Mr. Majestic

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 2 abril, 2012

Mr. MajesticEditora: WildStorm – Edição especial

Autores: Joe Casey, Brian Holguin e Alan Moore (roteiro), Ed McGuiness e Carlos D’Anda (desenhos), Jason Martin, Richard Friend, Mark Irwin, Howard Shum e Trevor Scott (arte-final) e Dan Brown, Digital Chameleon, Steve Oliff e Olyoptics (cores).

Preço: US$ 14,95

Número de páginas: 176

Data de lançamento: Janeiro de 2002

Sinopse

O encadernado reúne as seis primeiras edições da série mensal Mr. Majestic, publicadas originalmente entre 1997 e 1999, mais uma história especial do título WildStorm Spotlight # 1, de 2000.

Positivo/Negativo

De todas as séries que buscaram inspiração nas grandiosas histórias de super-heróis da Era de Prata dos quadrinhos, quase nenhuma abraçou com tamanha vontade o senso de diversão e absurdo da época como Mr. Majestic, publicada pela WildStorm, com texto de Joe Casey e Brian Holguin e desenhos de Ed McGuiness.

Estrelada pelo superpoderoso personagem introduzido por H. K. Proger e Jim Lee numa história curta dos Wild C.A.T.s, como o próprio roteirista Joe Casey faz questão de salientar no texto introdutório que acompanha a edição, a revista leva o leitor de volta a um tempo em que super-heróis podiam mover planetas.

Mr. Majestic surgiu como mais uma versão do Superman num universo distinto, e logo ganhou destaque na fase das criações de Lee escrita por Alan Moore. Ao contrário do último filho de Krypton, porém, Lord Majestros possui mente militarista e um histórico de guerreiro num império galáctico. Mas Casey e Holguin decidiram não focar no passado dele em meio ao Universo WildStorm, preferindo explorar território novo num tom épico e imprevisível.

O Universo WildStorm de Jim Lee, assim como as criações de seus ex-colegas de Image Comics, como Rob Liefeld e Marc Silvestri, surgiu com uma visão mais sombria e pessimista dos super-heróis tradicionais, abordando os personagens sob o prisma de agências governamentais e do escrutínio da mídia. Soa irônico, portanto, que autores modernos tenham feito uso desse ambiente inóspito para resgatar a magia e a inocência de tempos passados, com um resultado que agrada a fãs de todas as idades.

Se, na série mensal de Supremo, o incomparável Alan Moore revisitou a Era de Prata do Superman num experimento metalinguístico sem precedentes, Casey, Holguin e McGuiness não pretenderam refletir sobre a evolução dos quadrinhos e a sociedade, apenas contar histórias divertidas que duram apenas uma edição.

Logo de cara, Mr. Majestic precisa esconder todo o sistema solar de uma entidade maligna, para depois encarar uma anomalia temporal que mescla eventos de diferentes eras, como bombardeios da Segunda Guerra Mundial até a divisão do Mar Vermelho. E parece não haver limites para este destemido protetor da Terra.

Contrariando a tradição de heróis mais conhecidos, Mr. Majestic não possui identidade secreta, fato que elimina boa parte dos personagens coadjuvantes, dramas humanos e humor típico de sitcoms esperados de suas histórias. Ele tem como ajudante apenas um genial garoto cibernético chamado Desmond, e dedica sua existência à carreira heroica.

Tal fato não significa, contudo, uma ausência de carga emocional nas narrativas. No conto mais tocante da edição, o herói milagrosamente recupera o filho perdido havia eras, para contar com o apoio dele na luta contra o mal, com um desfecho trágico.

Em outro momento inspirado, Mr. Majestic vai ao cinema com sua antiga colega de Wild C.A.T.s, Ladytron, e os acontecimentos que se sucedem são hilários, das reações com adolescentes na sala de exibição a um ataque de vigilantes robóticos.

Enquanto muitos super-heróis apelavam para atitudes violentas, niilistas e relutantes, Mr. Majestic apresentou aventuras leves e descompromissadas, com um protagonista de personalidade confiante e segura. Pena que a série durou pouco.

Completando o clima agradável da revista, Ed McGuiness apresenta seu estilo cartunesco de costume, lembrando muito uma animação para crianças. Vale notar que, após o trabalho em Mr. Majestic, tanto o ilustrador como o roteirista Joe Casey trabalharam com Superman, em séries mensais distintas, nas quais puderam mostrar suas visões sobre o primeiro super-heróis dos quadrinhos.

E Mr. Majestic ganhou uma segunda série mensal em 2005, escrita por Dan Abnett e Andy Lanning, mais integrada aos conceitos da WildStorm.

Este encadernado inclui ainda uma aventura mais melancólica assinada por Alan Moore e Carlos D’Anda, mostrando os últimos dias do herói, no final dos tempos.

Mr. Majestic foi mais uma, dentre tantas séries, que não alcançaram o reconhecimento devido e logo foram canceladas, mas merece ser conferida por devolver brilho e esperança a um gênero que nunca os deveria ter perdido.

Classificação

3,5

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