Matei meu pai e foi estranho

Por Gustavo Nogueira
Data: 29 março, 2018

Matei meu pai e foi estranhoEditora: Jupati Books (Marsupial) – Edição Especial

Autor: André Diniz (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 35,00

Número de páginas: 120

Data de lançamento: Dezembro de 2017

Sinopse

Zaqueu começa com Z, a última letra do alfabeto. Deslocado por natureza e vocação, ele nasceu albino, de cabelos e pele mais que brancos, em meio a uma família de gente morena.

Também nasceu artista, embora a sua família nem imagine o que seja isso.

Positivo/Negativo

André Diniz é um autor de fácil reconhecimento, pois seu traço é um dos mais singulares do quadrinho nacional. Nesta obra, seus desenhos se combinam com a trama em uma “perfeição imperfeita”. Em poucas páginas, percebe-se que somente ele poderia fazer esta HQ.

Zaqueu se sente um estrangeiro em um lugar estranho, buscando seu lugar e observando o mundo, as pessoas. O quadrinhista se foca apenas em seu protagonista, e todos os personagens são apresentados pela visão de Zaqueu. E colocá-lo como narrador da história foi uma das melhores escolhas do autor.

A criação de Diniz chama a atenção pelo personagem que causa curiosidade no leitor, até mesmo sobre até onde ele irá com seus conflitos, que em momentos são internos, e em outros são externos, chegando a se misturar no ápice da trama.

Matei meu pai e foi estranho se torna uma grande história ao mostrar a força da palavra, e como ela pode agir com os personagens da trama. Zaqueu é quem mais entende isso e repete as frases recebidas como um treino para entender seus significados e lhe darem mais significados.

A condução do enredo é feita de forma linear e cercada de diversos momentos do dia a dia. Alguns são interessantes, mas algumas subtramas são um pouco arrastadas e acrescentam pouco ao personagem.

O mundo estranho de Zaqueu é retratado pelo traço enguloso de Diniz, aquele estilo quadrado e levemente tracejado consegue trazer o jea citado ar do mundo de “perfeição imperfeita”. O mérito de André Diniz é criar tramas que parecem feitas à feição para o seu desenho. Matei meu pai só comprova isso.

A edição, em formato 17 x 24 cm, tem capa cartonada com verniz total e orelhas, papel off-set de boa gramatura e impressão. Destaque para a bela capa, que chama bastante a atenção pelo traço e atiça a curiosidade do leitor.

Matei meu pai e foi estranho tem profundidade e traz uma leitura estranha, sobre um garoto estranho. E, em meio a tanta estranheza, não estranhe se você se sentir conectado a ele, e tudo parecer normal.

Classificacão

3,5

.

Compre esta edição aqui!

• Outros artigos escritos por

.

.

.