MARVEL MAX #6

Por Luciano Guerson André
Data: 21 maio, 2004


Título: MARVEL MAX # 6 (Panini Comics) – Revista mensal

Autores: Poder Supremo – J. M. Straczynski (roteiro) e Gary Frank (desenhos);

Alias – Brian Michael Bendis (roteiro) e Michael Gaydos (desenhos);

Mestre do Kung Fu – Doug Moench (roteiro) e Paul Gulacy (desenhos).

Preço: R$ 4,50

Número de páginas: 72

Data de lançamento: Fevereiro de 2004

Sinopse: Uma espaçonave alienígena cai na terra. Seu único passageiro é um bebê, logo encontrado por um casal de fazendeiros. Com o passar dos anos a criança desenvolverá habilidades muito além de qualquer ser humano. As semelhanças com a origem de um certo Homem de Aço param por aí, pois o ser em questão será criado sob supervisão direta do governo americano para se tornar sua arma mais mortal. É o início de Poder Supremo.

Em Alias, depois dos problemas pelos quais passou, a detetive Jessica Jones volta à sua rotina normal e se vê as voltas com uma investigação de adultério pela internet. Ela também descobrirá que, contra todas as probabilidades, suas atividades como super-heroína no passado lhe renderam…um fã?! Uma nova cliente também precisa de seus serviços para encontrar seu marido desaparecido. E este, é claro, é uma figura bastante conhecida dos leitores. Participação especial de Carol Danvers, a Warbird.

Shang Chi, o Mestre do Kung Fu, finalmente reencontra Leiko Wu e, de quebra, desvenda a identidade secreta do misterioso “Fantasma”. Agora, ele e sua ex-namorada terão que enfrentar desde assassinos treinados a mutantes enlouquecidos para escapar e impedir a destruição do mundo como conhecemos. Em outra frente, Clive Reston e Black Jack Tarr se preparam para seguir os bandidos até o esconderijo da arma do apocalipse. Não estarão sozinhos nesta empreitada: o Comandante Spetz e sua equipe Ômega de operativos Hi-Tech do MI-6 estão em seus calcanhares e não pretendem dividir a presa.

Positivo/Negativo: Nesta edição, acontece a estréia de uma nova série mensal que comporá o mix regular de Marvel Max. E trata-se de uma obra de peso: Poder Supremo é a revista de maior vendagem do selo Max nos Estados Unidos. Esse sucesso não é à toa. O roteirista Straczynski, que vem fazendo um trabalho muito bom nas aventuras do Homem-Aranha resolveu recontar a história do Esquadrão Supremo, uma obscura superequipe criada nos anos 80 para enfrentar os Vingadores, cujos membros são versões disfarçadas dos heróis da Liga da Justiça, da concorrente DC Comics.

Com esta “origem”, podia-se temer uma mera reciclagem de idéias alheias. Entretanto, como convém ao selo, a nova abordagem é bem diferente, muito mais radical, sombria e realista do que nas tradicionais histórias de super-heróis. O foco da série não está no combate entre superseres, e sim no impacto que a mera existência destes provocaria sobre a humanidade.

Desta forma, Poder Supremo está estilisticamente muito mais próximo de Watchmen do que da Liga da Justiça. Nesta edição, a trama se concentra em Hipérion, a contraparte Marvel do Superman. É mostrado seu crescimento em um ambiente controlado, onde até mesmo seus pais adotivos são agentes do governo americano. Fica claro que a manipulação ideológica intensiva visa transformá-lo numa arma estratégica a serviço de Washington.

Acima de tudo, é uma aventura muita bem narrada, que cumpre com eficiência a tarefa de apresentar a premissa da série e, certamente, deixará o leitor ansioso pelo seu desenrolar. Destaque para o ótimo trabalho artístico de Gary Frank, cujo traço realista combinou muito bem com a trama. A edição brasileira conta ainda com uma detalhada e providencial matéria do editor Fernando Lopes, que explica as diversas referências históricas e culturais que aparecem na trama.

Em Alias, o roteirista Brian Michael Bendis brinda os leitores com mais uma história impagável da detetive Jessica Jones. Como é comum na série, situações aparentemente banais são valorizadas pelos diálogos afiados e inteligentes que caracterizam o autor.

Assim, um almoço com uma amiga rende revelações sobre as preferências sexuais do herói Luke Cage ou um bate-papo virtual em uma sala de chat gay dá ensejo a reflexões sobre relacionamentos amorosos. O ritmo lembra o de um sitcom americano, no qual a ação fica em segundo plano em relação ao texto. Justamente por tais características, não é um título que agrada a todos os leitores, mas para os que gostam de um estilo mais reflexivo é diversão garantida.

O ponto baixo da revista fica por conta do Mestre do Kung FU. Suas aventuras dos anos 70, também criadas pela dupla Moench e Gulacy, estão incluídas entre as melhores coisas que a Marvel publicou no período. Inspiradas nos filmes de espionagem ao estilo James Bond e, principalmente, nas fitas de artes marciais de Bruce Lee, apresentavam uma mistura perfeita de intriga, pancadaria e filosofia zen. A expectativa pela volta dos autores ao personagem que os consagrou era grande e, infelizmente, provou-se exagerada. O Apocalipse Infernal, minissérie em seis partes chega ao seu terceiro capítulo sem mostrar a que veio.

A arte de Gulacy não é brilhante, mas também não compromete. O maior problema é o texto de Moench, que parece ter parado no tempo. A trama desfia um clichê após o outro, desde a ameaça do cientista louco até a mais que previsível identidade do vilão, passando pelo manjado triângulo amoroso, não há nada que não tenha sido visto antes.

Para piorar, os diálogos forçados prejudicam bastante o ritmo da trama. No máximo funciona como aventura despretensiosa, equivalente a um filme de aventura barato. É de se questionar por que a série saiu pelo selo Max, pois, até agora, com a exceção de alguns palavrões, não apresentou nada de diferente das revistas Marvel comuns.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.