MISTER X – A COLEÇÃO DEFINITIVA – VOL. 1

Por Mário César
Data: 1 dezembro, 2006


Título: MISTER X – A COLEÇÃO DEFINITIVA – VOL. 1 (Devir
Livraria
) – Edição especial
Autores: Dean Motter (roteiro, design e capas), Irmãos Hernandez, Ty Templeton e Seth (desenhos), Paul Rivoche (capas, cores e letras).

Preço: R$ 45,00

Número de páginas: 176

Data de lançamento: Agosto de 2006

Sinopse: Radiant City, também conhecida com Sonópolis, foi projetada para ser uma cidade dos sonhos, mas se tornou uma cidade dos pesadelos: um lugar que, cedo ou tarde, enlouquecia seus cidadãos. Mister X, uma misteriosa figura, retorna à metrópole para desfazer o estrago que pensa ter feito, mesmo que isso o leve à morte.

Primeiro de dois volumes de Mister X, uma série pioneira dos anos 80 pela qual passaram artistas importantes como Dave McKean (Sandman), os irmãos Hernandez (da cultuada Love and Rockets), Ty Templeton (Batman Adventures) e Seth (Draw & Quaterly, Palookaville).

Positivo/Negativo: Mister X é um caso curioso. É, ao mesmo tempo, influente e obscura. Trouxe consigo muitas idéias novas e despertou o interesse de alguns artistas de renome. No entanto, não deslanchou e nem se tornou um marco, a exemplo de outros trabalhos do mesmo período, como American Flagg! (Howard Chaykin), Cerebus (Dave Sim), Ronin (Frank Miller), Elektra – Assassina (Frank Miller e Bill Sienkiewicz) e Maus (Art Spiegelman).

A grande contribuição de Mister X foi levar para os quadrinhos conceitos de design gráfico e ilustração, áreas de onde vieram seus criadores, Dean Motter e Paul Rivoche. Todo o visual da publicação – da arquitetura de Radiant City ao figurino e tipografia dos títulos – foi inspirado na Art Déco, na Bauhaus, no Construtivismo Russo e no Expressionismo Alemão. O resultado foi poderoso e impulsionou o chamado design de publicação, um passo importante no aprimoramento gráfico que os quadrinhos tiveram a partir da década de 1980.

Contudo, por mais que a série trouxesse idéias interessantes, ela falhou como uma história em quadrinhos por conta de alguns tropeços.

O primeiro motivo foi o texto pueril de Motter. Mesmo com as ótimas referências, seus roteiros não envolvem e nem criam a aura de mistério necessária para esse tipo de enredo funcionar. Além disso, as aspirações iniciais de abordagem filosófica dos temas levantados desandaram para um retrato pretensioso e espalhafatoso.

Outro problema foi com a escolha dos desenhistas. Rivoche ia ilustrar a revista, mas devido a desavenças criativas com Motter cedeu lugar aos irmãos Hernandez, que têm um traço cativante, mas muito caricato para o título, especialmente para representar a atmosfera noir de Radiant City.

Ou seja, bons desenhistas no projeto errado. Já Seth e Ty Templeton, que substituíram os Hernandez, ainda possuíam uma arte imatura, bem longe do vigor de seus trabalhos posteriores.

As capas e pôsteres acabaram refletindo muito mais os conceitos iniciais de Mister X do que suas ilustrações internas. O impacto dessas artes foi considerável e é possível ver influência delas nas séries animadas de Bruce Timm. O próprio Rivoche integrou a equipe de Batman: The Animated Series e Batman Beyond.

Um fato curioso é que neste volume se encontra o primeiro trabalho publicado de Dave McKean. Admirado pela arte promocional da série, ele fez uma história curta com uma abordagem bem mais madura que a do próprio criador do personagem.

Ainda fazem parte da edição um episódio inacabado com a arte exuberante de Bill Sienkiewicz e alguns esboços de Rivoche.

A edição da Devir está caprichada e com um bom acabamento. Só há pequenos deslizes, como a data do lançamento do álbum estar grafada como dezembro de 2005 no expediente (será que estava impressa há tanto tempo?) e uma nota de rodapé estranhamente inserida no meio do prefácio de Motter.

No fim das contas, Mister X vale ser conferido mais por sua relevância histórica e pelos nomes envolvidos do que pela qualidade da história em si. Uma boa idéia que, infelizmente, não se converteu em uma grande obra de fato.

 

Classificação:

4,0

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