MARTIN MYSTÈRE # 32

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2005


Título: MARTIN MYSTÈRE # 32 (Mythos
Editora
) – Revista mensal

Autores: Alfredo Castelli (roteiro) e Giampiero Casertano (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Março de 2005

Sinopse: Em Busca da Terra Prometida – Conclusão de Tunguska.
A expedição nas matas geladas da Sibéria alcança regiões nunca antes exploradas
e realiza a fascinante descoberta de uma utopia realizada em pleno século
XVI, destruída pela primeira explosão nuclear da História.

Positivo/Negativo: Uma história interessante, embora envelhecida,
do Detetive do Impossível. Publicada originalmente em 1984, em plena Guerra
Fria, a trama de Alfredo Castelli lança mão da celebrada utopia da sociedade
secreta de iluminados como um paralelo aos acontecimentos políticos entre
a então União Soviética e os Estados Unidos da América.

Hoje, quando as coisas tornaram-se muito mais complexas do que a mera
bipolaridade das superpotências, a história soa um tanto ingênua no seu
alerta moralizante contra a “índole malvada” dos homens. Uma visão por
demais simplista, típica do período, quando a possibilidade de uma hecatombe
nuclear não tinha nada de ficção científica, mas sim uma ameaça real pairando
permanentemente sobre as cabeças de todos; e o fim do mundo parecia uma
simples questão de qual maluco estaria no comando do “botão vermelho”
que colocaria os mísseis no ar.

O tempo e a História provaram que as coisas eram mais complexas do que
isso, vide a queda da União Soviética, o fim do muro de Berlin, a destruição
das Torres Gêmeas. O medo da guerra nuclear foi ofuscado por uma infinidade
de outros medos, muito mais imprevisíveis.

Se por um lado parece mais remota a possibilidade de o mundo acabar amanhã,
por outro a mera permanência de um mundo em que as ideologias caíram por
terra e os sonhos utópicos soam tolos e fúteis parece infinitamente mais
assustadora do que a bomba atômica velha de guerra.

Isso significa que este episódio de Martin Mystère não sobrevive
a uma releitura? Não exatamente, mas deve ser apreciado numa perspectiva
histórica. Feito isso, a diversão é garantida.

Há pontos fracos, como a solução narrativa de revelar a história da sociedade
secreta por meio de uma personagem paranormal, uma saída fácil e pouco
convincente, mas que perde importância diante do fascinante relato de
um povo que desenvolveu o método científico um século antes de Galileu,
levando à criação de uma cidade oculta cientificamente avançada em pleno
século XVII, capaz de produzir tanto aviões e discos voadores quanto artefatos
de destruição em massa.

Por mais fantasioso que pareça, a possibilidade da existência de uma sociedade
assim não é um tema raro na literatura, muito pelo contrário. Diversos
autores, relativamente renomados, já apresentaram hipóteses desse tipo
para explicar diversos acontecimentos misteriosos na história do conhecimento
humano.

Um dos livros mais interessantes e provocativos a abordar o assunto é
O Despertar dos Mágicos – Introdução ao Realismo Fantástico, de
Louis Pauwels e Jacques Bergier (editora Bertrand Brasil), certamente
leitura de cabeceira de Alfredo Castelli. Uma obra que, por vezes, passa
a simpática sensação de ter sido escrita pelo próprio Martin Mystère.

Completando a edição, um breve mas interessante artigo sobre a Accademia
Del Cimento
, na seção Incríveis Mistérios. E o anúncio do próximo
número continua indicando a intenção da Mythos de acertar a cronologia
da série.

Mysteryland é um dos poucos episódios que restam para tapar
os buracos cronológicos. Após sua publicação,
basta a Mythos lançar as longas aventuras Viaggio nel Futuro e
La Morsa Bianca para fechar a seqüência dos números
1 a 63 italianos.

Assim, as pontas soltas das edições brasileiras de Martin
Mystère finalmente estão sendo reatadas e o caminho livre
para avançar aos números mais recentes da série.

Classificação:

4,0

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