O CHINÊS AMERICANO

Por Zé Oliboni
Data: 2 agosto, 2009


Autor: Gene Luen Yang (texto e arte) – HQ originalmente publicada em American born chinese.

Preço: R$ 47,50

Número de páginas: 240

Data de lançamento: Maio de 2009

Sinopse: O álbum narra três histórias paralelas.

Na principal, o jovem imigrante chinês Jin Wang, vivendo nos Estados Unidos, tenta se adaptar à nova realidade escolar. Rejeitado pelos colegas ocidentais, se vira como pode em meio a provocações, ao isolamento e à ignorância generalizada sobre a cultura de seu país.

Na outra história, narrada em tom de sitcom, um estudante norte-americano recebe a visita de seu primo Chin-Kee, um sujeito inconveniente que é o acúmulo dos piores estereótipos do povo chinês.

E, entre essas duas narrativas, o autor reinventa uma antiga lenda chinesa: a tradicional história do Rei Macaco que, ao ser rejeitado pelos deuses, decide renegar a própria natureza e tornar-se um homem, ganha uma roupagem moderna, surpreendente e original.

Positivo/Negativo: O nome original do álbum, American born Chinese (Americano nascido chinês) sintetiza bem o seu conteúdo. O autor, Gene Luen Yang, foi criado dividido entre duas culturas e representou isso com brilhantismo.

Olhando as duas tramas mais “fantasiosas” – a lenda do Rei Macaco e a história de Chin-Kee – se vê claramente de um lado a influência das histórias chinesas, contadas pelos ancestrais e, de outro, a cultura pop norte-americana com suas sitcoms marcadas por estereótipos cômicos para divertir uma plateia que ri em claque.

Essa dualidade de influências pode ser notada inclusive na arte. Para o layout das páginas, o autor escolheu um formato característico dos quadrinhos chineses. Contudo, o estilo do traço é bem atual, sintético e com um bom trabalho de cores, lembrando até o de desenhos animados exibidos no Cartoon Network.

No meio disso tudo está a história de Jin Wang, com toda a pinta de ser autobiográfica. É essa trama mais realista, cheia de momentos tragicômicos, que amarra e dá sentido às outras duas. Aliás, é nela que Gene Luen Yang tem uma das melhores sacadas de narrativa visual do álbum: o cabelo enrolado artificialmente do protagonista, que se “energiza” quando ele está prestes a ter uma atitude impulsiva.

Apesar do momento em que ocorre a junção das histórias ser um pouco brusco
e bem lúdico, a proposta de Yang é funcional.
Ele não só releu de forma muito inteligente uma conhecida história chinesa – a lenda do Rei Macaco aparece em Jornada ao Oeste e influenciou a criação do bem-sucedido mangá Dragon Ball – como a levou além, transformando-a em um conto atual sobre aceitação e assimilação de novas culturas.

Se isso não bastar para convencer sobre a pertinência dessa leitura, não custa lembrar as condecorações do álbum: prêmio Michael l. Printz de excelência em literatura para jovens adultos da American Library Association (troféu até então inédito para os quadrinhos), além de ter sido finalista do National Book Award e indicado ao Eisner de Melhor álbum Original.

Sobre a edição nacional, vale dizer que a Cia. das Letras está acertando nessa investida com a Quadrinhos na Cia.. O álbum está muito bem produzido. Mesmo assim, vale uma ressalva para a manutenção do nome original do personagem Chin-Kee. Em inglês, o som soa igual a chinky, uma forma racista de se referir a asiáticos. Em português, o mais próximos seria “China”, mas, como a editora não optou por uma tradução, mereceria ao menos uma nota.

 

Classificação:

4,0

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