Midnight Nation – O povo da meia-noite

Por Rodrigo Scama
Data: 13 março, 2015

Editora: Midnight Nation – O povo da meia-noiteMythos – Edição especial

Autores: J. Michael Straczynski (roteiro) e Gary Frank (arte) – Publicado originalmente em Midnight Nation # 1 a # 12 (2000).

Preço: R$ 69,90

Número de páginas: 320

Data de lançamento: Março de 2013

Sinopse

O detetive David Grey investiga um caso aparentemente banal, mas se depara com um tipo muito estranho de assassinos. A partir daí, ele vai parar no Plano Intermediário, ou seja, o lugar para onde as coisas vão ao serem esquecidas. E, para não perder sua alma, é obrigado a fazer uma longa viagem.

Positivo/Negativo

Muito antes da grande bobagem conhecida como Um dia a mais, J. Michael Straczynski era um bom escritor. Ele já havia feito séries para televisão – notadamente Babylon 5 – e transitava bem entre os meios da cultura pop.

Mas seu melhor trabalho é Midnight Nation, que a Mythos lançou encadernado. A história, que nos Estados Unidos saiu pela Top Cow, demonstra o que um bom roteiro é capaz de fazer com uma premissa simples.

Vamos então à premissa: o detetive David Grey vai investigar uma série de assassinatos e descobre que seres malignos estão matando as pessoas. Durante o confronto, ele é gravemente ferido e, ao acordar no hospital, percebe que não faz mais parte deste plano corpóreo. Mas também não está morto.

Grey começa a perceber as pessoas translúcidas e elas não mais o enxergam. Como em toda boa jornada do herói, aparece Laurel, a guia que o levará para Nova York, onde ele deverá tentar não perder sua alma, já que ela está se deteriorando e o detetive está se tornando uma das criaturas horrendas, chamadas apenas de Errantes.

Com isso, o autor leva o leitor a um road comic que atravessa os Estados Unidos – os protagonistas fazem o trajeto entre Los Angeles e Nova York a pé, pois o Plano Intermediário, que é onde eles se encontram, é o ambiente que abriga as coisas esquecidas – como as tampas de caneta Bic ou os telefones públicos quebrados – e nenhum carro funciona por lá.

Durante a jornada, Straczynski apresenta um sem-número de desafios e empecilhos para a dupla de andarilhos. Mas não só. A maior parte da trama é composta por angústias e reflexões dos protagonistas. E a ideia de perder a alma o tempo todo estabelece uma tensão que promove o crescimento espiritual de Grey.

O escritor aplica uma série de parábolas muito bem engendradas na trama, fazendo a história ser reflexiva sem ser piegas ou chata. Mais do que uma travessia pelos EUA, é uma jornada pela psique humana, e o leitor sente-se motivado a fazer determinadas reflexões junto com os personagens.

Com grandes inspirações na mitologia católica, mas principalmente na discussão e na crítica da dicotomia bom/mau, Straczynski leva o leitor a refletir sobre céu, inferno, purgatório, a consequência de seus atos e a busca pela redenção.

Com desenhos inspiradíssimos de Gary Frank, que alia a força da expressividade com o realismo dos quadrinhos clássicos, esta talvez seja a melhor coisa que esta dupla produziu.

Esta edição encadernada é similar à lançada anos antes, em seis edições avulsas, pela Panini, tendo apenas alguns extras, como a galeria de capas e alguns sketches. Mesmo assim, é um trabalho muito interessante, que merece ser conhecido por mais pessoas. Principalmente aquelas que culpam Straczynski pelo pacto do Homem-Aranha com Mefisto.

Classificação

4,5

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