MARVEL KNIGHTS – HOMEM-ARANHA – CAÍDO ENTRE OS MORTOS

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2008


Autores: Mark Millar (roteiro), Terry Dodson (desenhos dos capítulos 1 a 4, 6, 7 e 9 a 14), Frank Cho (desenhos dos capítulos 5 e 8) e Rachel Dodson (arte-final dos capítulos 1 a 4, 6, 7 e 9 a 14).

Preço: R$ 34,90

Número de páginas: 288

Data de lançamento: Dezembro de 2007

Sinopse: Logo depois de prender o Duende Verde, o Homem-Aranha, bastante machucado, tira seu uniforme e, como Peter Parker, ajuda na mudança de sua tia May para um novo lar em Manhattan, perto de onde ele mora com sua esposa Mary Jane.

Depois, enquanto dá aulas para seus alunos, é avisado de que o túmulo de seu tio Ben foi destruído e, em seguida, recebe um misterioso telefonema informando que a tia May foi seqüestrada.

Enquanto tenta obter pistas do paradeiro da mulher que o criou, o Homem-Aranha enfrenta diversos perigos e, desesperado, acaba até se aliando a antigos inimigos na tentativa de salvar a vida dela.

Positivo/Negativo: Mark Millar está em alta dentre os leitores brasileiros por causa, especialmente, da minissérie Guerra Civil e dos dois primeiros arcos de Os Supremos. Aproveitando essa maré alta, a Panini acerta em cheio ao lançar esta edição que compila os 12 primeiros números de Marvel Knights – Homem-Aranha, já publicados na revista de linha do Escalador de Paredes em 2005 e 2006. O único senão é não avisar ao leitor que o álbum não traz material inédito no Brasil.

A história está longe dos trabalhos mais empolgantes de Millar, mas ainda assim fica acima da média das bobagens que os roteiristas têm feito com o Aranha nos últimos anos.

A trama tem alguns buracos, como o desespero exagerado do herói com a situação e a insegurança que demonstra em alguns momentos cruciais (afinal, ele já passou por encrencas semelhantes muitas outras vezes) ou a “ética” que alguns vilões demonstram não revelando ao mundo quem é Peter Parker. Além disso, há passagens em que o Aranha é tão envolvido em outros problemas que praticamente esquece que sua tia está desaparecida.

Mesmo assim, no final, quando o Aranha parece “despertar” do torpor que tomava seus pensamentos, Millar amarra tudo com competência e, antes de fazer isso, recheia as páginas de ação e pancadaria, o que sempre entretém o leitor. Até o troca-troca de hospedeiro de Venom não soa tão forçado na trama.

Também vale citar que neste trabalho, publicado em 2004, Millar menciona diversas vezes o desejo do Aranha de revelar ao mundo sua identidade secreta, algo que o escritor concretizaria em Guerra Civil, pouco depois.

Nos desenhos, Dodson mostra um traço competente, com narrativa e enquadramentos bacanas – destaque para o trabalho nas expressões faciais. No entanto, a tia May feita por ele parece ter 40 e poucos anos, e não mais de 70.

Os dois capítulos desenhados por Frank Cho se destacam especialmente pelas curvilíneas Mary Jane e Gata Negra, mas sua narrativa não imprime a velocidade requerida em certas cenas de ação. Além disso, como é costumeiro em suas obras, ele se auto-homenageia ao colocar uma pessoa com a uma camiseta escrito Liberty Meadows, sua divertida série de tiras que saiu no Brasil em 2007 pela HQM Editora.

O trabalho de edição da Panini é caprichado – um dos únicos equívocos é o herói chamar de pequinês um cão que parece um Dachshund. Contudo, vale notar como a Marvel ludibria seus leitores nas capas (todas as originais estão reproduzidas nesta compilação) em que o Aranha contracena com Vingadores e X-Men. Em ambas, aparecem personagens que nem sequer dão as caras nas aventuras. Mas lá estão, com o claro intuito de aumentar as vendas.

Classificação:

4,0

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