O Inescrito – Volume 1 – Tommy Taylor e a Identidade Falsa

Por Liber Paz
Data: 18 janeiro, 2013

O Inescrito - Tommy Taylor e a Identidade FalsaEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Mike Carey e Peter Gross (roteiro e arte), Chris Chuckry e Jeanne McGee (cores) – Originalmente em The Unwritten # 1 a # 5.

Preço: R$ 18,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Dezembro de 2012

Sinopse

Wilson Taylor se tornou célebre com o estrondoso sucesso de sua série de livros de fantasia que contam as aventuras de Tommy Taylor. Uma aura de mistério e mito cerca o desaparecimento do autor, que aconteceu logo depois que ele terminou o 13º volume de sua criação.

Tommy Taylor, filho do escritor e inspiração para o protagonista dos livros, herdou algum dinheiro, os direitos da obra e uma cadeira cativa como convidado de honra em eventos de quadrinhos, cinema e literatura de fantasia.

A vida de Tommy começa a mudar a partir do momento em que sua verdadeira identidade é questionada. Um evento que desencadeia uma série de conflitos e sobreposições de realidades e ficções.

Positivo/Negativo

No prefácio de O inescrito, Bill Willingham escreve sobre como o gênero de fantasia nos quadrinhos cresce em paralelo ao de super-heróis. Faz referências à sua própria obra, especialmente a popular série Fábulas e apresenta o trabalho de Mike Carey e Peter Gross como um novo título desse tipo de narrativa.

Há semelhanças entre Fábulas e O inescrito. Mas enquanto o primeiro toma clássicos personagens dos contos de fada para reconstruí-los em uma trama complexa de guerra situada entre o mundo contemporâneo e um universo imaginário, o segundo é um pouco mais sofisticado.

Melhor dizendo, O inescrito retoma, revisita, reedita, remasteriza e combina de maneira muito convincente ideias que já tinham aparecido na Vertigo desde Sandman, passando por Os Invisíveis e finalmente chegando a Fábulas. E, logicamente, sobressaem as referências a Harry Potter.

Não há novidade, mas tudo é feito com tanta competência que a história de Tommy Taylor conquista o leitor e proporciona entretenimento da melhor qualidade.

Em semelhança com Fábulas, pode se dizer que O inescrito insere personagens de ficção em um “mundo real”, no qual há uma misteriosa sociedade que possui interesses sombrios sobre as ficções literárias. Uma sociedade secreta que lembra muito as forças que King Mob e seus colegas combatiam em Os Invisíveis.

Talvez a semelhança maior seja realmente com a série Sandman. Assim como Neil Gaiman, Mike Carey e Peter Gross parecem nutrir a ambição de não fazer apenas uma historinha sobre seres mágicos e gatos alados, mas realmente discorrer sobre a própria tessitura das narrativas. Aliás, daí até o nome do misterioso autor Wilson Taylor: “tailor” em inglês significa “alfaiate”.

É um projeto bem ambicioso, mas que não esbarra na pretensão.

Carey e Gross falam sobre mídia e literatura, aspirações artísticas e a relevância das ficções em nossa realidade, mas fazem isso sem excessos, em uma narrativa divertida e leve.

A presente edição mostra a história Tommy Taylor e a identidade falsa, que se divide em quatro episódios e apresenta o protagonista Tom.

Vivendo de aparições em comicons e outros eventos do tipo, Tom tem sua identidade questionada durante uma palestra. É acusado de não ser quem diz que é.

A partir daí, começa a se envolver com uma série de situações que vão desde cosplays fanáticos até uma bizarra oficina de escritores na casa onde Mary Shelley escreveu Frankenstein.

É claro que o Tommy Taylor dos livros e o Tom Taylor da vida real possuem uma relação bem estreita e direta, mas talvez ela não seja tão óbvia quanto pareça.

Carey e Gross exploram esse jogo de mistério com ótimos diálogos e muitas referências a livros, escritores, fãs e a transposição das histórias para múltiplas mídias. O ritmo da trama prende o leitor e mescla personagens completamente inventados com fatos literários.

Após a saga de introdução, o protagonista Tom Taylor cede espaço para Como a baleia veio a ser, uma história curta protagonizada pelo escritor Rudyard Kipling. A exemplo do que Neil Gaiman fez diversas vezes em Sandman, a dupla de autores mistura fatos reais com ficção, ao apresentar um confronto entre Kipling e o misterioso complô.

Trata-se de um promissor começo para esta nova série.

Classificação

4,0

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