O LIVRO DO VENTO

Por Mário César
Data: 1 dezembro, 2006

Título: O LIVRO DO VENTO (Panini
Comics
) – Edição única
Autores: Kan Furuyama (roteiro), Jiro Taniguchi (arte).

Preço: R$ 14,90

Número de páginas: 240

Data de lançamento: Junho de 2006

Sinopse: No ano de 1649, em plena Era Tokugawa (1603-1867), os manuscritos secretos da Família Yagyu são roubados e seu conteúdo pode levar o Japão a uma guerra civil que deixaria o país exposto às potências estrangeiras.

Quem estaria por trás deste roubo e quais seriam seus objetivos?

Positivo/Negativo: Jubei Yagyu é um dos mais famosos e romanceados samurais do Japão Feudal. Sua trajetória é repleta de mistérios e lacunas – ele chegou a ficar desaparecido por cerca de 12 anos. O mito ao redor de sua figura sempre despertou o interesse das mais variadas mídias, aparecendo até em vídeo games como Samurai Shodown.

O Livro do Vento romanceia uma parte da obscura trajetória de Jubei com uma trama bem amarrada de conspirações políticas que não deixa de lado o prato principal em qualquer trabalho envolvendo samurais: as lutas.

O resultado não chega a ser tão envolvente como Lobo Solitário ou Vagabond, mas chama a atenção pela competência da dupla criativa, que fez uma minuciosa reconstituição histórica.

Além de Jubei, outro personagem real também é focado. Trata-se de Kaishu Katsu, um dos grandes líderes do governo no final da Era Tokugawa e visto por muitos como um traidor dentro da história do Japão.

Os autores lançam sua visão sobre a derrocada do xogunato e mostram Katsu como alguém que, na verdade, enxergava um pouco além da maioria das pessoas.

A arte de Jiro Taniguchi é rica e detalhada sem ser poluída. Em mangás com muitas seqüências de ação, não é raro ver desenhos confusos sobrecarregados com linhas de movimento. Felizmente, ele dosa os elementos na medida certa, narrando cada passo das cenas de luta com precisão e fluidez. Nas partes mais “paradas”, também não deixa a peteca cair com belos enquadramentos e uma narrativa cinematográfica.

Um ponto interessante: a edição é fechada e chegou às bancas por um preço acessível. O tratamento editorial da Panini é de primeira e conta com glossário, linha do tempo, posfácio dos autores e sobrecapa – apenas alguns erros de português que deveriam ser evitados, como um “mensionadas” na abertura das notas. Vale destacar também a qualidade da encadernação, visivelmente superior à maioria dos títulos em banca. É bom poder abrir tranqüilamente a revista sem que o papel enrugue ou que as folhas se soltem a qualquer momento.

 

Classificação:

4,0

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  • Guilherme H C Arruda

    Bela resenha, gera interesse sem dar spoiler, parabéns!!