O HEROI # 1

Por Gilberto M. M. Santos
Data: 1 dezembro, 2005


Título: O HEROI # 1 (Ebal) – Revista mensal
Autores: Vários, a maioria não citada ou apenas com o nome do desenhista.

Preço: Cr$ 2,00 (preço da época)

Número de páginas: 64 (formato 16,5 x 24 cm, impressa em rotogravura em sépia)

Data de lançamento: Julho de 1947

Sinopse: Uma revista mix com um pool de heróis que rapidamente caíram no gosto dos leitores da época e que até hoje têm admiradores.

Naquelas páginas desfilavam Os Patrulheiros do Ar enfrentando uma
quadrilha de ladrões de gado, A Amazona dos Cabelos de Fogo contra
policiais corruptos e uma quadrilha de piratas de rio, Freddy e Nancy
numa aventura no circo, John Danger, o detetive de Hollywood, encarando
uma fera para proteger uma bela estrela de cinema e, por fim, Gloria
Forbes
, numa estranha corrida de calhambeques na qual a heroína não
poupa situações insinuantes e sensuais (para a época).
Positivo/Negativo: Essa foi a primeira revista em quadrinhos impressa pela Ebal no Brasil. Antes disso, quando era conhecida apenas por Editora Brasil-América, já havia publicado livros (Você já foi a Bahia?, Biblioteca Mirim e outros) e livros com quadrinhos (Coleção King) e até o título em HQs Seleções Coloridas, impressa em 1946, mas na Argentina.

Todos os materiais eram inéditos no Brasil. Foi muita coragem do velho Adolfo Aizen publicar uma revista só com personagens desconhecidos, mas o sucesso foi imediato. Os heróis até hoje têm grupos de leitores aficionados, com fanzines e até listas de discussão específicas para discutir seus quadrinhos.

Vale ressaltar a beleza e a pluralidade dos desenhos encontrados nesta revista. Os enquadramentos, a decupagem de página com personagens sangrando os limites dos quadrinhos são mais de vanguarda que a maioria das publicações de heróis atuais.

A arte mescla de forma magistral a limpeza necessária à boa visualização dos desenhos e a riqueza de detalhes é enebriante.

Um fato curioso, é que as musas que desfilam em suas páginas eram consideradas heroínas sensuais, tanto por seus trajes (para a época mínimos), quanto pelas poses nas quais apareciam. Claro que, para os dias atuais, estão indiscutivelmente comportadas.

Esta revista é tão antiga que foi impressa antes da reforma da língua portuguesa, numa época em que “heroi” não era acentuado e “editôra” tinha circunflexo.

É uma obra que merece ser lida, uma peça de coleção. Quem tem, não se desfaz. Se por acaso encontrá-la num sebo, compre-a imediatamente. Mas em seguida jogue em alguma loteria, pois certamente estará em seu dia de sorte.

A primeira e segunda capa são usadas para iniciar a história, o que era relativamente comum na época. Na terceira capa há uma carta pictórica do diretor e na quarta, anúncios da Novissima Biblioteca Mirim (novíssima não tinha acento).

Agradecimentos à colaboração do amigo colecionador Jorge Barwinkel, que teve a sorte de comprar esta edição na banca por apenas dois cruzeiros, mas que, claro, se recusa a vendê-la por míseros três reais.

Em julho de 1947, duas grandes novidades apareceram. A primeira foi um estranho objeto detectado pelos radares em Roswell, White Sands e Alamogordo. Sua tremenda velocidade e movimentos erráticos indicaram que não era um avião ou meteorito. E a segunda foi uma estranha revista marrom com formato diferenciado, que chegou às bancas brasileiras. Se há ligação entre ambos, só o tempo dirá…

 

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.