Nada com coisa alguma

Por Milena Azevedo
Data: 24 abril, 2015

Nada com coisa algumaEditora: independente (Quadrinhofilia) – Edição especial

Autor: José Aguiar (roteiro, arte e cor).

Preço: R$ 50,00

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Março de 2015

Sinopse

Coletânea das tiras de humor da série Nada com coisa alguma, publicadas semanalmente desde 2011 no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba.

Positivo/Negativo

A explosão das tiras de jornal, entre as décadas de 1910 e 1920, deu espaço não apenas para o humor centrado no cotidiano urbano, mas também para propostas conceituais e experimentais, como Little Nemo in Slumberland (Winsor McCay), The Kin-der-Kids e Wee Willie Winkie’s World (Lyonel Feininger), The Upside Downs of Little Lady Lovekins and Old Man Muffaroo (Gustave Verbeck), Kraky Kat (George Herriman) e Polly and Her Pals (Cliff Sterret).

Na contemporaneidade, são poucos os artistas que investem com propriedade em tiras experimentais. Dentre eles, o francês Étienne Lécroart (mais conhecido como o criador do OuBaPo), o norte-americano Chris Ware e o brasileiro José Aguiar têm trabalhos que merecem destaque.

A série de tiras Nada com coisa alguma, de Aguiar, começou a ser publicada em 2011, no jornal curitibano Gazeta do Povo, ganhando sua primeira compilação no início de 2015, num belo álbum homônimo e impresso por meio do financiamento coletivo – angariou quase R$ 26 mil de 415 apoiadores.

A singularidade de Nada com coisa alguma provoca uma catarse no leitor, desconcertando-o mesmo após ter pegado o espírito das “brincadeiras” estéticas propostas por Aguiar, que no álbum ousou experimentar ainda mais gráfica e textualmente suas tiras, explorando movimentos, formatos, cores, e limites de quadros e páginas. Sempre com humor inteligente, sem pedantismo nem forçar a barra.

Diferentemente de trabalhos experimentais que, em geral, são mais voltados para a forma e deixam de lado o conteúdo, o álbum consegue unir ambos de maneira bastante convincente.

Entre tiras horizontais, verticais, e outras fragmentadas em até cinco páginas, os olhos percorrem todos os espaços e chegam mesmo a definir limites entre duas, três tiras que às vezes dialogam simultaneamente.

Na quarta capa há um texto do jornalista Paulo Ramos, que escreve: “fazer o bê-a-bá da tira já é difícil. Imagine então extrair delas algo inovador”. E Aguiar o fez com tamanho esmero e mestria, num álbum icônico, que faz a cabeça salivar.

Classificação

5,0

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