MSP 50 – Mauricio de Sousa por 50 artistas

Por Eduardo Nasi
Data: 18 setembro, 2009

MSP 50 - Mauricio de Sousa por 50 artistasEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Laerte, Rodrigo Rosa, Flávio Luiz, Gilmar, Daniel Brandão, Lelis, Antonio Eder, Cau Gomez, Lailson, Fido Nesti, Julia Bax, Orlandeli, Ivan Reis, Baptistão, Mascaro, Fábio Yabu, Jean Galvão, Raphael Salimena, Benett, Fábio Moon, Gabriel Bá, João Marcos, Jean Okada, Otoniel Oliveira, José Aguiar, Angeli, Samuel Casal, Osmarco Valladão, Manoel Magalhães, Antônio Cedraz, Erica Awano, Luciano Félix, Gustavo Duarte, Fábio Lyra, Fernando Gonsales, Vinicius Mitchell, Fernandes, Rafael Sica, Spacca, Wander Antunes, Fabio Cobiaco, Ziraldo, Christie Queiroz, Dalcio Machado, Jô Oliveira, Guazzelli, Laudo, Marcelo Campos, Renato Guedes e Vitor Cafaggi.

Preço: R$ 98,00 (capa dura) e R$ 55,00 (capa cartonada)

Número de páginas: 192

Data de lançamento: Setembro de 2009

Sinopse

Um grupo de 50 artistas cria histórias com personagens de Mauricio de Sousa para homenagear o cinquentenário da carreira do criador da Turma da Mônica.

Positivo/Negativo

Antes de qualquer coisa, é preciso abrir o jogo para o leitor. O mentor e editor deste álbum é o editor deste site: Sidney Gusman. E, por mais que nosso Sidão evite misturar seus papéis, este é uma daqueles momentos em que as vidas paralelas se confundem.

Nem é preciso conviver com o Sidney para perceber o seu estado de euforia à medida que o projeto evoluía. Leitores que o acompanham no Twitter, por exemplo, puderam ver o quanto ele celebrava cada HQ que recebia.

Claro que uma situação dessas é complicada: o leitor pode confundir os elogios à obra com elogios ao editor.

Para este comentário, seria melhor que MSP 50 fosse um trabalho mediano. Aí, ganharia nota 2 ou 3 e ficaria tudo por isso mesmo. Ou poderia entrar no vasto rol de títulos que a equipe do Universo HQ, apesar dos esforços, não dá conta de resenhar.

O problema é que, sem exageros, MSP 50 é um álbum excepcional. Merece elogios – e os tem recebido desde que apareceu na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, semana passada. Está inevitavelmente entre os principais lançamentos do ano no País.

Nesse caso, resta pedir a confiança do leitor, recordar que o site publica constantemente críticas a materiais de Mauricio de Sousa (e que tem o Sidney como parte da equipe) e seguir em frente.

Afinal, MSP 50 é uma antologia grandiosa mesmo.

A começar por sua envergadura: reúne um volume monumental de autores brasileiros – não se tem notícia de nenhum outro trabalho tão representativo do quadrinho nacional. Tem gente nova: Vitor Cafaggi, de Punny Parker, começou a publicar ano passado. Tem veterano: Ziraldo. Tem mulheres: Julia Bax e Erica Awano. Tem gente de todo canto do País – do sul, Rodrigo Rosa, e do norte, Otoniel Oliveira – e que trabalha pra fora do Brasil, como Wander Antunes e Ivan Reis. Tem quatro Fábios: Yabu, Moon, Lyra e Cobiaco.

Reunir toda essa gente é, sem dúvida, um mérito. Mas o álbum vai além: consegue apresentar só grandes histórias. Nenhum autor errou a mão. Não tem uma HQ ruim. Nem média. As mais fracas são muito boas. Várias são excelentes. E um punhado delas é excepcional.

Vitor Cafaggi, por exemplo, encerra o álbum com uma HQ monumental de Chico Bento. Impecável no desenho delicado, no uso das cores e na escolha das palavras.

Na abertura, Laerte faz uma HQ simples e encantadora com Franjinha e Bidu (justamente os primeiros personagens de Mauricio), que sintetiza aquela sensação conhecida de ir a uma banca e sair com uma revista nas mãos.

Logo a seguir, Rodrigo Rosa acerta ao fazer um Cascão insolente, que desdenha de Cebolinha.

Daniel Brandão faz uma HQ cheia de referências à cultura pop em que a Turma da Mônica cresceu e atravessou 50 anos.

Erica Awano, também com Chico Bento, cria um conto emocionante sobre maternidade.

Rafael Sica dá um novo e surpreendente olhar sobre a relação do Louco com o Cebolinha.

Gustavo Duarte faz uma HQ curta, direta e precisa – coisa de craque!

Spacca, exceção, emula o traço de Mauricio numa bela história do Horácio.

Mas os outros artistas usam o próprio estilo para desenvolver suas tramas. E é daí que vem mais um dos baratos do álbum: ver os personagens de Mauricio a partir de outros traços. E aí tem o Penadinho de Samuel Casal, a Marina de Otoniel Oliveira, o Astronauta de Marcelo Campos e Renato Guedes, a Tina e o Rolo de Fábio Lyra (com cores delirantes de Odyr), as Mônicas de Fernando Gonsales, Guazzelli, Fido Nesti, João Marcos, Ivan Reis, Laudo…

Toda essa riqueza tem uma origem: a obra de Mauricio de Sousa e das dezenas de artistas que passaram por seu estúdio neste meio século. É um patrimônio tão inspirador que faz 50 artistas darem o melhor de si para fazer a homenagem.

Ao final de MSP 50, fica no ar o desejo de ver mais criações de Mauricio no traço de outros artistas. Afinal, é sem esforço que se chega a uma nova lista de 50 autores de peso.

E já se sabe que há um segundo volume do álbum confirmado, a ser produzido com outros criadores.

Mas, depois de um álbum desses, fica claro que a ideia de aproveitar outros estilos tem que ser incorporada até mesmo em uma revista de linha – indo bem além ao que já é feito, de forma moderada, em revistas como Turma da Mônica Jovem ou o especial Cascão Porker.

Não são só os artistas brasileiros e os leitores que merecem. Quem mais se beneficia de um projeto como MSP 50 é a própria obra de Mauricio de Sousa.

Afinal, como Fernando Gonsales põe na boca de Bidu, “Tem sempre alguém desenhando a Turma da Mônica por aí”.

Classificação

5,0

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