Marvels

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 10 abril, 2015

MarvelsEditora: Marvel Comics – Edição especial

Autores: Kurt Busiek (texto) e Alex Ross (arte).

Preço: US$ 24,99

Número de páginas: 248

Data de lançamento: Janeiro de 2010

Sinopse

Os grandes momentos da história do Universo Marvel vistos sob o ponto de vista do fotógrafo Phil Sheldon.

Positivo/Negativo

Marvels foi publicada originalmente em 1994, lançando ao estrelato os criadores Kurt Busiek e Alex Ross. A minissérie em quatro edições conquistou público e crítica ao retratar os grandes eventos da trajetória do Universo Marvel do ponto de vista de um simples mortal, o fotógrafo Phil Sheldon, com texto impactante e pinturas hiper-realistas.

Numa época em que se destacavam anti-heróis rancorosos e sagas bombásticas que não diziam nada, o roteiro inteligente de Busiek resgatou a grandiosidade perdida do gênero, com muita humanidade e sentimentos que pareciam esquecidos.

Dos primórdios da Era de Ouro até a tragédia de Gwen Stacy, as imagens pungentes de Ross imprimem verossimilhança e investem na carga dramática de acontecimentos muitas vezes familiares – mas que surgem inéditos e provocativos.

Tudo parece maior que a vida, sem restrições ou limites editoriais. A história é praticamente uma experiência sensorial e, para tanto, contribuem igualmente as palavras de Busiek e as ilustrações de Alex Ross.

O texto prima por revelar o impacto do surgimento das “maravilhas” num mundo crível, como os superseres afetam a vida de pessoas comuns, para o bem e para o mal, de forma contundente ou trágica.

Começa de forma singela, nos tempos da Segunda Grande Guerra, com homens idealistas e uma criatura sintética que ardia em chamas. Logo viria destruição em larga escala, e o destino de todo o universo nas mãos de indivíduos fantasiados.

Os super-heróis são vistos como forças da natureza, incontroláveis, implacáveis e tendendo ao infinito. O valente Phil Sheldon, narrador e elo de identificação com o leitor, só faz se maravilhar com sua presença, até ela cobrar um alto preço.

Em paralelo, sua saga pessoal envolvendo casamento e a criação de duas filhas também é afetada diretamente pelos superpoderosos do pedaço. As cenas envolvendo a questão mutante são perfeitas nesse contexto, justamente por significar a perda da inocência.

E “perda da inocência” parece definir muito bem o apelo da série, já que a beleza dos super-heróis é sempre acompanhada por triunfo e tragédias. Busiek é um estudioso dos quadrinhos do gênero, conhece a fundo a cronologia da “Casa das Ideias” e não hesita em evidenciar o papel que poderes ilimitados desempenham no mundo. Para cada espetáculo de luzes e cores, um drama de consequências indeléveis.

Conforme amadureceram as histórias desses campeões ao passar dos anos, também aumentou o nível de cobrança da realidade sobre a fantasia. Num mundo imaginário, pessoas comuns não escapam incólumes.

O pintor Alex Ross, trabalhando com modelos fantasiados, conseguiu dar vida a figuras e situações majestosas, numa verdadeira revolução gráfica. O leitor se sente como andando na rua e cruzando com os Vingadores ou o Quarteto Fantástico.

Se hoje o estilo já se tornou comum, na época do lançamento de Marvels era a chave para desbravar o paraíso.

A obra marcou uma virada nas abordagens sobre super-heróis das duas grandes editoras de quadrinhos dos Estados Unidos, valorizando o elemento nostálgico e icônico dos personagens em detrimento da corrupção moral e dos eventos caça-níqueis.

Na sua cola, vieram grandes trabalhos de nomes como Mark Waid e James Robinson, permanecendo a arte de Alex Ross como estandarte máximo da tendência. Ele, inclusive, ilustra as capas da incomparável Astro City, criação de Busiek que mantém muitas das qualidades de Marvels.

Esta edição comemorativa, de 2010, é uma opção perfeita para se conhecer ou revisitar esta obra-prima, com um conto inédito, a proposta original do roteirista e esboços de Ross.

Não é todo dia que se pode acompanhar um clássico eterno. Marvels permanece relevante e desafiadora após todos esses anos, independentemente de continuações menores ou reinterpretações equivocadas.

Para todos os amantes da nona arte e apreciadores de uma boa história que desejam sair da rotina e ter suas convicções viradas do avesso.

Classificação

5,0

• Outros artigos escritos por

.