MARTIN MYSTÈRE # 41

Por Rodrigo Emanoel Fernandes
Data: 1 dezembro, 2006


Título: MARTIN MYSTÈRE # 41 (Mythos Editora) – Revista mensal
Autores: Pier Francesco Prosperi e Alfredo Castelli (roteiro), Alessandro Chiarolla e Enrico “Henry” Bagnoli (desenhos).

Preço: R$ 7,50

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Dezembro de 2005

Sinopse: Os Senhores do Mundo – Conclusão de Caçada Humana. Uma experiência científica arriscada revela a Martin Mystère a verdade sobre o envolvimento dos Homens de Negro não apenas na deflagração da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, como num plano terrível para conduzir o mundo a um hecatombe nuclear.

Morte no Teatro – Existem enigmas que, de tão prosaicos, desafiam as explicações muito mais do que as pirâmides do Egito ou o Triângulo das Bermudas. Um exemplo disso são as piadas: afinal quem as cria? Quem as divulga? Existe uma origem comum a todas que circulam no globo? Esse mistério, aparentemente tolo, levará o Detetive do Impossível a uma trágica e surpreendente aventura.

Positivo/Negativo: Após todas as celebrações que acompanharam o número anterior – o recorde de 40 edições publicadas e o esperado acerto da cronologia da série – a última coisa que os fãs esperavam era que a Mythos desse um sinal (o primeiro em vários meses) tão grave de que as coisas não iam bem: o substancial aumento de um real no preço da revista. Era a prova de que o risco de cancelamento era grande, o que, infelizmente, se confirmou recentemente.

Segundo a nota explicativa (publicada apenas em Dylan Dog # 37, aparentemente devido a problemas de espaço na presente edição) o motivo do aumento foi, sem delongas, queda nas vendas dos dois títulos. O editor Dorival Vitor Lopes deixa clara a posição da editora, que optou pela majoração para dar conta do crescente prejuízo e, assim, garantir uma sobrevida para os Detetives do Impossível e do Pesadelo, mesmo sabendo que um título mais caro reduziria as chances de seduzir novos leitores. Dito e feito.

Infelizmente, nem a fidelidade dos fãs foi suficiente para evitar o terceiro cancelamento de Martin Mystère em terras brasileiras. Uma grande pena, ainda mais agora que a série começaria uma nova e promissora fase, avançando para os episódios mais recentes publicados na Itália.

Quanto às histórias deste penúltimo número da revista, há o vibrante desfecho de Caçada Humana, na qual o papel dos Homens de Negro no cenário mundial fica mais definido.

Já foram destacados anteriormente os notáveis paralelos entre Martin Mystère e Arquivo X, de Chris Carter, mas aqui vale ressaltar como a misteriosa seita, presente desde o episódio de estréia do Detetive do Impossível, é parecida com o “Sindicato” comandado pelo “Canceroso” no seriado de TV. A única diferença é que os interesses dos Homens de Negro são ainda mais abrangentes. A presença de alienígenas na Terra é apenas um deles.

E nunca é demais lembrar: as histórias de Martin Mystère foram publicadas quase dez anos antes da estréia de Arquivo X. Teria Chris Carter sido leitor das aventuras escritas por Alfredo Castelli?

Mas o grande destaque vai mesmo para Morte no Teatro. Um roteiro ainda mais inusitado do que o recente Fantasmas em Manhattan (MM # 38 e # 39) e um exemplo perfeito de como Castelli sabe mexer com as expectativas e transformar uma idéia insólita num roteiro intrincado e surpreendente, capaz de criar uma curiosidade irresistível para o desfecho no próximo número. Afinal, quem resiste em saber o final de uma piada?

O ponto de partida é tão esdrúxulo que, por si só, acaba sendo mais do que promissor. Quem já não se perguntou de onde vêm as piadas, já que é praticamente impossível encontrar alguém que tenha inventado uma?

Até mesmo um dos maiores arquivos vivos de piadas, o comediante Ary Toledo, confessa nunca ter realmente criado uma anedota, sendo apenas um narrador e catalogador. Será que se alguém, doido o bastante como o personagem Wilbur, se dispusesse a rastrear uma piada, fazendo o percurso contrário de pessoa em pessoa, encontraria uma possível “fonte” dotada de sabe-se lá quais intenções?

A seqüência das páginas 68 a 78, na qual um transfigurado Wilbur recita uma piada capaz de enlouquecer quem a ouve, parece – num primeiro momento – uma idéia tola, mas a narrativa eficiente de Castelli e Henry cria um inusitado suspense, prenunciando um desfecho que, apesar do tema, não terá nada de engraçado. Muito pelo contrário, e é nessa inversão de expectativas que reside a força do roteiro: potencialmente, qualquer coisa pode acontecer!

Com certeza, o bom e velho tio Martin ainda tem muito a oferecer, como os fãs antigos sabem melhor que ninguém, e há várias histórias inéditas, tanto da série mensal italiana quanto das especiais Martin Mystère Speciale, Almanacco del Mistero, Martin Mystère Albo Gigante e por aí vai. Enigmas para desvendar são inesgotáveis, mas agora ficarão mais longe dos leitores brasileiros.

 

Classificação:

4,0

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