou-se, literalmente, o “tio da Sukita”, chegando a um passo do ridículo em vários momentos.

O leitor que acompanhar a trama com um mínimo de atenção constatará, com facilidade, que há bem mais do que um elemento suspeito na arqueóloga. Falando claramente: estava escrito em sua testa que ela era uma traidora, e nem Martin nem Java sequer suspeitaram.

Alfredo Castelli não é um escritor que dá ponto sem nó. Portanto, tal caracterização não é por acaso. Além de fornecer interessantes novas facetas ao protagonista (mesmo que não muito lisonjeiras) provavelmente está projetando suas próprias fraquezas e reflexões na série, coisa que faz com freqüência.

Ao colocar o Detetive do Impossível numa posição claramente desmerecedora, ridiculamente enganado por uma mulher que soube, com mestria, usar o machismo da dupla de protagonistas a seu favor, Castelli corajosamente expõe seu próprio ridículo e a crise de sua meia idade. O fim excessivamente cruel reservado para a vilã denuncia, inclusive, uma certa misoginia, que quase compromete o desfecho da trama.

Apesar disso, é visível um crescimento de Martin após o final, quando, mais reflexivo e cauteloso, acaba abrindo mão da viagem espacial e, com ela, sua brincadeira de menino. Apesar de aparentemente estático como a maioria dos personagens da Bonelli, Mystère de fato evolui a cada uma de suas histórias, aprendendo (juntamente com seu autor) a enfrentar o fantasma do tempo de uma forma equilibrada, mantendo-se “jovem”, mas “maduro” ao mesmo tempo, enquanto continua suas fascinantes investigações dos grandes mistérios da humanidade, como a “Torre de Babel” e os mapas de Piri Reis, presentes neste episódio.

Uma pequena nota: o “mistério” mencionado por Mirian Malik a respeito de um Homem de Negro cuja identidade abalaria a vida de Martin foi revelado numa aventura já publicada no Brasil, pela Record. Trata-se de ninguém menos que o pai do Detetive do Impossível, que filiou-se por acaso à seita sem suspeitar de seu caráter sombrio, julgando-a apenas uma excentricidade de milionários.

Ele só descobriu a verdade tarde demais e acabou assassinado para não revelar seus segredos. O episódio foi publicado no número 5 da série Record, com o título Contatos Imediatos e teve uma seqüência, meses depois, na edição 9: A Volta dos Kundingas.

Por que a Mythos não publica uma simples notinha esclarecendo esse fato para os leitores de primeira viagem? Vai saber… por falta de “toques” é que não é.

 

Classificação:

4,0

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