MIRACLEMAN # 1

Por Amalio Damas
Data: 15 julho, 2009


Autores: Alan Moore (texto) e Gary Leach (desenhos).

Preço: NCz$ 2,00 (preço da época)

Número de páginas: 32

Data de lançamento: 1989

Sinopse: Mike Moran é um jornalista desempregado que todas as noites têm estranhos pesadelos sobre homens voadores e uma palavra secreta da qual nunca se lembra quando acorda.

Cobrindo, como freelancer, uma manifestação em frente a uma usina nuclear, ele vira refém de um grupo de terroristas. Na confusão, consegue se lembrar da palavra e se transforma em Miracleman.

Quando chega em casa, conta toda a história sobre superpoderes e seus companheiros de ação mortos em combate para a incrédula esposa.

Na manhã seguinte, recebe um telefonema de seu amigo Johnny Bates, alter ego de Kid Miracleman, o qual pensava estar morto.

Após um encontro na sede da Sunburst Cybernetics, que pertence a Johnny Bates, as boas notícias transformam-se rapidamente em más.

Positivo/Negativo: A grande notícia da San Diego Comic-Con em 2009 foi a compra dos direitos do personagem Miracleman (Marvelman, originalmente) pela Marvel.

Depois de muitos anos de disputa judicial, finalmente a questão dos direitos sobre esse herói parece definida. A notícia que os fãs de todos os cantos do mundo aguardam no momento é, o que a Marvel fará com o personagem?

No Brasil, os fãs têm motivos de sobra para saber se esse personagem tão incensado será publicado de forma integral, mostrando dois ícones consagrados da HQ: Alan Moore e Neil Gaiman (este ainda em começo de carreira).

Em 1989, a pequena Tannos tentou lançar a obra no Brasil e poucos felizardos tiveram acesso aos primeiros roteiros inspirados de Alan Moore.

Simples e objetivo, apesar de nunca economizar nas palavras, o autor reintroduz o herói das décadas de 1950 e 1960, no contexto dos anos 80. Para tanto, transforma Mike Moran num desempregado sustentado pela mulher.

Quando ele recupera seus poderes e conta para a esposa quem era, ela simplesmente acha tudo ridículo, mesmo que aquilo tenha acontecido nos anos 50. Esse pequeno trecho serve de metáfora para a transformação que virá. Ou seja, não haverá espaço para nomes bonitinhos, heróis sorridentes e vilões caricatos.

Em seguida, acontece a maior virada da trama, quando Miracleman reencontra seu antigo parceiro mirim Kid Miracleman, agora um rico empresário da indústria eletrônica, e descobre que ele cresceu e acha que não deve ser mais tão bonzinho como antes.

Esse aperitivo mostrado na edição de estreia possui todas as características com as quais o leitor está acostumado nos roteiros de Moore. Hoje se sabe que ele estava apenas preparando o terreno, com fundações sólidas, para aos poucos incluir elementos que fariam a história ficar rica e interessante. Nenhum detalhe é apenas um detalhe, cada elemento apresentado é importante no contexto geral.

Apesar de ser pouco conhecido e lembrado atualmente, Gary Leach é talentoso e seus desenhos são perfeitos, seguindo um estilo mais realista, parecido com o de Neal Adams e Brian Bolland.

Por ser uma pequena editora, a Tannos produziu um material graficamente razoável para os padrões da época, tanto que colocou a palavra “luxo” na capa, impressa em papel couché de alta gramatura e com interior em off-set.

Na época, o máximo de luxo possível era uma impressão toda em couché e colorida. Capa dura, como é comum hoje, era algo inimaginável.

O ponto negativo fica para a impressão irregular, “lavada” em algumas páginas e perfeita em outras, bem como para o letreiramento, terrível em todas as páginas.

As letras, aliás, podem sugerir que todos os personagens estão bêbados, tal é a ondulação dentro dos recordatórios e balões.

Mas o que mais prejudica esta edição são os erros primários de português. Veja alguns:

Página 5: “estaríamos” está grafada sem acento;

Página 6: “medo” não tem acento;

Página 8: “aí” está sem acento;

Página 14: “Já fazem dezesseis anos…” (o correto é faz);

Página 17: “…fortaleza voadora plainando…” (o correto seria planando);

Página 18: “caía” está grafado sem acento, “Haviam dois dele” (o certo é havia);

Página 19: “…como fios descapados…” (o correto seria desencapados);

Página 21: “fazem dezoito anos…” (o certo é faz), “ruído” e “saísse” estão grafadas sem acento;

Página 22: “início” e “prédio” estão sem acento;

Página 29: “lá” está sem acento.

Como se tratava de um lançamento e o título principal da editora, que iniciava seus (curtos) passos no mercado, deveria ter se tomado mais cuidado.

Uma matéria sobre o surgimento do herói na Inglaterra complementa a edição.

 

Classificação:

4,0

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