Mooncop

Por Vitor Mazon
Data: 21 dezembro, 2018

MooncopEditora: Drawn and Quarterly – Edição especial

Autor: Tom Gauld (roteiro e arte).

Preço: US$ 19,95

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Setembro de 2016

Sinopse

A colônia lunar está lentamente diminuindo. Enquanto o policial da lua faz suas rondas diárias, a quantidade de trabalho é cada vez menor e a população diminui.

Uma jovem foge, um cachorro se perde, um autômato sai do Museu da Lua. A cada dia, a vida fica um pouco mais quieta e solitária.

Positivo/Negativo

Os desavisados podem ver o título Mooncop, em tradução livre policial da lua, e pensar que a segunda graphic novel do escocês Tom Gauld é uma história de ação, em um futuro distante em que a humanidade se expandiu para além do planeta Terra. E não poderiam estar mais equivocados.

Gauld traz o seu traço minimalista e sua sensibilidade melancólica para explorar uma colonização do cosmos menos glamorosa e aventureira, e mais rotineira e solitária. A colônia da lua não é um lugar cheio de vida para onde as pessoas sonham em se mudar. Na verdade, é uma cidade que está diminuindo, o lembrete do sonho da conquista do espaço que foi deixado para trás.

Assim como Goliath, sua primeira graphic novel, Mooncop é uma história curta, que foca em explorar mais a atmosfera e o estado emocional de seu personagem principal, sem ter um grande conflito.

Aqui, o único policial da Lua se vê cada vez mais solitário e entediado, enquanto a população do satélite diminui a cada dia. É uma narrativa simples, que combina com a arte minimalista do autor.

Os diálogos esparsos realçam a monotonia de um trabalho que está deixando de existir e o drama existencial do policial que fica para trás, e contempla um trabalho e uma existência sem sentido e uma cidade esquecida.

A narrativa tem um forte tom nostálgico que funciona em duas camadas. A primeira dentro da própria história, pois o personagem sente falta dos tempos em que sua pequena comunidade pulsava, quando a ideia de morar na Lua parecia algo novo e excitante.

E a segunda o próprio leitor vê: essa pequena comunidade é como uma lembrança das promessas de um futuro em que conquistaríamos as estrelas, mas que até hoje não se concretizou.

Mas, apesar de tudo, Mooncop não é uma leitura pesada e triste. Gauld consegue manter um equilíbrio entre a melancolia e seu humor seco.

O traço de Gauld se mantém minimalista, do layout das páginas à arquitetura da colônia, passando pelo design dos robôs. Os próprios personagens têm formas simples, quase geométricas.

Mas isso não significa que não haja detalhes, mesmo com um design resumido ao essencial, ele consegue extrair uma grande quantidade de expressões e emoções.

As páginas têm um fluxo metódico e Gauld usa os painéis para permanecer em momentos-chave de diálogos e reações emocionais. A arte é pensada para que o leitor absorva sua beleza e tranquilidade.

No fundo, Mooncop fornece uma narrativa otimista sobre a vida, que mesmo no mais solitário dos lugares mostra que há sempre a possibilidade e a esperança de se conectar com o outro.

A Drawn and Quarterly entrega uma edição caprichada, com capa dura e ótimo papel, valorizando esta pequena história como uma joia da Lua.

Classificação:

4,5

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