O Homem no Teto

Por Emanoel Richardson
Data: 2 junho, 2001

O Homem no TetoEditora: Cia. das Letras

Autores: Jules Feiffer

Tradução: Carlos Sussekind

Preço: R$ 21,50

Sinopse

Para quem não conhece, Jules Feiffer é uma dos maiores cartunistas americanos. Um dos últimos grandes mitos vivos, juntamente com Will Eisner, para quem trabalhou como “artista fantasma” entre 1948 e 1951.

Feiffer é um artista completo, dono de um traço extremamente pessoal, escritor de fina ironia e sensibilidade. Seus cartuns já foram publicados na PlayboyNew Yorker e ainda podem ser vistos mensalmente no New York Times. Escreveu peças, roteiros de cinema (Pequenos Assassinatos, de 1970; Ânsia de Amar, de 1971; Popeye, de 1980) e livros premiados. Mais recentemente tem se dedicado aos livros infantis.

O Homem no Teto, é um livro infanto-juvenil de rara sensibilidade e inteligência. Jimmy Dibbert é um menino ruim nos esportes, não tão bom nos estudos, cuja reclusa vida reside em desenhar histórias em quadrinhos e conviver com a família: a irmã mais velha mandona, a irmã mais nova pentelha, a mãe trabalhadora e o pai ausente.

A pessoa mais legal da família de Jimmy é o tio Lester, um artista como ele (escreve musicais fracassados). Incompreendido pela família, Jimmy encontra nos quadrinhos, até mesmo um meio de se integrar à turma do colégio, pois Charley Beemer, o melhor atleta da escola e admirado por todos, adora os quadrinhos de Jimmy e propõe uma parceria.

A partir daí Feiffer nos leva a uma jornada de superação de medos, inseguranças, idolatria, fracassos e incapacidades, numa história edificante, sem ser piegas. Principalmente pela capacidade de observação da índole humana que o autor desenvolveu ao longo de 50 anos de carreira.

Suas personagens são tipicamente humanas, extremamente bem caracterizadas. Há momentos de grande ternura, intercaladas com cenas de terror psicológico típicos da infância. Não há os tradicionais estereótipos. Todos são tratados com respeito e honestidade.

Feiffer joga perfeitamente com a integração entre texto, figuras e a inserção dos quadrinhos “desenhados” por Jimmy em momentos chaves da trama. Isso é fundamental para o bom resultado. O final é de uma sensibilidade ímpar, daqueles que ficam na memória. Especialmente de adolescentes, que são o público-alvo.

Positivo/Negativo

O perfeito casamento entre prosa, quadrinhos e ilustrações é uma prova de todo o potencial inexplorado da arte seqüencial. A caracterização dos personagens é perfeita e Feiffer trata o leitor como companheiro de viagem.

Talvez as quase duzentas páginas assustem o leitor médio de livros infanto-juvenis, mas a leitura é fácil e envolvente, além das letras grandes, que facilitam a fluência.

Classificação

5,0

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