O Capitão Z Apresenta: Ano 2000 – Programa 2

Por Delfin
Data: 21 maio, 2007

O Capitão Z Apresenta: Ano 2000 - Programa 2Editora: Ebal – Revista mensal

Autores: vários.

Preço: Cr$ 10,00 (preço na Terra, como era descrito na época, na capa)

Número de Páginas: 32

Data de lançamento: Março de 1979

Sinopse

Na virada do século 20, após a Guerra das Oito Horas, toda a Europa (incluindo a Grã-Bretanha) foi dominada pelo poder bélico da República Asiática do Volga. Mas o motorista de caminhão Bill Savage continua a desafiar os volganos e a fazer justiça com as próprias mãos.

No século 23, os caçadores de dinossauros se vêem às voltas com um pterodátilo em mais uma jornada ao passado remoto em busca de carne para a população faminta de seu tempo.

No presente não muito distante, o agente secreto John Probe, codinome M.A.C.H.1, após desmantelar uma quadrilha terrorista, deve impedir um vôo suicida desesperado que despejará gás dos nervos em Londres.

No espaço e além, Dan Dare invade secretamente uma nave para impedi-la de ser atacada pelos estranhos fenômenos surgidos em Júpiter.

Problemas também em 2050, tempo em que os Heróis do Harlem, a famosa equipe de aerobol, tenta se recompor após o atentado que chacinou mais da metade de seu vitorioso elenco.

E, na virada do século 21, criminosos refugiados nos escombros do velho Empire State ameaçam a ordem na antiga área de Nova York, desafiando a justiça e a honra de Dredd, o juiz implacável.

Positivo/Negativo

Hoje se fala muito, graças ao sucesso da maxissérie 52, da possibilidade real de quadrinhos semanais. Mas, como Grant Morrison, um dos autores desta série da DC Comics, lembrou bem, isto não é nada anormal para quem fez trabalhos constantes para a 2000 AD, principal revista de antologia de HQs do Reino Unido e, desde a sua estréia, semanal (com direito ainda a vários anuais e especiais), como era padrão de várias publicações à época.

Após um teste feito em 1976, intitulado Prog Zero, seu primeiro programa entrou em órbita no dia 26 de fevereiro de 1977 e seu conteúdo anárquico, diferenciado, com forte ênfase na ficção científica e em roteiros contestadores rapidamente conquistou o público inglês, que abraçou a publicação como sua maior resposta aos heróis transatlânticos.

Surgida da idéia da IPC de produzir revistas com maior liberdade de ação para os criadores, com ênfase na sci-fi, e também na existência de criadores com bons materiais esperando uma chance, como Pat Mills e John Wagner.

Assim, partiram para os seus materiais, que incluíam um óbvio e esperado revival de Dan Dare, o maior herói espacial inglês, cujos direitos pertenciam à IPC (e que deveria funcionar como um elo entre as novas gerações de leitores e as antigas, além de ser o carro-chefe da publicação).

A revista começou seu primeiro programa com um Dan Dare renovado e revivido muitos séculos no futuro, a exemplo de seu par americano, Buck Rogers. O traço era do artista italiano Massimo Belardinelli, um estreante com impulsão ao novo e ao futurista.

Para coadjuvar com o eterno herói galáctico na estréia, foram criadas várias séries originais, todas por Pat Mills: Os Heróis do Harlem, o efetivo trabalho de estréia do hoje cultuado Dave Gibbons, sobre as aventuras da maior equipe de aerobol da Terra; Carne, com desenhos do próprio Mills, sobre caçadores de dinossauros que viajam no tempo para buscar alimento em grandes quantidades para a faminta população do futuro; Invasão!, versando sobre a resistência britânica a uma invasão de um país asiático, com foco no bravio motorista de caminhão Bill Savage, ilustrada por Gerry Finley-Day; e M.A.C.H. 1, sobre um agente que, sob o efeito de uma técnica avançada de acupuntura interna, ganha poderes sobre-humanos, com arte de Enio.

Todas estas séries foram sucesso e duraram pelo menos um ano, com publicação ininterrupta. Mas ainda faltava a estréia da série de Wagner, que só chegaria ao público no segundo programa da 2000 AD, na semana seguinte. É o que torna esta edição tão especial: Dredd, o juiz implacável.

Criado a partir do nome de um personagem abandonado por Pat Mills, o futuro apocalíptico de Dredd foi concebido visualmente por Carlos Ezquerra. Mega-cidades, edifícios quilométricos, blocos com ares de cidades, bairros com a população de estados e países. Assim é a vida cotidiana nos centros urbanos do final do século 21, como concebida pelos dois criadores.

Mas sua história de estréia não parecia uma boa introdução ao personagem nas páginas de 2000 AD, o que fez com que Mills e o subeditor Kevin Gosnell aproveitassem, após muita escolha e alterações, uma trama escrita por Peter Harris e por um jovem Mike McMahon (conhecido aqui por seu trabalho em O Último Americano, publicado pela Globo).

Tal escolha fez com que Ezquerra se afastasse do título por muito tempo, mas, ainda assim, todo o seu trabalho de desenvolvimento foi mantido e, anos depois, seu retorno foi celebrado em fases memoráveis do personagem mais brutal dos quadrinhos ingleses até então.

Aliás, Dredd é, até hoje, a série de maior duração contínua da 2000 AD – que, aliás, é uma das poucas publicações de quadrinhos do mundo a ter ultrapassado a marca dos 1500 exemplares.

A edição aqui enfocada tem um nível coerente e bom de qualidade, destacando-se Invasão! (que parte do princípio de uma guerra contra uma versão fascista da União Soviética), Os Heróis do Harlem (que unem ficção científica de qualidade aos ganchos óbvios com os Harlem Globetrotters, de quem os Heróis seriam herdeiros diretos) e Dan Dare.

A história de Dredd, apesar de ser efetiva como introdução do personagem, não é das melhores. O personagem, na verdade, só foi ganhar o público a partir do Prog 7, quando a ênfase à lei por parte de Dredd se torna mais severa e enfática ao leitor.

Vendo o sucesso da publicação inglesa, Adolfo Aizen a trouxe ao Brasil. A estréia, sob o nome Ano 2000 (apresentada por uma marca-fantasia genérica, no caso Capitão Z, como rezava a cartilha de novas publicações da extinta Ebal). No entanto, ao contrário de sua contraparte, a revista era mensal.

E talvez aqui esteja a grande falha da Ebal, ao não apostar no novo e ousado formato: as histórias, apesar de boas, eram curtas e, à exceção das aventuras do policial de Mega-City One, exigiam continuação no próximo número. E um mês era tempo demais.

Vale lembrar que, fora Invasão!, os arcos geralmente tinham uma duração de 4 a 5 números, o equivalente a mais ou menos um mês na Inglaterra – mas um tempo considerável no Brasil.

O fato é que, após dez números, a publicação viu o seu fim de modo silencioso, sem cativar o público que, hoje, poderia ter sido o motivador de uma nova fase do quadrinho nacional, tanto em termos de distribuição como de periodicidade.

Por causa de atitudes conservadoras como esta, os fãs brasileiros terão que ler a “revolucionária” série semanal da DC, 52, que tem a duração de 52 semanas (ou um ano) em um ano e um mês, pois ela será dividida em 13 edições mensais, pela Panini.

30 anos depois, os editores nacionais ainda não entenderam que revoluções editoriais são feitas com atitudes de coragem. Quem sabe um dia?

Classificação

3,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.