Melina

Por Gustavo Nogueira
Data: 9 julho, 2018

MelinaEditora: Independente – Edição especial

Autores: Rafael Torres (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 20,00

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Maio de 2018

Sinopse

Melina é uma jovem fotógrafa que acaba de se mudar para um novo apartamento com Giovanni, seu namorado. E isso pode ter desencadeado uma perseguição do seu próprio subconsciente, revelando traumas que sofreu na infância, sob a guarda de uma mãe narcisista.

Positivo/Negativo

Ler obras de autores iniciantes tem um gosto diferente. É pisar em um terreno ainda desconhecido, e estar aberto ao novo. Os conflitos internos existem, mas não chegam nem perto do tamanho dos desafios de Melina, protagonista do jovem quadrinhista Rafael Torres.

Rafael é formado pelo FIQ Jovem, e participou do catálogo desse projeto de formação de autores com a história Gaiola. Melina é sua estreia solo.

O nome Melina vem do mel. E, apesar de a HQ também ser doce como o produto das abelhas, também possui o amargo no fundo, que é quando o leitor conhece as dores e angústias da personagem.

No âmago da protagonista, há traumas e a trama gira toda em torno disso, o desafio dela de fugir de seus pesadelos.

A obra é cercada de muita emoção e simbologias, como a chuva e o sol, utilizados diversas vezes ao decorrer do drama. Tudo é bem orquestrado por Rafael, que produz uma arte de encher os olhos.

O roteiro é simples, mas fechadinho. Começa muito bem, porém perde fôlego principalmente em seu clímax. O foco no desenvolvimento da trama e o conflito final curto prejudicam o ápice, que talvez sugerisse algo mais profundo.

Na arte, destaque para as cores, que trazem o clima de tristeza e melancolia no tom correto. Os cenários trabalham em conjunto neste intuito, apresentando grandes cenas e o sentimento pungente de solidão de Melina. Outro acerto foi o uso de três quadros horizontais apenas na maioria das páginas.

No começo da obra, Rafael utiliza as onomatopeias de forma muito rica, mas depois deixa o recurso de lado. Há ainda uma ou outra feição mais estranha aos olhos, mas nada que tire o brilho da arte.

A edição tem capa cartonada e papel couché, com boa impressão, o que ressalta a arte. Há apenas um erro de revisão e bons extras referentes ao processo de produção.

Melina é uma bela e consistente obra, e seu maior mérito é colocar Rafael Torres no radar dos artistas a serem acompanhados.

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