MARTIN MYSTÈRE # 37

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2005


Título: MARTIN MYSTÈRE # 37 (Mythos
Editora
) – Revista mensal
Autores: Alfredo Castelli (roteiro) e Gaetano e Gaspare Cassaro (desenhos)

Preço: R$ 6,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Agosto de 2005

Sinopse: O Senhor das Tempestades – Continuação de A Morte Branca. Uma descoberta arqueológica durante a Segunda Guerra Mundial leva Martin Mystère e seu inimigo mortal Sergej Orloff a uma busca pelos segredos de uma antiga tecnologia para controlar o clima, um poder que permitiria ao seu portador mudar o rumo das relações internacionais de todo o planeta.

Positivo/Negativo: Interessante aventura. Seu desenvolvimento é tão contrastante com o ritmo que os quadrinhos norte-americanos habituaram o leitor a esperar, que chega a servir de exemplo para ilustrar o tipo de narrativa realista e elegante típica dos fumetti e ainda mais evidentes nos roteiros de Castelli.

A maior parte da trama acontece em flashbacks históricos conforme Martin lê os documentos do lendário viajante islâmico do século XIV, Ibn Battuta, narrando suas viagens pela Grécia e sua descoberta do templo sagrado dos Senhores das Tempestades, na verdade um laboratório tecnológico mais avançado do que nossas modernas centrais meteorológicas.

Em vez de se lançar diretamente à aventura e rechear o roteiro de situações de perigo mais ou menos forçadas, Castelli conduz a trama focado unicamente no caráter arqueológico das situações, acenando para a paixão pela História e pela Arqueologia Misteriosa presente nos leitores.

O caráter de divulgação científica, tão raramente visto nos quadrinhos em geral, ganha enorme importância, envolvendo o leitor tanto nas técnicas da pesquisa histórica quanto, segundo a necessidade do roteiro, num relato claro e fascinante sobre as conseqüências de uma pequena glaciação para o destino do planeta.

É fascinante, inclusive, observar a reação de Martin Mystère ao ser obrigado a entregar a planta do templo a Sergej Orloff em troca da vida de Diana. Num roteiro tipicamente americano, o herói se lançaria num arrojado e incoerente confronto com seu inimigo, encontrando uma solução de última hora para salvar sua namorada e derrubar o adversário ao mesmo tempo.

Mystère, ao contrário, prefere abrir mão da descoberta arqueológica em prol de algo que, para ele, é muito mais importante. Mesmo frustrado por ter sido vencido por Orloff, ele não vê motivos para arriscar sua vida ou as de seus amigos apenas para continuar uma perseguição a um assassino. Afinal, tem uma vida e uma carreira repleta de estímulos para ser cuidada. O inimigo que se divirta com sua ânsia de poder. Afinal, é tudo o que lhe resta.

Um protagonista realmente humano, desconcertante para um leitor acostumado aos clichês super-heroísticos, mas que, abençoadamente, respeita a inteligência de seu público com rara elegância. Essa opção de caracterização praticamente obriga seu autor a encontrar soluções narrativas inusitadas e criativas bem distantes dos lugares-comuns, o que torna a leitura um refrescante e raro prazer em meio a mesmice que mensalmente entope as bancas.

A edição traz um artigo de Júlio Schneider sobre as várias encarnações que o Detetive do Impossível teve no Brasil, comemorando o aniversário de três anos de publicação pela Mythos (completado na edição anterior) e prometendo mais matérias esclarecendo as confusões cronológicas dos últimos anos. Bastante oportuno, considerando-se que esses “buracos” estão prestes a ser tapados.

Com a publicação de A Morte Branca e do episódio anunciado para o próximo número, Fantasmi a Manhattan, a edição da Mythos alcança a história mais adiantada que a editora Record publicou: Agarthi, fechando assim as lacunas dos números 1 ao 67 italianos.

Basta o lançamento de mais uma história, Caccia all’uomo, para que A Verdadeira História do Capitão Nemo (MM # 23 e # 24, Mythos) também seja alcançada, o que leva a série ao # 71 italiano.

Nada mal para uma série que nunca tinha passado de dois anos por aqui, mas que agora, finalmente, parece ter condições de prosseguir por muito mais tempo, até as fases mais adiantadas na Itália, para alegria dos fãs antigos. O bom e velho tio Martin merece essa vitória.

 

Classificação:

4,0

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