NÓS – DREAM SEQUENCE REVISITED

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2010

NÓS - DREAM SEQUENCE REVISITED

Editora: Balão Editorial – Edição especial

Autor: Mario Cau (roteiro e arte).

Preço: R$ 20,00

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Novembro de 2010

 

Sinopse

A HQ se propõe a retratar, por meio de metáforas visuais, sem utilizar palavras, um intenso sonho de um rapaz.

Positivo/Negativo

Nós, assim como as HQs independentes de Mario Cau, é marcada por três elementos principais: as pinceladas grossas estilizadas, a melancolia e sua narrativa visual.

De cara, o que mais chama a atenção é a elegância da diagramação das páginas. Em trabalhos anteriores, como Pieces, o poder da narrativa visual desenvolvida por Mário Cau já se destacava. Nesta edição, o uso da cor vermelha para marcar um elemento (a fita de tecido que envolve os quadros e os personagens) cria um grande impacto em quem folheia a revista.

Mas o desenho de Mario Cau ainda está aquém da qualidade da sua narrativa. Seu estilo é calcado na simplicidade, com uma arte-final mais grossa, bem na estética do traço indie do momento. O problema é que ainda persistem resquícios de uma anatomia realista, mais comum em super-heróis.

Isso deixa o visual inconstante, oscilando entre estilizado e realista. Além disso, alguns erros de proporção e anatomia acabam prejudicando o todo.

E esses problemas da arte refletem no motion comic que vem em um DVD encartado com a HQ.

Com a proposta de ampliar a experiência da leitura da HQ, o Estúdio Animar criou uma animação utilizando a arte de Nós. O conceito de motion comic não é tão comum, mas algumas HQs vêm sendo adaptadas para o DVD, como o clássico Watchmen.

O efeito é legal e, com uma boa trilha sonora, fica interessante ver a HQ na TV. O problema é que, despido de seu design criativo nas páginas, as imperfeições do desenho de Mario Cau aparecem mais.

Além do DVD, outro destaque do álbum são os textos escritos por Cau sobre a HQ. Ele conta a história da produção, detalha o processo de concepção, desenho e arte-final e ainda fala sobre a exposição das páginas em uma versão impressa para o Museu de Arte Contemporânea de Campinas.

No geral, Nós vale para conhecer o trabalho de Mario Cau, pelo impacto de suas “metáforas visuais” e pela curiosidade de ver tudo isso em uma animação. Ainda assim, o preço pode ser um impeditivo para alguns leitor, considerando que é uma história bem curta.

Fora isso, fica a expectativa de uma evolução (natural) do desenho de Mário Cau para seus futuros trabalhos.

Classificação:

4,0

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