O HOMEM MOSCA # 1

Por Toni Rodrigues
Data: 1 dezembro, 2007


Título: O HOMEM MOSCA # 1 (LaSelva) – Revista mensal

Autores: Joe Simon (roteiro e desenhos) e Jack Kirby e George Tuska (desenhos).

Preço: Cr$150,00 (preço da época)

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Janeiro de 1965

Sinopse: O pobre órfão Thomas Troya, depois de descobrir a tramóia do diretor do orfanato com uma quadrilha de bandidos, é mandado para ser empregado de Lilia e Sammy Mark, os donos de uma casa em ruínas nos arrabaldes da cidade, que têm fama de serem bruxos. A idéia é que o garoto desapareça.

Ele é colocado para trabalhar pelos dois velhos, que o avisam que nunca, jamais, deve ir ao sótão da casa. Mais do que depressa, Thomas entrando no misterioso local, onde acha um anel misterioso e, ao esfregá-lo, vê surgir a figura de Turan, emissário da Dimensão dos Homens Mosca.

Turan explica que há muito procurava alguém digno de receber o poder dos Homens Mosca e que Thomas era perfeito para o cargo. Assim, o rapaz recebe a incumbência de combater o mal e o crime sobre todas as formas como O Mosca. Para isso, usaria todos os dons que lhe foram dados: vôo, superforça etc. Bastava esfregar o anel.

E para voltar a ser de novo Thomas Troya, ele só precisava dizer seu nome.

Assim, o Mosca vai atrás dos bandidos que usavam as verbas que a prefeitura
pagava para o orfanato em benefício próprio e manda todos para a cadeia.

Na história seguinte, Entre na minha casinha, o Mosca enfrenta o Aranha, um bandido deformado que domina como ninguém cordas e redes, além de possuir extrema agilidade. Claro que o herói vence depois de alguns percalços.

Por fim, na aventura O Olho Mágico, o Mosca enfrenta um poderoso robô descontrolado e o derrota em apenas quatro páginas.

Positivo/Negativo: Embora todo mundo associe facilmente o nome de Jack Kirby ao de Stan Lee, por causa da Marvel, nem sempre foi assim. Houve uma época em que o grande parceiro de Kirby era o editor, escritor e também desenhista Joe Simon. Os dois formaram uma das maiores duplas dos quadrinhos norte-americanos de todos os tempos, dando origem a diversos personagens importantes e até a um novo gênero de histórias que não existia antes.

Quando eles se encontraram, em 1939, já eram jovens veteranos dos quadrinhos. Kirby egresso do estúdio de Will Eisner e Joe trabalhando como free-lance para diversas editoras.

Logo que se juntaram foram trabalhar na Timely, ancestral da Marvel, onde o então adolescente Stan Lee tinha acabado de começar a estagiar. Nessa editora, criaram seu personagem mais famoso juntos: o Capitão América, cujo imenso sucesso fez com que ambos fossem contratados (com um belo aumento de salário) pela National Comics (atual DC), onde publicaram O Caçador, uma segunda versão do Sandman, Os Garotos-Comandos e A Legião Jovem com o Guardião.

Passaram então para a MJL (que depois virou Archie Comics) onde publicaram The Stuntman, seu melhor trabalho daqueles anos.

Na década de 1950, com a queda nas vendas de super-heróis, ambos se voltaram para outros gêneros, como terror e crime, que faziam bastante sucesso. Então, meio por acaso, numa parceria comercial com uma pequena editora chamada Crestwood, criaram a primeira revista em quadrinhos para o público adolescente feminino: Young Romance. Foi um sucesso sem precedentes, o que fez todas as casas editoriais tentarem o gênero durante muitos anos.

Em 1953, abriram sua própria editora, sem outros sócios, a Mainline Publications, e lançaram o super-herói The Fighting American e o caubói mascarado Bullseye, entre outros. Nessa mesma época, voltaram a produzir para a Timely uma nova versão do Capitão América, mas a revista não vingou.

Contudo, eram tempos bicudos para os quadrinhos e, em 1955, ambos tinham falido e resolveram tentar a sorte em carreiras solo. Kirby voltou para a DC, onde desenhou histórias do Arqueiro Verde e criou Os Desafiadores do Desconhecido.

Enquanto Simon foi trabalhar como desenhista publicitário, fazendo alguns free-lances para quadrinhos eventualmente.

Em 1959, Jack Kirby foi demitido pela DC e começou a procurar trabalho. Antes de bater na porta da Timely (que ainda não se chamava Marvel), descobriu que seu antigo parceiro tinha acabado de se tornar editor da Archie Comics e estava planejando montar uma nova linha de super-heróis.

Joe Simon criou O Mosca como parte dessa linha (que também tinha The Web, The Shield, The Hangman e Jaguar) e chamou, a principio, C.C. Beck para desenhá-lo.

Ao ver as primeiras páginas de Beck, Simon achou parecido demais com o Capitão Marvel e que como o herói já tinha muito em comum com o personagem da Fawcett Comics, eles correriam um sério risco de serem processados. Foi aí que surgiu Jack Kirby, que refez o trabalho.

O trabalho dos dois separados era bem diferente, mas quando se juntavam uma estranha simbiose acontecia. É difícil dizer qual desenho é de Kirby e qual é de Simon. Isso fica evidente nesta revista, pois a última história é desenhada por George Tuska e dá pra ver claramente que mudou o artista.

De toda forma, a revista não vendeu muito, o futuro da linha era duvidoso e Kirby acabou trabalhando cada vez mais para a Marvel, sempre como free-lance, desenhando inicialmente histórias de Monstros como Zzutak!, Xemu, o titã, Fing-Fang-Foon e outros.

Até o belo dia em que ele e Stan Lee receberam de Martin Goodman, dono da editora e tio de Lee, a incumbência de criar um grupo de super-heróis, pois a revista da Liga da Justiça, da DC estava vendendo bem. O resultado da encomenda foi o Quarteto Fantástico e o resto é história.

Esta edição foi publicada no Brasil quando a LaSelva já estava para fechar as portas, em 1965 e é bastante descuidada. A tradução é horrível, o letreiramento é de má qualidade, as remontagens são sofríveis, a impressão é péssima. Enfim, é cheia de defeitos.

Mesmo assim, fez sucesso e, quando as histórias norte-americanas acabaram alguns números depois, o personagem foi continuado aqui pelo desenhista Luiz Rodrigues, com toda certeza sem pagar um centavo de royalties. Isso foi feito pela mesma editora com Tor, de Joe Kubert, continuado aqui por Gedeone Malagola.

As revistas do Homem Mosca são bastante raras. Se você quiser muito ler esse material é melhor (e provavelmente mais barato) procurar a recente edição encadernada norte-americana na Amazon. Mesmo assim, vale mais como curiosidade, pois as tramas são pouco imaginativas, embora os desenhos sejam bons.

Classificação:

4,0

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