O Fotógrafo – Uma História no Afeganistão – Volume 1

Por Eduardo Nasi
Data: 12 janeiro, 2007

O Fotógrafo - Volume 1 - Uma História no AfeganistãoEditora: Conrad Editora – Série de álbuns em três partes

Autores: Didier Lefèvre (argumento e fotografias), Emmanuel Guibert (roteiro e desenhos) e Frédéric Lemercier (diagramação e cores).

Preço: R$ 46,00

Número de páginas: 88

Data de lançamento: Novembro de 2006

Sinopse

Rebatizado Ahmadjan, o fotógrafo Didier Lefèvre conta a experiência de atravessar o Afeganistão a pé em 1986 para registrar a expedição da organização Médicos Sem Fronteiras.

Positivo/Negativo

O Fotógrafo é, de algumas maneiras, uma experiência nova para os quadrinhos. Talvez sua principal mudança seja uma quebra dos paradigmas tradicionais de produção: o argumentista não faz o roteiro, mas ilustra a obra com fotografias. O roteirista desenha, mas não diagrama – esse papel cabe ao colorista.

O desenvolvimento do álbum, que terá mais duas partes, é um verdadeiro trabalho coletivo, em que tudo se complementa, contrapondo-se ao modelo de cada um por si. Tem-se a mesma sensação nas páginas, quando os desenhos rudimentares de Guibert dão espaço às belas fotografias em preto-e-branco de Lefèvre, feitas durante a travessia do Afeganistão.

Nas fotos, por sinal, encontram-se outra descoberta do grupo para a arte seqüencial. Em vez de optar apenas por imagens editadas, como se fosse uma fotonovela, Lefèvre publica também os seus contatos – ou seja, a impressão integral de trechos do filme sem cortes, no tamanho original, recurso geralmente usado para se escolher quais as melhores imagens e, então, ampliá-las.

No processo, transparece que a fotografia também é uma arte seqüencial, prima das HQs – um bom fotógrafo aperta o obturador para interromper a passagem do tempo quando acha que tem um quadro para contar uma boa história.

Assim como na obra de Joe Sacco (PalestinaGorazde), O Fotógrafo parte de uma história real em cenário de guerra. Mas o Oriente Médio de Lefévre, retratado em 1986, durante uma expedição dos Médicos Sem Fronteira, é anterior ao do quadrinhista maltês, num cenário em que a União Soviética ainda lutava contra o Afeganistão. E, diferentemente de Sacco, Lefèvre é menos contundente e parece mais interessado em registrar os entornos da guerra do que suas conseqüências mais diretas.

A edição da Conrad é quase impecável – capa dura, papel couché de boa gramatura e impressão excelente. A introdução é da jornalista e mestre em relações internacionais Simone Rocha, que trabalha há nove anos na organização Médicos Sem Fronteiras, inclusive com missões no Afeganistão.

Além disso, é mais uma grande contribuição da editora para a diversificação de gêneros nas livrarias brasileiras. Mas, em se tratando de uma novidade, o leitor sentirá falta de uma pequena biografia dos autores.

Pois bem: Lefèvre é viajante e fotógrafo desde a década de 1970. Suas obras, que incluem fotos de diversos países, podem ser vistas no site didier.lefevre.free.fr. Guibert é quadrinhista desde 1992. Já publicou diversos álbuns, entre eles Sardine de l’espaceLes Olives Noires eLa Fille du Professeur. E Lemercier fez seu primeiro grande trabalho em O Fotógrafo.

Classificação

4,5

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