O COMICO COLEGIAL # 7 – DICK PETER

Por Toni Rodrigues
Data: 1 dezembro, 2007


Título: O COMICO COLEGIAL # 7 – DICK PETER (La Selva)
– Revista mensal

Autores: Jeronimo Monteiro (criação original), Syllas Roberg (roteiro)
e Jayme Cortez (desenhos e capa).

Preço: Cr$ 3,00 (preço da época)

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Agosto de 1952

Sinopse: Misteriosos ladrões matam o vigia e arrombam o cofre de
uma instalação do governo, de onde roubam os planos do “Sono X”, um mecanismo
capaz de tornar silenciosos os motores de avião, os canhões e as metralhadoras.

Nenhuma pista foi deixada no local e, logo depois que a polícia chega
ao local, o corpo do vigia some misteriosamente.

Por estar desnorteada, a polícia não tem outra saída a não ser apelar
para a perícia do famoso detetive particular Dick Peter, que acaba achando
o esconderijo dos bandidos no próprio laboratório, não sem antes provocar
a morte por eletrocussão de um dos facínoras que o atacara.

No final da trama, ele é chamado ao telefone e se pergunta: “Será um outro
caso, ou uma outra loura?”.

Positivo/Negativo: Apesar de estar praticamente esquecido hoje,
Jeronimo Monteiro (ou Jeronymo, como querem alguns) é um nome importante
na história da literatura popular do Brasil. Nascido em 1908 e falecido
em 1970 é considerado o primeiro autor de ficção científica no País e
também escreveu muita coisa no gênero policial e infantil, tendo sido
inclusive editor da Gazetinha, um semanário infantil paulistano
que concorria com os cariocas Suplemento Juvenil e Globo Juvenil.

O COMICO COLEGIAL # 7 - DICK PETER
O Detetive Dick Peter foi criado para estrelar um seriado radiofônico
patrocinado pelo Café Jardim, na Rádio Tupi de São Paulo,
em 1937, e fez tanto sucesso, que Monteiro lançou 15 livros com o personagem
nos anos seguintes, sempre usando o pseudônimo de Ronnie Wells. Afinal,
as histórias se passavam todas em Nova York e com grandes pinceladas de
ficção científica, além da trama policial.

Entre estes livros, os de maior sucesso foram O Clube da Morte,
A Cidade Perdida e A Febre Verde, todos editados pela Livraria
Martins Editora
, entre 1947 e 1948.

O estranho é que todo mundo sabia que Ronnie Wells e Jeronimo Monteiro
eram a mesma pessoa, como fica claro na apresentação desta revista, editada
pela La Selva para capitalizar o então recente sucesso do personagem
também nos teleteatros da TV Tupi.

Na reportagem se lê claramente na legenda de uma foto: “Jeronimo Monteiro
(Ronnie Wells), figura bem conhecida nos meios literários, é o criador
de Dick Peter.”

O autor do roteiro desta história, Syllas Roberg fazia parte da turma
de amigos de Jayme Cortez e Álvaro de Moya e pouco se sabe sobre ele.
Mas foi uma figura importante na época, tendo sido um dos organizadores
da célebre Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos
que teve lugar em São Paulo, no ano de 1951.

O COMICO COLEGIAL # 7 - DICK PETER
Jayme Cortez Martins nasceu em Lisboa, em 8 de Setembro de 1926, e aos
18 anos começou a trabalhar com quadrinhos e ilustração no semanário infantil
português O Mosquito, ao lado do grande ilustrador Eduardo Teixeira
Coelho, que muito o influenciou.

No ano de 1947, Cortez veio para o Brasil e logo começou a trabalhar para
o jornal A Gazeta, ao lado de outro grande desenhista, Messias
de Melo (criador, entre outras coisas, do Periquito do Palmeiras, do Santo
do São Paulo e do Mosqueteiro do Corinthians).

Em 1950, Jayme Cortez ingressou na Editora La Selva, como diretor
de arte. Foi quando começou, de fato, a influenciar toda uma geração de
desenhistas e ilustradores, pois muitos passaram a procurá-lo para mostrar
seus trabalhos e ele, sempre que pôde, mostrou o método de trabalho que
aprendeu com Eduardo Teixeira Coelho, o uso de modelo-vivo como ferramenta
de desenho.

O COMICO COLEGIAL # 7 - DICK PETER
Isso pode ser visto inclusive na contracapa desta revista, na qual há
fotos em que seus amigos (Miguel Penteado da futura GEP entre eles)
posam para Cortez desenhar os personagens da trama. Esse era, aliás, o
mesmo método de grandes ilustradores americanos como Alex Raymond e Hal
Foster.

Até sua prematura morte em 1987, Cortez atuou em diversos campos, sempre
com bastante desenvoltura. Trabalhou em publicidade, na McCann Erickson
durante 12 anos, fez capas de livros para diversas editoras, vários cartazes
de cinema, entre os quais os dos filmes do Zé do Caixão, trabalhou com
merchandising e animação para Mauricio de Sousa (a quem ajudou
no começo de carreira, tendo editado a primeira revista do autor, Bidu
na Editora Outubro) e escreveu três livros sobre desenho e ilustração
que foram reeditados muitas vezes em formatos diferentes e são relativamente
fáceis de se encontrar nos sebos.

Voltando à revista, para os padrões atuais a história é bastante ingênua
e cheia de estereótipos, porém é divertida. Na verdade, a trama é um pretexto
para os belíssimos desenhos de Cortez, que deita e rola na narrativa visual,
alternando na trama diversos momentos de virtuosismo gráfico difíceis
de se ver numa revista em quadrinhos hoje.

Se você achar um exemplar perdido por aí, não perca a chance: compre.

Classificação:

4,0

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