The Nobody

Por Tiago Salviatti
Data: 7 fevereiro, 2014

The NobodyEditora: DC Comics / Vertigo – Edição especial

Autor: Jeff Lemire (roteiro e arte).

Preço: US$19,99

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Julho de 2009

Sinopse

Inspirada pelo personagem de H.G. Wells, o Homem Invisível, a obra conta a história da chegada de tão estranha figura embalsamada em uma pequena comunidade de pesca, a cidade de Large Mouth.

Mas não é o rosto de John Griffen que será descoberto por baixo de tantas bandagens, e sim uma teia de mistérios e segredos que se escondem em cidadezinhas.

Positivo/Negativo

“Parece que sempre queremos o que não temos”, diz John Griffen lá pela metade do encadernado, em meio a um diálogo simples, e muito bem construído e escrito, descrevendo de maneira resumida as intenções dos personagens apresentados na trama de Jeff Lemire.

E não apenas para eles, serve como uma grande metáfora para a natureza humana, e igualmente para resumir o resultado final do trabalho – ao querer ser algo mais do que (o potencial que) tem.

O Homem Invisível de Lemire retrata o desejo mais íntimo de toda pessoa introspectiva e tímida, de simplesmente querer sumir como que por um passe de mágica. Ainda assim, falta algo.

Falta um bocado da sagacidade de H.G. Wells, uma certa malandragem do personagem – mais próximo do que é apresentado na Liga Extraordinária, de Alan Moore e Kevin O’Neill.

Ainda assim, é uma reinterpretação sob a perspectiva e batuta de Lemire, com uma roupagem moderna e uma revisão de condições e características, e é possível ver o quanto a trama se aproveita para expor uma bela crônica sobre a vida moderna, da necessidade de interação social e, de certa forma, o seu exato oposto, o isolamento; e nisso este encadernado ganha força.

Criando e construindo de maneira lenta o ambiente da pequena cidade de Large Mouth, ele vai cautelosamente apresentando os personagens para construir a trama de maneira bastante orgânica. Nada é gratuito, tudo tem uma função, e a narrativa amarra perfeitamente toda e qualquer ponta ao final.

Não obstante, a arte rouba a cena, com um uso minimalista de cores (branco, preto e tons de azul claro/ciano) que denotam bem a neve e frio da região, assim como uma sensação comum de distanciamento dos personagens de maneira soberba, saltando aos olhos a cada virar de página.

Num ótimo contraste produzido pelo acabamento do encadernado, a capa (mais a contracapa e as orelhas) utiliza de cores mais chamativas, com amarelos e laranjas que casam igualmente bem com a qualidade da arte.

Classificação

4,0

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