O Gralha

Por Sidney Gusman
Data: 28 julho, 2001

O GralhaEditora: Via Lettera – Álbum

Autores: Antonio Eder, José Aguiar, Luciano Lagares, Tako X, Augusto Freitas, Edson e Luri Kohatsu, Eduardo Jr. Moreira, Amaryllis Kanayama, ABS Moraes, Jairo Rodrigues, Krys Mangini, George Brainer e Alessandro Dutra

Preço: R$ 22,00

Data de lançamento: Maio de 2001

Sinopse

O Gralha traz diversas histórias, produzidas pelos principais representantes da atual HQ paranaense. O personagem é uma homenagem ao Capitão Gralha, um herói brasileiro da década de 1940, criado por Francisco Iwerten, que é considerado uma “lenda urbana” em Curitiba, pois não se conhece nenhum parente dele vivo e na lista telefônica local não há ninguém com esse sobrenome. Alguns até duvidam de sua existência!

Diferente dos supertipos tradicionais, o Gralha leva ao extremo os clichês das histórias do gênero. Em suas aventuras, ele também enfrenta cientistas loucos, vilãs boazudas e mutantes, mas sempre com um tom de humor e sarcasmo bem brasileiro. Isso pode ser confirmado pelos nomes de seus inimigos: Biscuí do Mato, Homem Lambrequim, Dr. Botânico, Bagre Humano, Polaquinha, Araucária, Café Expresso, Pivete Cybernético, Bicho Grilo e O Craniano!

Os poderes do Gralha são oriundos de duas “gemas do poder”, localizadas sobre o seu capuz, na altura das têmporas, que lhe garantem a capacidade de voar, força sobre-humana e emissão de sons devastadores, e são uma “herança” de seu avô, Alfredo Gomes, o Capitão Gralha.

As histórias do álbum variam de uma a oito páginas e apresentam o personagem nas situações mais inusitadas. Ele lida com um fã-clube que quer comercializar sua imagem; leva uma joelhada no… hã… “baixo ventre”, numa batalha contra a sedutora Araucária; tem seu uniforme roubado; e captura um farsante que se veste como ele para espantar assaltantes e ficar com o dinheiro.

O Gralha fez sua primeira aparição em outubro de 1997, na edição especial da extinta revista Metal Pesado, em comemoração aos 15 anos da Gibiteca de Curitiba. Este álbum compila dois anos de aventuras publicadas no jornal A Gazeta do Povo, onde o personagem saiu semanalmente de 1998 a 2000.

Positivo/Negativo

Como é uma criação coletiva e todos autores tiveram liberdade total para dar sua interpretação pessoal ao personagem, as histórias apresentam técnicas narrativas e estilos de desenho completamente variados. Isso confere à obra um charme especial, pois o (bom) resultado final é que o personagem é um só, mas com diversas “caras”.

Entre as histórias, merecem destaque Antigo Fantasmas, uma homenagem ao Batman; Poderes Constituídos, onde há uma clara alusão à clássica cena do primeiro filme do Super-Homem, em que o herói faz o tempo retroceder voando ao redor do globo em sentido anti-horário, numa velocidade espantosa; e a curta, porém excelente O Início e o Fim das Coisas, na qual Antonio Eder “brinca” com o leitor, fazendo-o acompanhar a história (que não possui nenhum balão) num sentido pouco convencional e mostrando como é possível utilizar os quadrinhos com inteligência e criatividade.

O único ponto a se lamentar é que, em algumas páginas, a impressão apresenta falhas, como pontos brancos em quadros predominantemente negros.

O Gralha é uma ótima amostra de quantos artistas de talento há no Brasil. Parabéns à Via Lettera pela iniciativa de mostrar para os leitores de todo o Brasil este trabalho, antes restrito apenas ao Paraná.

Classificação

4,0

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