MARTIN MYSTÈRE # 31

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2005


Título: MARTIN MYSTÈRE # 31 (Mythos
Editora
) – Revista mensal
Autores: Alfredo Castelli (roteiro) e Giampiero Casertano (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Fevereiro de 2005

Sinopse: Tunguska – Martin Mystère, Java e uma equipe de especialistas soviéticos partem para a Sibéria numa expedição com objetivo de desvendar as causas da grande explosão de 1908 em Tunguska, mas uma série de incidentes bizarros e um possível traidor colocam todo o grupo em perigo.

Positivo/Negativo: Um episódio fascinante da saga do Detetive do Impossível, especialmente por ter como ponto de partida um dos acontecimentos mais singulares da chamada “arqueologia misteriosa”.

Até hoje, a gigantesca cratera de Tunguska desafia os cientistas e permanece como testemunho de uma catástrofe insólita. Teria sido realmente uma explosão nuclear numa época em que, supostamente, nenhum artefato assim poderia existir? A queda de um cometa, como defendem alguns? Ou algo ainda mais estranho e inimaginável?

É interessante apontar, inclusive, mais um paralelo com a famosa série de TV Arquivo X, que teve um episódio duplo na quarta temporada sobre esse mesmo enigma. Na ocasião, Chris Carter ligou a explosão de Tunguska com sua mitologia alienígena e ao bizarro óleo negro, criando uma das tramas mais memoráveis do seriado.

Alfredo Castelli, por sua vez, passa ao largo de qualquer hipótese espacial, concentrando sua narrativa em bizarrices mais “terrestres”, como animais e insetos gigantes, paranormalidade e incidentes políticos numa União Soviética ainda envolta nas trevas da Guerra Fria (o episódio é datado de 1984).

O resultado é uma aventura que, se não chega a ser particularmente surpreendente, também está longe de ser apenas mais do mesmo.

Os desenhos inspirados de Giampiero Casertano também ajudam a elevar a nível, levando o leitor a sentir cada etapa da viagem pelas regiões geladas da Sibéria, numa abordagem realista que o prepara para as esquisitices ainda por vir.

Somando isso aos diálogos espirituosos de Castelli, especialmente entre o Detetive do Impossível e seu amigo russo Strokov, e temos uma HQ de leitura bastante agradável, uma primeira parte promissora e capaz de criar expectativa suficiente para o desfecho, no próximo número.

Um destaque pode ser dado para as reflexões do herói nas páginas 81 e 82. Martin refere-se à sua permanência na Índia e ao aprendizado místico decorrente de seu contato com “iniciados”. O comentário serve de preview para futuros episódios, histórias que aqui no Brasil já foram, em parte, publicadas graças à bagunça cronológica promovida pelas editoras nacionais.

O “iniciado” certamente é Kut Humi, que apareceu pela primeira vez num flashback, na segunda aventura da série, A Vingança de Rá (publicada no Brasil nos números 2 e 3 da Globo e no número 1 da Record).

Após os acontecimentos de Tunguska, o sábio mestre reapareceu em Agarth e A Seita dos Assassinos, publicadas respectivamente nos números 13 da Record e 18 e 19 da Mythos, sem contar outras aventuras ainda inéditas no Brasil. O misticismo oriental é um dos aspectos mais fascinantes da série e o diálogo com Nadia ganha conotações interessantíssimas quando visto sob o prisma das histórias citadas acima.

Por falar em detalhes cronológicos, há um curioso mistério na biografia de Martin revista pela KGB no início do episódio: os quadrinhos 2 e 3 da página 5 referem-se a um naufrágio no Triângulo das Bermudas e uma invasão de abelhas venenosas brasileiras (!), fatos ocorridos antes do rompimento com Sergej Orloff e a descoberta de Java na Cidade das Sombras Diáfanas.

Acontece que esses episódios nunca foram citados anteriormente na série, são uma novidade completa na biografia do bom e velho tio Martin e este escriba não tem a menor idéia se há algum episódio posterior que dê mais detalhes a respeito.

Por fim, deve-se parabenizar a Mythos por manter a seção Incríveis Mistérios, um simpático complemento para as temáticas apresentadas nos episódios, mesmo que limitada a textos curtos, devido à escassez de espaço.

 

Classificação:

4,0

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