O ladrão dos ladrões – Volume 1 – Eu vou parar

Por Isabelle Felix
Data: 24 junho, 2016

O ladrão dos ladrões – Volume 1 – Eu vou pararEditora: HQM – Edição especial

Autores: Robert Kirkman (criação), Nick Spencer (roteiro), Shawn Martinbrough (arte) e Felix Serrano (cores) – Originalmente em Thief of Thieves – Volume 1 – I quit.

Preço: R$ 39,90

Número de páginas: 152

Data de lançamento: Maio de 2014

Sinopse

O maior espião ativo resolveu se aposentar. Porém, as coisas não seguirão de acordo com o plano tão facilmente.

Positivo/Negativo

O ladrão dos ladrões – Eu vou parar chegou sem muito alarde às livrarias e comic shops. Mesmo tendo como criador e desenvolvedor Robert Kirkman, do grande sucesso dos quadrinhos e da TV, Walking Dead (ou Os mortos-vivos), este trunfo não foi utilizado para chamar a atenção do leitor. Apenas a capa vermelha e o desenho estiloso do personagem principal tiveram que ser suficientes.

Pois bem, Conrad Paulson, vulgo Redmond, é o maior ladrão em atividade do planeta. O típico galã, moreno, alto, sedutor, muito inteligente, que planeja cuidadosamente os maiores roubos. Só que ele cansou dessa vida.

O tempo passou e Redmond viu que perdeu a oportunidade de ter um lar, em vez de uma casa, de criar seu filho e viver ao lado da mulher que ama. Tudo isso soa muito clichê, e é em vários aspectos.

A história é previsível, mas seu ritmo é ótimo. A narrativa é bem estruturada e sedutora, tornando a leitura viciante.

O fato é que Redmond quer deixar o mundo do crime porque entendeu a importância de ter uma meta na vida, mas terminou sendo consumido por ela. Ele não sabe que é vital se contentar com aquilo já conquistado para não viver uma eterna busca.

Esta é uma mensagem que o autor tenta passar, mas a que ficou mesmo foi “pra tudo se dá um jeito, menos para a morte”. O plot se desenvolve em cima da máxima “a fruta não cai muito longe da árvore”, forçando Redmond a fazer um último trabalho.

O roteiro deste primeiro encadernado é de Nick Spencer (Morning Glories) e os desenhos de Shawn Martinbrough, com alguns trabalhos na DC. A arte combina bastante com o texto, pois é um pouco “dura” e com um ar noir, com bom uso de sombras.

Os três autores criaram numa HQ dinâmica, com vários flashbacks típicos de filmes e seriados de ação e espionagem. É tudo muito corrido, rápido e ágil. Dá uma sensação de se estar assistindo a um remake do filme 11 homens e um segredo, de Steven Soderbergh. Ou seja, cria-se uma ansiedade com o desenvolver da trama que apenas é sanada ao final, em um ritmo frenético.

E aí vem o porém. A edição termina com um gancho para uma continuação que os brasileiros não têm previsão para conhecer. Nos Estados Unidos, o título é um sucesso e teve o seu quinto encadernado lançado pela Image, em março de 2016. Enquanto isso, por aqui, a HQM nem anunciou o segundo álbum. No final, quem sai perdendo é o leitor; e a culpa não é dele.

Classificação

4,0

• Outros artigos escritos por

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  • Heberton Arduini

    Essa edição eu fiz minha parte, comprei para incentivar a Editora… Mas coloquei na lista de não prioridades por causa da incerteza da continuidade. Um pena, parece interessante.

    • Eu tinha a mesma preocupação, Heberton! Mas eu acho que você pode ler sem medo! Apesar de ter continuação lá fora, o final é bem final de piloto de série, sabe? Daqueles do tipo “se quiserem, a gente continua, se não quiserem, termina aqui mesmo…” Então não chega tanto a dar aquela sensação de coito interrompido! Abs

      • Heberton Arduini

        Beleza…vou tirar da estante e colocar na pilha de leitura então, kkkk

  • Leandro Foly

    “E a culpa não é dele (do leitor)”. Perfeito fechamento, sobre uma editora que insiste em dizer o contrário e usar de vitimismo sempre que pode. Junto às publicações Valliant, Bone, e algumas outras não continuadas, só temos a lamentar.

  • Concordo com a nota, concordo com a resenha. Escrevi uma que bateu em pontos muitos parecidos na minha coluna!