O INCRÍVEL CABEÇA DE PARAFUSO E OUTROS OBJETOS CURIOSOS

Por Lielson Zeni
Data: 1 dezembro, 2012

O INCRÍVEL CABEÇA DE PARAFUSO E OUTROS OBJETOS CURIOSOS

Editora: Nemo – Edição especial

Autores: Mike Mignola (roteiro e arte), Katie Mignola (enredo de O mágico e a cobra) e Dave Stewart (cor) – Publicado originalmente em The amazing screw-on head and other curious objects.

Preço: R$ 49,00

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Julho de 2012

 

Sinopse

O incrível Cabeça de Parafuso – Oh, não! Problemas no Museu dos Livros e Papéis Perigosos! Mas o presidente Abraham Lincoln sabe quem pode resolver esse problema: o leal e destemido agente Cabeça de Parafuso.

Abu Gung e o pé de feijão – A história de João e o pé de feijão de uma perspectiva muito mais sombria.

O mágico e a cobra – Um conto gótico de amizade entre uma cobra e um mágico.

A bruxa e sua alma – Uma versão mignoliana de Fausto.

O prisioneiro de Marte – Mistérios e viagens no espaço. Quem não se interessaria por tanta aventura?

A capela dos objetos curiosos – Um passeio por uma capela sinistra cheia de objetos interessantes.

Positivo/Negativo

Este lançamento bem cuidado da Nemo reúne diversas histórias curtas do criador de Hellboy, Mike Mignola. Duas delas são vencedoras do Eisner: O mágico e a cobra (melhor HQ curta, 2003) e O incrível Cabeça de Parafuso (melhor publicação de humor, 2002).

A compilação é material obrigatório para todos os fãs do trabalho de Mignola, pois os mesmos elementos estruturantes de Hellboy, estão aqui: um clima inocente pulp de aventura que se contamina com as sombras soturnas da arte, refinado num tipo muito específico de humor.

Mike Mignola é um desenhista e um narrador visual de extraordinária competência. A maneira que as HQs são contadas e a diagramação das páginas são muito eficientes, o que nem sempre se entende ou aceita é a estrutura narrativa escolhida pelo autor.

Essa mescla de inocência das histórias de aventura típicas das narrativas da década de 1930, com diálogos do tipo “Oh, não! Estamos fritos” com uma malévola corrupção sombria e cthuliana é o que faz a força do material.

As narrativas acabam repentinamente, pois o ritmo e o andamento usados diferem tanto das HQs de aventura contemporâneas, quanto dos pulps de quase um século atrás. As situações são malucas, como um universo paralelo dentro de um nabo, ou aterrorizantes, como o feijão mágico que cresceu dentro da barriga de quem o comeu.

E justamente nessas situações absurdas se mostra uma das facetas do humor de Mignola. A outra vem de situações constrangedoras típicas de desenhos animados, como o vilão que gargalha sua maldade até perceber sozinho como isso é tolo ou ameaças que parecem poderosas derrotadas em poucos painéis.

Apesar de criadas em épocas diferentes, as aventuras do álbum citam-se, seja pelos personagens, pelos locais, por algum aparição de fundo e tudo se acaba num passeio que parece juntar todos esses elementos, mas que, infelizmente é curto demais.

Nos extras da edição, Mignola comenta que poderia ter aumentado a quantidade de páginas da última HQ, que é somente um passeio contemplativo, não uma narrativa de ação.

Pena que não o fez.

De qualquer forma, eis um material que representa bem o que é o trabalho de Mike Mignola. Goste muito, pouco ou não goste, é inegável a força visual desse artista.

 

Classificação:

4,0

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