Metropolis

Por Guilherme Kroll Domingues
Data: 19 dezembro, 2008
MATERIAL IMPORTADO

 

MetropolisEditora: Dark Horse – Edição especial

Autor: Osamu Tezuka (roteiro e desenhos).

Preço: US$ 13,95

Número de páginas: 160

Data de lançamento: Abril de 2003

Sinopse

Em um futuro não tão distante, uma criança andróide tem de conviver num mundo onde os robôs são escravizados pelos humanos, que, por sua vez, têm muito para se preocupar uns com os outros.

Positivo/Negativo

Osamu Tezuka é considerado o “pai do mangá”. Antes dele houve outros autores, mas Tezuka lançou as bases do que nortearia a estética dos quadrinhos japoneses.

A influência dele é visível até hoje. Tezuka foi um autor prolífico, que transitou por vários gêneros e estilos, fazendo quadrinhos voltados tanto para os públicos jovem feminino (A princesa e o cavaleiro), jovem masculino (Astro Boy), adulto (Adolf) e até mesmo religioso (Buda).

Com todo esse repertório, e sempre com bastante qualidade, é natural que a cultura “quadrinhística” japonesa beba fartamente nessa fonte.

No entanto, sua presença não se estendeu apenas aos impressos. Fascinado pelos desenhos animados de Walt Disney, Tezuka fundou, em 1963, seu próprio estúdio, o Tezuka Productions. Nascia então a tradição japonesa de animações, tanto em longas-metragens quanto em séries televisivas.

Uma curiosidade: um dos primeiros trabalhos animados do estúdio foi a adaptação do mangáKimba, o Rei Leão. Décadas depois, a Disney faria seu Rei Leão, considerado um plágio descarado do primeiro.

Um dos assuntos que mais fascinavam Tezuka era a ficção científica, precisamente histórias de robôs com sentimentos. Tanto que Astro Boy é, até hoje, um dos seus trabalhos mais conhecidos.

Dentro dessa linha, em 1949, ele fez a edição fechada Metropolis, HQ inspirada no famoso filme homônimo do cineasta do expressionismo alemão Fritz Lang.

Em 2001, Katsuhiro Otomo, autor de Akira, levou ao cinema uma adaptação do filme, numa maravilhosa película. Isso fez editoras e leitores procurarem novamente o mangá, redescobrindo-o.

A edição analisada nesta resenha veio depois do filme. É a da norte-americana Dark Horse, publicada em 2003.

Trata-se de um belo, mas modesto, livro. É uma edição em brochura, com um papel de qualidade que simula os papéis das edições japonesas. Infelizmente, a leitura foi invertida para o sentido ocidental, fazendo com que as páginas ficassem “espelhadas”.

A editora se preocupou com palavras introdutórias e conclusivas, situando o leitor no contexto da obra. O texto inicial dá um aviso necessário sobre o fato de que algumas etnias podem se sentir ridicularizadas em certos momentos do livro. Explica, entretanto, que era uma postura da época em que o mangá foi produzido, 1949.

Como foi decisão da empresa apresentar o trabalho como o original, não há nenhum tipo de censura e cabe ao leitor ter o bom senso para entender a HQ. No final, há um texto do próprio Tezuka sobre mangás e outro sobre a vida do autor.

Metropolis narra a vida do andróide Michi, um super-robô desenvolvido para colocar a organização Red Party no poder de Metropolis. Mas o cientista que o desenvolveu não quer isso para sua cria, e o esconde.

Quando o Red Party descobre, seus membros acabam com o cientista. Entretanto, antes disso, Michi escapar para o mundo.

O robô é descoberto, então, pelo detetive Mustachio e seu sobrinho, que passam a cuidar dele. Mustachio conhece o cientista pouco antes de ele morrer; assim fica sabendo das condições de Michi.

O mangá pode ser dividido em duas partes: na primeira, Michi fica fugindo do Red Party; e a segunda, mais parecida com o filme de Fritz Lang, em que o robô lidera uma revolução de máquinas contra a sociedade humana.

Metropolis tem uma narrativa simples, porém cativante. Sem muitos malabarismos ou “pirotecnia”, Tezuka prende a atenção do leitor, se preocupando apenas em contar uma boa história.

Interessante notar as influências ocidentais no trabalho do autor. Além da óbvia de Fritz Lang, há referências claras a ícones como Sherlock Holmes, que aparece pessoalmente na história, e Mickey Mouse, que também dá as caras. Por sinal, o trabalho de Disney é uma grande presença no de Tezuka. Desde os olhos grandes para acentuar a expressividade dos personagens até o humor pastelão.

Falando em humor, um dos recursos mais usados por Osamu Tezuka o coloca próximo do brasileiro Mauricio de Sousa. Ambos foram muito amigos e há até uma história de que o mestre japonês teria fugido do hospital em seus últimos dias de vida para recepcionar o pai da Turma da Mônica numa visita a Tóquio.

Muitos são os paralelos entre as HQs de Tezuka e Mauricio, mas em Metropolis um especialmente se sobressai: a metalinguagem. No mangá, é normal personagens conversarem com os leitores e interagirem com os requadros. O resultado é sempre divertido.

Pena que, até hoje, nenhuma editora brasileira se interessou em lançar esse grande mangá por aqui.

Classificação

4,5

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