O canto das ondas

Por Milena Azevedo
Data: 21 dezembro, 2018

O canto das ondasEditora: Shockdom – Edição especial

Autores: Marco Rincione (roteiro) e Jessica Cioffi (arte e cor), com tradução de Nathália Bariani.

Preço: R$ 55,00

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Dezembro de 2017

Sinopse

  1. A cidade italiana de Trieste fora abandonada pelos Estados Difusos. Lá, a jovem Cláudia vive em solidão junto ao seu segredo: ela é capaz de escutar a voz dos peixes.

Dentre estes peixes está Asburgo, cujo canto logo se transforma na única razão de viver da adolescente.

Mas um assassino está eliminando os TIMEDs da cidade e, de repente, Asburgo parece ter desaparecido no vazio… Sozinha, submersa nas vozes que só ela pode ouvir, Cláudia começa sua breve fuga.

Positivo/Negativo

Marco Rincione e Jessica Cioffi capricham no tom poético de O canto das ondas, terceiro álbum da série TIMED (os anteriores são Rio 2031 e Vidas de papel) da editora Shockdom, para narrar a história de Cláudia, uma TIMED adolescente cujo poder é ouvir a voz dos peixes. E eles, por sua vez, cantam as histórias que o mar recolheu.

O canto dos peixes é triste. Triste porque guarda histórias de amores proibidos, impedidos de vingar devido à intransigência da sociedade, que prefere exterminar o diferente e usá-lo como exemplo de má conduta moral para os demais.

O peixe que mais fascina Cláudia é Asburgo, e seu canto sempre a leva ao Castelo de Miramare, para onde foge diariamente da família e da escola.

O canto de Asburgo evoca o amor no coração de Cláudia, e eles sentem uma vontade incontrolável de ficarem juntos. Porém, quando aquele belo som cessa abruptamente, ela precisa saber o motivo, pois pode ser um indício de que sua vida esteja chegando ao fim.

A trama de O canto das ondas se passa antes das dos álbuns anteriores, no ano de 2030, quando os Estados Difusos decidiram abandonar a cidade de Trieste à própria sorte.

Isto provoca uma onda de ódio em alguns habitantes, dando margem para a formação de um grupo neonazista que objetiva assassinar todos os diferentes, dentre eles estrangeiros e “aberrações” TIMEDs.

Rincione foi bastante atual ao linkar as minorias (estrangeiros, homossexuais e TIMEDs) para fazer o leitor refletir sobre como a intolerância se alimenta do medo do diferente para propagar um discurso de ódio corrosivo que, no fundo, encobre uma sede por poder. Ou melhor, sobre quem se debruça o poder de julgar e decidir o que é certo/normal.

Já o traço delicado da Cioffi está em perfeita sintonia com a paleta em tom pastel, deixando os desenhos desbotados e “sem vida”, para expressar a tristeza de Cláudia e de Trieste, uma cidade em luto pelo comportamento do seu povo.

Classificação:

4,5

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