MESMO DELIVERY

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2008


Autor: Rafael Grampá (texto e arte).

Preço: R$ 39,90

Número de páginas: 56

Data de lançamento: Setembro de 2008

Sinopse: O ex-boxeador Rufo, um brutamontes, é contratado pela
companhia Mesmo Delivery para levar um caminhão a um determinado lugar.
Com duas condições: que o contêiner não fosse aberto de jeito nenhum e
que ele viajasse na companhia de Sangrecco, um fã de Elvis Presley considerado
o braço direito do chefe.

No meio do caminho, durante uma parada para esvaziar a bexiga, Rufo se
envolve numa tremenda pancadaria num bar fuleiro. É então que os serviços
da Mesmo Delivery são revelados… mas só para o leitor.

Positivo/Negativo: No prefácio deste álbum, Lourenço Mutarelli
escreveu que este nem parece um trabalho de estréia. E está correto. Mesmo
Delivery
, que foi lançado antes nos Estados Unidos, pela AdHouse
Books
, chega ao Brasil apresentando ao grande público um autor que
será muito falado daqui pra frente.

Rafael Grampá já trabalhou com animação, fez o cartaz do teaser
do filme O Dobro de Cinco (no qual será production designer,
responsável pelo visual e o clima, desde cenário, maquiagem, figurino,
cor etc.), baseado na obra
de Mutarelli
, e está desenhando Hellblazer para a Vertigo,
com um roteiro que Brian Azzarello fez especialmente para o artista.

E a Desiderata foi hábil ao lançar o álbum logo após Grampá ter
ganhado
o Eisner Award (na categoria Melhor Antologia, com a revista
independente 5,
em parceria com os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon) – a edição traz um
selo colado sobre a capa anunciando a premiação.

O que mais chama a atenção em Mesmo Delivery é, sem dúvida, o desenho.
Grampá é minucioso na construção de cada página. Ao fim da leitura (que
é extremamente rápida, devido ao ritmo da história), vale a pena voltar
e olhar com calma cada prancha.

Mas não espere um desenho realista. O autor se mostra diferente por apresentar
um estilo todo seu, que usa expressões dignas de desenhos animados e faz
as onomatopéias participarem da arte com bastante naturalidade.

No entanto, é a narrativa o ponto alto da arte. Grampá é mais do que cinematográfico,
pois além de mover a “câmera” que mostra a história para tomadas das mais
variadas, acha ângulos quase inimagináveis, como o do último quadro da
página 36, em que uma cena de degolação é vista de dentro da boca da vítima.
Genial.

O roteiro, que teve como inspiração seriados de TV que Grampá via quando
criança, como Além da Imaginação, é muito bem amarrado. Quase até
o final, o leitor pensa que a HQ é pura e simplesmente pancadaria e sangue
jorrando. Mas quando flashbacks começam a entremear as cenas de
massacre, o autor consegue seu objetivo: surpreender o leitor.

O trabalho editorial da Desiderata é competente, mas pecou num
detalhe crucial: a capa (também usada na AdHouse Books) entrega
a surpresa que a história tanto demora para revelar.

Mesmo Delivery é um dos melhores lançamentos de quadrinhos deste
ano. Principalmente porque – aproveitando o nome do álbum -, com certeza,
está longe de ser mais do mesmo.

Classificação:

4,0

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