Maxwell – O Gato Mágico

Por Samir Naliato
Data: 22 maio, 2020

Maxwell – O Gato MágicoEditora: Pipoca & Nanquim – Edição especial

Autor: Alan Moore (sob o pseudônimo de Jill de Ray).

Preço: R$ 59,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Março de 2020

Sinopse

Um misterioso gato cai do espaço passando por estações orbitais, aviões e prédios até chegar ao quintal do garotinho Norman Nesbitt.

Não há nada de normal nesse felino, e ele até fala! É o início das desventuras deste sarcástico gato e seus personagens coadjuvantes, incluindo ratos, cobras, panteras, latas de ração e mais.

Positivo/Negativo

Maxwell – O Gato Mágico é um dos primeiros trabalhos profissionais de Alan Moore. Eram tiras semanais publicadas no jornal Northants Post, de sua cidade natal Northampton, na Inglaterra, e saiu de agosto de 1979 a outubro de 1986.

No final da época de 1970, aos 26 anos, Moore tentava ganhar a vida com aquilo que realmente amava, os quadrinhos, após se demitir do emprego em uma subsidiária de gás.

Por sugestão do jornal, deveria ser uma tira infantil, e o autor decide adotar um pseudônimo feminino: Jill de Ray. A inspiração veio de Gilles de Rais, um francês do Século 15 condenado e executado pelo assassinato de 140 crianças.

O que se lê aqui é um Alan Moore principiante, testando terreno e explorando possibilidades. Logo ficou claro que uma tira infantil não era o campo dele, e o autor começou a explorar outras possibilidades. Assuntos mais sérios e doses de humor ácido passam a aparecer.

Além disso, o leitor tem a rara oportunidade de ver um trabalho em que Moore, hoje um aclamado escritor, cuida também da arte. É curioso ver a diferença de estilos da primeira tira (com um traço bem underground e a única que foge da narrativa padrão de cinco quadros) para as demais.

A edição traz ainda algumas artes feitas por ele para outras publicações. E são boas.

Com o passar dos anos, o autor se envolveu em outros projetos. Começou a fazer histórias para a 2000AD e, apenas três anos após Maxwell, em 1982, escreveu as primeiras edições de V de Vingança. Depois, foi contratado pela DC Comics para fazer Monstro do Pântano.

Com essa bagagem e seu amadurecimento como escritor, é perceptível a mudança de foco da tira. Moore usa brincadeiras narrativas e metalinguagem. Críticas sociais e políticas ganham força do meio para o final.

As tiras passam a abordar, sempre com algum sarcasmo, episódios como greve de trabalhadores, crises de desemprego, polêmicas do governo da primeira-ministra da Grã-Bretanha, Margaret Thatcher (que durou toda a década de 1980), e até o acidente nuclear da usina de Chernobyl, na antiga União Soviética.

Muitas das tiras fazem menção a acontecimentos da Inglaterra daquele período, e perdem força sendo lidas hoje por quem não vivenciou os assuntos abordados. Por isso, várias precisam de contexto. E isso foi feito. Notas editoriais fazem a ponte necessária.

Parece ficar claro que o formato de tiras não era o meio ideal para Alan Moore expor as ideias que queria transmitir, e acabaria por encontrar esse caminho em obras de mais fôlego.

Mawxell não é nenhum um primor, ainda mais se comparadas ao potencial do autor em projetos que hoje são referências inquestionáveis. Alguns bons momentos, mas de maneira geral, as tiras são medianas.

Ainda assim, curiosamente, foi um dos trabalhos mais longevos de Moore. Saiu ininterruptamente até 1986 (mesmo ano do lançamento de Watchmen), quando ele decidiu parar por discordar das posições do jornal, que publicou um editorial homofóbico contra os direitos dos homossexuais.

A edição da Pipoca & Nanquim traz ótimos extras, e é cheia de curiosidades interessantes. Uma delas é a última tira do personagem, que saiu em 2016, quando Moore revisitou sua criação 30 anos depois.

Em um texto do próprio escritor, ele faz uma autoanálise sobre Maxwell – O Gato Mágico, e admite não gostar muito do resultado.

É um trabalho editorial caprichado, resgata uma tira perdida e faz desta edição a mais completa do mundo sobre a série do infame felino.

A capa, toda preta, apresenta o personagem e outros detalhes em dourado. Há ainda uma sobrecapa. Na quarta capa, contudo, a arte do gato saiu um pouco pixelada.

Enfim, Maxwell – O Gato Mágico vale pelo resgate histórico para deixar a bibliografia de um dos maiores autores dos quadrinhos disponível para os fãs.

Classificação:

4,0

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• Outros artigos escritos por

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  • morbid

    Sem ter lido já vi que não é nada de mais, apesar de ser feita pelo mestre.
    Acho que vale mais para quem coleciona tudo do moore. Eu só compro o que me chama a atenção dele.
    Mas pipoca e nanquim sempre caprichando nas edições