MARTIN MYSTÈRE # 35

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2005


Título: MARTIN MYSTÈRE # 35 (Mythos
Editora
) – Revista mensal
Autores: Alfredo Castelli (roteiro) e Gaetano e Gaspare Cassaro (desenhos).

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Junho de 2005

Sinopse: O Parque da Morte – Continuação de A Fonte da Juventude (embora o episódio não tenha nada a ver com a Fonte da Juventude, como comentado no review anterior ).

Esclarecidos os mistérios referentes ao desaparecimento do impagável professor Vincent Von Hansen, na clássica aventura O Homem Que Descobriu a Europa (MM # 8, # 9 e # 10, Editora Globo), a narrativa de Castelli volta-se para uma descoberta arqueológica inacreditavelmente insólita: o esquema técnico de um gigantesco robô esculpido nas rochas de um templo milenar na Ilha de Min, Japão, um artefato de desconhecida tecnologia cultuado pela tradição local como o Tetsu Wan Dai Ma, o “grande demônio dos braços de ferro”.

Positivo/Negativo: Um ponto de partida realmente inusitado neste episódio é a forma como Castelli desenvolve uma das tramas mais curiosas do Detetive do Impossível, com direito até a fascinantes informações históricas sobre a origem dos mangás e sua ligação com as tradições de narrativas orais do Japão. Narrativas que formam a gênese das populares aventuras de robôs gigantes, monstros e heróis espaciais que povoam os seriados de TV e os quadrinhos nipônicos. Teria essa obsessão por máquinas humanóides alguma origem histórica definida?

Infelizmente, quem acompanha as revistas da Mythos não verá novidades nas surpresas desta história, já que a editora publicou fora de ordem as aventuras em que Castelli, cuidadosamente, desenvolveu a mitologia central da série: a milenar guerra entre Atlântida e Mu, civilizações mais avançadas do que a nossa que se destruíram mutuamente milhares de anos atrás.

Quem leu o episódio A Verdadeira História do Capitão Nemo, publicado nas edições 23 e 24, já sabe que o Japão localiza-se onde outrora existia o reino de Mu, e os robôs gigantes são fruto dessa tecnologia perdida.

Evidente que não adianta chorar sobre o leite derramado. Ao menos, a editora tem se esforçado em acertar a cronologia. Além disso, curtir – ainda que tardiamente – uma aventura deliciosa como esta é suficiente para compensar as velhas falhas.

O episódio contém todos os ingredientes que marcaram as melhores edições da série: diversas referências históricas e geográficas, arqueologia, divulgação científica, viagens aos mais exóticos recantos do planeta, aventura e muito charme. Sem contar os ilustres e raros coadjuvantes: Von Hansen e o caricato, mas deliciosamente estiloso, vilão Sergej Orloff.

Falando nisso, é interessante lembrar que Orloff, apesar de ser assumidamente clichê, sempre foi um vilão interessante e com facetas surpreendentemente sutis em sua personalidade. Após numerosos confrontos com seu ex-amigo Martin Mystère, nos quais os detalhes de seu passado foram sendo revelados pouco a pouco, sofreu uma fascinante guinada que o levou a uma bem-vinda evolução como coadjuvante.

Essa transformação acontece nas aventuras Agarthi (MM # 13, Record), A Seita dos Assassinos (MM #18 e # 19, Mythos) e Roncisvalle (ainda inédita no Brasil), trilogia centrada no reino místico de Agarthi, na qual Mystère e Orloff tiveram sua iniciação nos antigos mistérios e entraram em contato com o lendário Santo Graal.

Uma ótima pedida após o acerto cronológico em andamento seria a Mythos publicar Roncisvalle e fechar mais uma fascinante saga do bom e velho tio Martin.

Uma pequena nota: esta foi a primeira história que a Mythos optou por publicar em três partes. Magia Africana (MM # 16 e # 17), que tem o mesmo número de páginas, saiu em duas edições, graças a um aumento na estrutura da revista.

É uma pena que a editora não publique mais especiais com mais páginas, sempre um belo incentivo para o leitor assíduo. Restam apenas 36 páginas para o fim da aventura, e é frustrante esperar um mês por uma conclusão tão breve, seguida por pouco mais do que um prólogo da aventura seguinte.

 

Classificação:

4,0

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