MARTIN MYSTÈRE # 33

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2005


Título: MARTIN MYSTÈRE # 33 (Mythos
Editora
) – Revista mensal
Autores: Alfredo Castelli (roteiro) e Enrico “Henry” Bagnoli (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Abril de 2005

Sinopse: O Príncipe das Trevas – Um enorme parque de diversões temático está sendo construído em Nápoles, tendo como base os grandes enigmas da humanidade. Portanto, nada mais natural que chamá-lo de Misteryland e convidar o professor Martin Mystère para supervisionar os estágios finais de sua construção.

Mas o que o Detetive do Impossível não esperava é que esse agradável trabalho seria o ponto de partida para uma trama sombria envolvendo bruxos e mortos-vivos.

Positivo/Negativo: Antes de tudo, faz-se necessária uma errata: no review anterior foi passada a informação (já devidamente corrigida) de que este episódio era escrito por Pier Francesco Prosperi, exatamente como consta no guia de episódios do site oficial italiano de Martin Mystère, mas na verdade o autor do roteiro é Alfredo Castelli.

Começando pelos pontos positivos, os desenhos de Henry continuam fortes e expressivos, reproduzindo belamente inúmeras locações de Nápoles ao mesmo tempo em que desenvolve o suspense necessário para a trama.

As habituais informações históricas e geográficas, típicas de Castelli, revelam-se ainda mais interessantes do que de hábito, especialmente no que se refere aos estranhos esqueletos de metal supostamente abrigados na Capela de Sansevero.

Essa ambientação é mais do que suficiente para criar a atmosfera necessária para a trama, gerando a suspensão de descrença que permite ao leitor acreditar, ainda que brevemente, que o Príncipe Raimundo de Sangre realmente existiu e praticava alquimia para descobrir a fórmula da imortalidade.

Com um pouco mais de boa vontade, é possível até sentir alguns calafrios frente à previsível revelação final sobre os esqueletos metálicos. Basta tentar considerar tudo uma grande homenagem aos clássicos filmes de mortos-vivos de George Romero.

Infelizmente, a partir daí a coisa desanda. Página a página, as situações e personagens tornam-se cada vez mais estereotipados. O pulular de clichês extremamente óbvios vai minando o impacto macabro da história e dando um ar de paródia às situações.

Utilizar, pela enésima vez, a “reviravolta” da garota misteriosa que se revela uma vilã enlouquecida simplesmente não tem mais como funcionar. Ao contrário, acaba dando um ar antiquado para a série como um todo, que parece compactuar com uma misoginia típica dos anos 50 e 60, cujos resquícios ainda teimam em se manifestar.

Resultado: um episódio que entretém, mas nada memorável; uma aventura menor em meio às grandes sagas do Detetive do Impossível. Vale pelas experimentações de Henry nos ângulos e “tomadas” de seus desenhos (curioso notar as semelhanças de algumas passagens do roteiro com O Castelo dos Horrores, MM 12 e 13, também ilustrado pelo artista) e, claro, por ajudar a fechar os buracos na cronologia. A aventura do próximo mês dará um importante passo nesse sentido.

Classificação:

4,0

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